Histeroscopia diagnóstica ou cirúrgica: a diferença

Conheça a diferença entre histeroscopia diagnóstica e cirúrgica: objetivos, anestesia e quando cada uma é indicada.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Equipamento de ultrassom moderno em uma clínica médica, com painel de controle e monitor de imagem diagnóstica

A histeroscopia é um exame que permite olhar por dentro do útero usando uma óptica fina, semelhante a um telescópio, introduzida pelo colo uterino. Esse mesmo instrumento pode servir a dois objetivos diferentes: apenas examinar a cavidade (histeroscopia diagnóstica) ou também tratar uma alteração encontrada (histeroscopia cirúrgica). Entender essa diferença ajuda você a saber o que esperar antes, durante e depois do procedimento. A seguir, explico cada uma, suas indicações e sua recuperação de forma clara e sem alarmismo.

Histeroscopia diagnóstica

A versão diagnóstica tem o objetivo de visualizar a cavidade uterina e o canal do colo, identificando alterações que outros exames às vezes só sugerem. Para distender o útero e enxergar bem, usa-se com frequência soro fisiológico.

É considerada o padrão-ouro na avaliação da cavidade uterina, porque permite ver diretamente o que está ali dentro. As indicações mais comuns incluem:

  • Sangramento uterino anormal e sangramento após a menopausa
  • Suspeita de pólipos endometriais ou miomas submucosos
  • Investigação de infertilidade ou perdas gestacionais de repetição
  • Suspeita de malformações uterinas (como septo) ou de aderências (sinéquias)
  • Avaliação de espessamento do endométrio ou de DIU mal posicionado

Costuma ser rápida, durando em torno de 10 a 15 minutos, e em muitos casos é feita em ambiente ambulatorial ou de consultório, sem anestesia geral. Há uma técnica chamada vaginoscopia (ou "sem toque"), que dispensa o espéculo e a pinça no colo, e tende a ser mais confortável.

Histeroscopia cirúrgica

A histeroscopia cirúrgica vai além de olhar: ela permite tratar a alteração na mesma cavidade, usando instrumentos próprios acoplados ao aparelho. As condutas mais frequentes são:

  • Polipectomia (retirada de pólipos) — o procedimento histeroscópico cirúrgico mais comum
  • Miomectomia de miomas submucosos (que crescem para dentro da cavidade)
  • Lise de aderências (sinéquias), como na síndrome de Asherman
  • Correção de septo uterino
  • Remoção de corpos estranhos, como um DIU difícil de retirar

Por exigir manipulação maior, ela costuma ser realizada em ambiente cirúrgico, com anestesia adequada — que pode ser sedação ou anestesia geral, conforme o caso. Nesse cenário, além do soro fisiológico, podem ser usados outros líquidos de distensão dependendo da técnica e do tipo de energia empregada.

Como saber qual eu vou precisar?

A decisão depende do que se quer investigar ou tratar e é sempre individualizada em consulta. Em linhas gerais:

  • Às vezes a diagnóstica já esclarece a dúvida e nenhum tratamento é necessário naquele momento
  • Em outras situações, a cirúrgica trata diretamente a lesão encontrada — por exemplo, removendo um pólipo ou um mioma submucoso
  • É possível, ainda, que o achado de uma diagnóstica leve à indicação de uma cirúrgica em outro momento

Alguns quadros contraindicam o procedimento, como gravidez, infecção pélvica ativa ou câncer de colo/endométrio já confirmado. Por isso a avaliação prévia, com história clínica e exames de imagem, é parte essencial do planejamento.

Preparo e recuperação

O preparo varia conforme o tipo de procedimento e a anestesia escolhida — seu médico orientará sobre jejum, medicações e o melhor momento do ciclo. De modo geral, a recuperação tende a ser tranquila.

Após uma histeroscopia diagnóstica sem anestesia, muitas mulheres retomam as atividades no mesmo dia. É comum sentir cólicas leves, parecidas com as menstruais, por um ou dois dias, e ter pequeno sangramento ou borra por alguns dias, às vezes até cerca de uma semana. Paracetamol ou ibuprofeno costumam aliviar o desconforto, conforme orientação médica. Na versão cirúrgica, o repouso e o tempo de retorno às atividades dependem da anestesia e da extensão do tratamento realizado.

E os riscos?

A maioria das histeroscopias é rápida e segura, e complicações sérias são incomuns — no conjunto, ocorrem em menos de 1% dos casos. Ainda assim, como em qualquer procedimento, existem riscos. Entre os mais relevantes está a perfuração uterina: ela é rara na histeroscopia apenas diagnóstica (em torno de 0,1% dos casos) e um pouco mais frequente na cirúrgica (geralmente abaixo de 1,5%), variando conforme o tipo de tratamento. Outros riscos incluem infecção, sangramento e a sensação de mal-estar ou desmaio durante o exame. Na histeroscopia cirúrgica, há também o cuidado com a quantidade de líquido absorvido (sobrecarga de fluidos), motivo pelo qual a equipe monitora isso de perto. Conhecer esses pontos ajuda a ter expectativas realistas, sem ansiedade.

Cada caso é único, e este texto tem caráter informativo — ele não substitui a avaliação médica. Se você tem sangramento fora do comum, suspeita de pólipo ou mioma, ou está investigando dificuldade para engravidar, vale conversar com sua ginecologista para entender se a histeroscopia, diagnóstica ou cirúrgica, faz sentido para você. O acompanhamento individualizado é sempre o melhor caminho.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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