Sinais de infarto: o que o corpo avisa e como agir rápido

Reconhecer os sinais de infarto e agir rápido salva vidas. Saiba quais sintomas o corpo avisa, o que fazer e quando procurar socorro imediato.

8 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Sinais de infarto: o que o corpo avisa e como agir rápido

Aviso Importante: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde habilitado. Em caso de suspeita de infarto, ligue imediatamente para o SAMU (192).

A cada 90 segundos, uma pessoa morre por doença cardiovascular no Brasil. São aproximadamente 400 mil mortes por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) — uma média de 46 óbitos por hora. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país, superando o câncer, as causas externas e as doenças respiratórias.

O infarto agudo do miocárdio é um dos principais responsáveis por esse número devastador — e o dado mais importante é que muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou suas consequências reduzidas se as pessoas reconhecessem os sinais do infarto e agissem imediatamente. Cada minuto sem tratamento representa mais músculo cardíaco perdido de forma irreversível.

Conhecer os sintomas e saber o que fazer não é apenas curiosidade médica: é uma habilidade que pode salvar uma vida — talvez a sua ou a de alguém que você ama.

Grave este número agora: SAMU 192.

O Que Acontece Durante Um Infarto?

O infarto agudo do miocárdio ocorre quando uma das artérias coronárias — responsáveis por irrigar o músculo cardíaco — é bloqueada, geralmente por um coágulo que se forma sobre uma placa de gordura acumulada na parede do vaso. Sem sangue, o músculo cardíaco para de receber oxigênio e começa a morrer.

O dano é proporcional ao tempo sem tratamento. Nos primeiros minutos, o músculo está em sofrimento mas ainda pode ser salvo. Com o passar das horas, o tecido torna-se necrótico — morto de forma permanente. É por isso que os profissionais de saúde falam em "tempo é músculo": cada minuto conta de forma concreta e irreversível.

O tratamento hospitalar — seja por angioplastia (desobstrução mecânica da artéria) ou por trombolíticos (medicamentos que dissolvem o coágulo) — só pode funcionar se o paciente chegar ao hospital a tempo.

O Sinal Mais Clássico: Desconforto ou Dor no Peito

O sintoma mais frequente e reconhecível do infarto é um desconforto ou dor na região do peito. Segundo o Ministério da Saúde, trata-se de "dor ou desconforto na região peitoral, podendo irradiar para as costas, rosto, braço esquerdo e, raramente, braço direito. Essa dor costuma ser intensa e prolongada, acompanhada de sensação de peso ou aperto sobre o tórax, provocando suor frio, palidez, falta de ar e sensação de desmaio."

Há uma armadilha comum: muitas pessoas esperam por uma dor insuportável e dramática como nos filmes, e quando o desconforto é mais discreto, tendem a esperar para ver se passa. O desconforto pode se apresentar como:

  • Aperto ou pressão no centro ou lado esquerdo do peito;
  • Queimação que pode ser confundida com azia ou refluxo;
  • Peso sobre o tórax, como se algo estivesse comprimindo;
  • Dor difusa, difícil de localizar precisamente.

Uma característica importante: a dor de infarto não melhora com mudança de posição — ao contrário de dores musculoesqueléticas — e tende a durar mais de 20 minutos, mesmo em repouso.

Sintomas Que Vão Além do Peito

O infarto não avisa apenas pelo peito. Estruturas nervosas que conectam o coração ao cérebro passam pelo mesmo caminho de outros órgãos, o que explica por que a dor pode ser percebida em regiões distantes. O Hospital Albert Einstein lista entre os principais sintomas de ataque cardíaco:

  • Dor que irradia para o braço esquerdo (ou ambos os braços);
  • Dor no pescoço, mandíbula ou dentes — muitas pessoas relatam dor de dente que não cede;
  • Dor nas costas, especialmente na região superior;
  • Dor ou desconforto no estômago (pode imitar gastrite);
  • Falta de ar — com ou sem dor no peito;
  • Suor frio e palidez — o organismo em estado de choque;
  • Náusea ou vômito;
  • Tontura, sensação de cabeça vazia ou desmaio;
  • Cansaço extremo e incomum, especialmente nas horas ou dias precedentes.

O Einstein alerta que esses sintomas "podem começar de forma leve ou intermitente" e que "nem sempre os sintomas ocorrem ao mesmo tempo."

Infarto na Mulher: Sinais Que Podem Passar Despercebidos

Por décadas, o infarto foi tratado como um problema predominantemente masculino. Essa percepção equivocada teve consequências graves: mulheres demoravam mais para buscar atendimento e tinham piores desfechos. Hoje sabemos que as doenças cardiovasculares são também uma das principais causas de morte entre mulheres.

Embora a dor no peito seja o sintoma mais comum em ambos os sexos, as mulheres têm mais probabilidade de apresentar sintomas atípicos como manifestação principal ou única:

  • Fadiga extrema e inexplicável, especialmente nos dias anteriores ao evento;
  • Náusea ou vômito sem causa aparente;
  • Dor nas costas, especialmente na parte superior, irradiando para a mandíbula;
  • Falta de ar desproporcional a qualquer esforço;
  • Palpitações, tontura e desmaio;
  • Indigestão que não melhora com antiácidos.

O cardiologista do Hospital Águas Claras alerta que essa apresentação atípica "dificulta a identificação, retarda o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento, aumentando o risco de complicações."

Populações com Apresentações Diferentes

Além das mulheres, outros grupos podem ter apresentações menos típicas:

Idosos: O Ministério da Saúde destaca que em idosos "o principal sintoma do infarto agudo do miocárdio pode ser a falta de ar" e que a dor pode ser menos intensa ou ausente.

Diabéticos: A neuropatia diabética pode bloquear a percepção de dor cardíaca. Segundo o Ministério da Saúde, "nos diabéticos e idosos, o infarto também pode ocorrer sem sinais específicos. Por isso, deve-se estar atento a qualquer mal-estar súbito."

O Que Fazer Imediatamente Diante da Suspeita

A regra de ouro é simples e absoluta: não espere para ver se melhora. Aja agora.

  1. Ligue para o SAMU (192) imediatamente. O SAMU envia unidade equipada com profissionais treinados que podem iniciar o tratamento ainda na ambulância — o que muda concretamente os desfechos;
  2. Não dirija nem deixe a pessoa dirigir até o hospital. Aguarde o socorro;
  3. Pare qualquer esforço físico imediatamente. Sente-se ou deite-se em posição confortável;
  4. Afrouxe roupas apertadas para facilitar a respiração;
  5. Mantenha a pessoa acordada e acompanhada o tempo todo;
  6. Siga rigorosamente as orientações do atendente do SAMU — inclusive sobre qualquer medicação. Não se automedique;
  7. Se a pessoa perder a consciência e parar de respirar, o atendente do SAMU pode orientar a realizar massagem cardíaca (RCP).

Por Que Cada Minuto Literalmente Importa

Quanto mais rápido o paciente chega ao hospital e recebe o tratamento de reperfusão (reabrir a artéria obstruída), menor a área de músculo cardíaco que morre, menor a perda de função do coração e menores as chances de complicações como insuficiência cardíaca crônica, arritmias e morte.

O ideal é que o tratamento seja iniciado em menos de 90 minutos após o início dos sintomas ("tempo porta-balão"). Para isso, é preciso que a pessoa não hesite ao perceber os sintomas. O maior inimigo no infarto não é a falta de tratamento disponível — é a demora em pedi-lo.

Prevenção: Cuidar do Coração Antes da Crise

A prevenção cardiovascular começa muito antes de qualquer sintoma. Os principais fatores de risco modificáveis incluem:

  • Hipertensão arterial — controlar com medicação, dieta e exercício;
  • Colesterol elevado — dieta e, quando necessário, medicação;
  • Diabetes mellitus — controle glicêmico rigoroso;
  • Tabagismo — o risco cardíaco cai dramaticamente após a cessação;
  • Sedentarismo — 150 minutos de atividade física moderada por semana reduz significativamente o risco;
  • Obesidade abdominal — especialmente associada ao risco cardiometabólico;
  • Estresse crônico — manejo com técnicas de relaxamento e suporte psicológico quando necessário.

O acompanhamento médico regular — com checagem de pressão, exames de sangue e avaliação cardiovascular — é a única forma de identificar e controlar esses fatores antes que causem dano.

Perguntas Frequentes

Toda dor no peito é infarto?
Não. A dor no peito tem muitas causas — musculares, digestivas, pulmonares, de ansiedade. Mas como o infarto é grave e pode ser de difícil distinção, qualquer dor intensa, prolongada ou acompanhada de outros sintomas deve ser avaliada com urgência. Na dúvida, ligue 192.

Ansiedade pode causar sintomas parecidos com infarto?
Sim. Crises de ansiedade e ataques de pânico podem causar dor no peito, falta de ar e palpitações. Justamente por isso, na dúvida, é mais seguro buscar avaliação do que tentar diagnosticar sozinho.

Posso tomar algum remédio por conta própria?
Não se automedique. Orientações sobre medicamentos devem ser fornecidas pelo atendente do SAMU, pois dependem do quadro clínico individual. Ligue 192 e siga as instruções.

Infarto silencioso existe?
Sim. Ocorre quando o infarto se manifesta com sintomas muito leves ou imperceptíveis, sendo descoberto às vezes em exames de rotina. É mais comum em diabéticos e idosos. O acompanhamento médico regular é a melhor proteção.

Qual a diferença entre infarto e AVC?
O infarto afeta o coração (obstrução das artérias coronárias), enquanto o AVC afeta o cérebro (obstrução ou ruptura de vasos cerebrais). Ambos são emergências que requerem atendimento imediato pelo SAMU (192).

Referências

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Doenças cardiovasculares matam mais de 400 mil por ano no Brasil. Disponível em: cardiologia.org.br
  • Ministério da Saúde. Infarto — Saúde de A a Z. Disponível em: gov.br/saude
  • Agência Brasil / EBC. Doenças cardiovasculares matam 400 mil brasileiros por ano. Setembro 2024. Disponível em: agenciabrasil.ebc.com.br
  • Hospital Albert Einstein. Como reconhecer sintomas de um ataque cardíaco. Outubro 2024. Disponível em: einstein.br
  • Hospital Águas Claras. Sintomas de infarto feminino: entenda os primeiros sinais. Janeiro 2023. Disponível em: hospitalaguasclaras.com.br
  • Tua Saúde. 10 sintomas de infarto (e quando ir ao médico). Disponível em: tuasaude.com
  • Divina Providência / Hospital Estrela. Setembro Vermelho: doenças cardíacas são a principal causa de morte no Brasil. 2025.

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Dr. Henrique Stachon

Sobre o autor

Dr. Henrique StachonCirurgião e Médico Integrativo · CRM-PR 25.899 · RQE 2.105

O Dr. Henrique Stachon é cirurgião geral e médico integrativo, com mais de 15 anos de experiência. Formado pela Universidade Federal do Paraná, é especialista em Medicina Integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein e mestre em Biotecnologia Industrial. A medicina integrativa é o centro de sua prática: tratar a pessoa de forma completa, cuidando não apenas da doença, mas da manutenção da saúde, da saúde mental e da prevenção. Cada paciente recebe um plano de cuidado personalizado, que integra a medicina convencional a hábitos de vida, nutrição e bem-estar. Como cirurgião, é especialista em videolaparoscopia avançada desde 2012, realizando procedimentos minimamente invasivos, como a retirada da vesícula (colecistectomia), e tratando doenças do trato gastrointestinal. Também realiza pequenos procedimentos em consultório com técnicas a laser — como o tratamento de unha encravada, a remoção de cistos, lipomas e pintas e a correção do lóbulo da orelha —, que proporcionam mais precisão e recuperação mais rápida. É professor do curso de Medicina da Faculdade Pequeno Príncipe e preceptor de residência médica em cirurgia geral.

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