Pólipo endometrial: é perigoso? Sintomas e retirada

Pólipo endometrial é perigoso? Entenda os sintomas, quando o risco é maior, como é o diagnóstico e a retirada por histeroscopia (polipectomia).

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração esquemática de pólipo na cavidade uterina e equipamento de histeroscopia.

O pólipo endometrial (também chamado de pólipo uterino) é um crescimento do tecido que reveste o interior do útero, o endométrio. Eles podem ser únicos ou múltiplos e variam de poucos milímetros a alguns centímetros. Na maioria das vezes são benignos, mas costumam causar sangramentos e, em algumas situações, têm relação com dificuldade para engravidar. A boa notícia é que existe um exame que permite tanto enxergar o pólipo por dentro quanto removê-lo: a histeroscopia. Neste artigo, explicamos o que é o pólipo endometrial, quando ele é perigoso, como é investigado e como a retirada por histeroscopia costuma acontecer.

O que são pólipos endometriais e quem pode ter

Os pólipos endometriais surgem a partir de um crescimento localizado das glândulas e do tecido do endométrio. Eles são mais frequentes entre os 40 e 49 anos, mas podem aparecer em qualquer fase da vida reprodutiva e também após a menopausa. Alguns fatores aumentam a chance de desenvolvê-los, entre eles:

  • Estímulo prolongado do estrogênio sobre o endométrio
  • Sobrepeso e obesidade
  • Uso de tamoxifeno (medicamento usado no tratamento do câncer de mama)
  • Algumas formas de terapia hormonal na menopausa

Vale lembrar que ter um ou mais desses fatores não significa que o pólipo vá necessariamente aparecer, e a presença de um pólipo nem sempre causa sintomas.

Sintomas mais comuns

Muitos pólipos são descobertos por acaso, em exames de rotina, sem causar qualquer incômodo. Quando dão sintomas, os mais frequentes são relacionados ao sangramento uterino anormal:

  • Sangramento entre as menstruações (escape ou spotting)
  • Fluxo menstrual irregular, mais longo ou mais intenso
  • Qualquer sangramento após a menopausa — que sempre merece avaliação médica
  • Em alguns casos, dificuldade para engravidar

O sangramento após a menopausa merece atenção especial: embora a maioria dos pólipos seja benigna, qualquer perda de sangue nessa fase precisa ser investigada para afastar outras causas.

Pólipo endometrial é perigoso?

Na grande maioria dos casos, não: o pólipo endometrial é uma lesão benigna. Existe, porém, uma pequena parcela de pólipos com alterações pré-malignas ou malignas, e esse risco não é igual para todas as mulheres. Ele é maior quando há:

  • Menopausa — o risco é mais alto após a menopausa do que na vida reprodutiva
  • Sangramento, principalmente o sangramento pós-menopausa
  • Pólipos maiores, em geral acima de 1 a 1,5 cm
  • Uso de tamoxifeno
  • Obesidade, diabetes ou hipertensão

Em mulheres jovens, sem sintomas e com pólipos pequenos, o risco é muito baixo. É justamente essa combinação de fatores que orienta a médica a decidir entre acompanhar o pólipo ou retirá-lo — e, quando ele é retirado, a análise do material confirma a natureza da lesão.

Como é feito o diagnóstico

Em geral, a suspeita começa em um ultrassom transvaginal, que pode mostrar um espessamento ou uma imagem sugestiva dentro da cavidade uterina. Para confirmar e detalhar o achado, dois exames são especialmente úteis:

  • A histerossonografia (ultrassom com infusão de soro fisiológico), que ajuda a separar pólipos de miomas e a definir melhor o contorno da lesão
  • A histeroscopia diagnóstica, considerada o padrão-ouro, porque permite enxergar o pólipo diretamente, avaliando seu tamanho, sua localização e suas características

Na histeroscopia, um aparelho fino com uma microcâmera é introduzido pelo colo do útero, sem cortes na pele, e o interior da cavidade é visualizado em tempo real. Esse mesmo exame também identifica outras alterações, como miomas submucosos (que crescem para dentro da cavidade) e sinequias (aderências, ou cicatrizes internas).

Retirada do pólipo endometrial por histeroscopia (polipectomia)

Quando há indicação de retirada, a histeroscopia cirúrgica permite remover o pólipo sob visão direta — procedimento chamado de polipectomia. A remoção visualizada é preferível aos métodos "às cegas", como a antiga curetagem, porque é mais precisa e completa. O material retirado costuma ser enviado para análise anatomopatológica, que confirma a natureza benigna na grande maioria dos casos.

Nem todo pólipo precisa ser retirado de imediato. As principais indicações de tratamento incluem sangramento anormal, presença em mulheres na pós-menopausa, pólipos maiores e situações de infertilidade ou perdas gestacionais de repetição. Em pólipos pequenos e sem sintomas, especialmente antes da menopausa, o médico pode optar por acompanhamento, já que parte deles pode regredir espontaneamente. A decisão é sempre individual.

Sobre a anestesia, há diferentes possibilidades, conforme o caso e o serviço: desde a histeroscopia ambulatorial (com pouco ou nenhum desconforto, às vezes com anestésico local) até procedimentos realizados em centro cirúrgico com sedação ou anestesia geral. A recuperação costuma ser rápida: muitas mulheres retomam as atividades no mesmo dia ou no dia seguinte, podendo apresentar cólicas leves e um pequeno sangramento ou borra por alguns dias.

Como todo procedimento, a histeroscopia tem riscos, embora baixos. Os mais citados são dor ou desconforto, sangramento, infecção e, raramente, perfuração uterina (incomum, em geral abaixo de 1% nas histeroscopias diagnósticas, e um pouco mais frequente quando há retirada de pólipo ou mioma no mesmo tempo). Vale saber também que os pólipos podem recidivar ao longo do tempo, por isso o acompanhamento continua importante.

Se você tem notado sangramentos fora do esperado, fluxos irregulares ou recebeu o achado de um pólipo em um exame, saiba que há caminhos seguros e bem estabelecidos para investigar e tratar. O mais importante é não enfrentar isso sozinha: uma avaliação cuidadosa, em consulta, vai esclarecer suas dúvidas e definir, com tranquilidade, a melhor conduta para o seu caso.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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