Autoexame das mamas: como fazer e o que observar

Aprenda a observar e palpar as mamas, o que é normal e quais alterações merecem avaliação. O autoexame não substitui a mamografia. Mastologia em Curitiba.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Aquarela de mulher observando a região das mamas diante do espelho.

Conhecer as próprias mamas é uma das formas mais simples de participar ativamente do cuidado com a saúde. O autoexame não substitui a mamografia nem a consulta com o mastologista, e as recomendações da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) preferem falar em autoconhecimento das mamas em vez de uma técnica rígida e mensal. Ainda assim, saber como observar e palpar as mamas com atenção ajuda a perceber mudanças precocemente e a buscar avaliação no momento certo. Este texto explica qual é o papel real do autoexame, quando e como fazê-lo, o que é considerado normal, quais alterações merecem atenção e o que fazer ao encontrar algo diferente.

O que o autoexame é e o que ele não é

Durante décadas, o autoexame mensal foi divulgado como a principal ferramenta de prevenção do câncer de mama. Estudos amplos mostraram, porém, que ele, sozinho, não reduz a mortalidade pela doença, pois os tumores detectados pela palpação já costumam ter um tamanho maior do que os encontrados pela mamografia. Por isso, as sociedades médicas passaram a recomendar o autoconhecimento: a mulher que conhece a textura, o formato e as variações normais das suas mamas percebe com mais facilidade quando algo muda.

O rastreamento, ou seja, a busca do câncer antes de qualquer sintoma, continua sendo feito pela mamografia, complementada pelo ultrassom quando indicado, e pelo exame clínico realizado na consulta. A Sociedade Brasileira de Mastologia, em conjunto com o Colégio Brasileiro de Radiologia e a FEBRASGO, recomenda a mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres sem fatores de risco adicionais; quem tem histórico familiar de câncer de mama ou outros fatores de risco pode precisar começar antes, conforme a avaliação do mastologista. O autoexame é um aliado dessa rotina, não um substituto.

Quando fazer

Para mulheres que menstruam, o melhor momento é entre o quinto e o décimo dia após o início da menstruação, quando as mamas estão menos inchadas e sensíveis. Fora desse período, a ação hormonal pode deixá-las mais nodulares e doloridas, o que gera falsos alarmes.

Após a menopausa, ou para quem usa métodos que suspendem a menstruação, vale escolher uma data fixa a cada mês. O importante não é a regularidade rígida, e sim a familiaridade: observar e tocar as mamas de tempos em tempos, com calma, sem transformar o gesto em fonte de ansiedade.

Passo a passo

A observação e a palpação podem ser feitas em poucos minutos, seguindo três etapas:

  • Diante do espelho: com os braços ao lado do corpo, depois levantados acima da cabeça e, por fim, com as mãos na cintura pressionando levemente, observar o contorno das mamas, a pele e os mamilos, procurando assimetrias novas, retrações, abaulamentos ou alterações na pele.
  • Em pé, de preferência no banho: com a pele molhada e ensaboada, a mão desliza com mais facilidade. Usando as polpas dos três dedos do meio da mão oposta, percorrer toda a mama com movimentos circulares, em pressão leve, média e mais profunda, sem esquecer a região próxima à axila e a área acima da mama.
  • Deitada: com uma almofada sob o ombro do lado examinado e o braço atrás da cabeça, o tecido mamário se espalha sobre o tórax e fica mais fácil de palpar. Repetir os movimentos circulares cobrindo toda a mama e pressionar suavemente o mamilo para verificar se há saída de secreção.

O que é normal encontrar

As mamas não são homogêneas. É comum sentir áreas mais densas ou granulosas, sobretudo na parte superior e externa, próxima à axila, e essa textura pode variar ao longo do ciclo menstrual. Dor e sensibilidade nos dias que antecedem a menstruação também são frequentes e, na maioria das vezes, benignas.

A regra prática é comparar: uma mama com a outra e a mama de hoje com a de meses atrás. Uma característica presente em ambos os lados, estável ao longo do tempo, tende a ser uma variação normal.

Alterações que merecem avaliação

Alguns achados devem ser comunicados ao mastologista, mesmo que não causem dor:

  • Nódulo ou caroço novo, especialmente se endurecido, com bordas irregulares ou fixo aos tecidos ao redor.
  • Espessamento ou área mais firme que não existia antes e que persiste após a menstruação.
  • Retração da pele ou do mamilo, ou mamilo que passou a ficar invertido recentemente.
  • Alterações na pele, como vermelhidão, aspecto de casca de laranja, feridas ou descamação persistente na aréola.
  • Secreção pelo mamilo que sai de forma espontânea, principalmente se for de um único lado, clara como água ou com sangue.
  • Mudança recente no tamanho ou no formato de uma das mamas.
  • Caroço ou inchaço na axila.

Encontrei algo diferente: e agora?

A primeira orientação é manter a calma. A grande maioria das alterações palpáveis nas mamas corresponde a condições benignas, como cistos, fibroadenomas e alterações fibrocísticas. Ainda assim, nenhuma delas deve ser interpretada por conta própria nem acompanhada apenas pela observação.

O ideal é agendar uma consulta com o mastologista, que fará o exame clínico e definirá quais exames de imagem são necessários. Em algumas situações, uma punção guiada por ultrassom esclarece o diagnóstico de forma rápida e pouco invasiva. Em Curitiba, a equipe da Femi Saúde realiza essa avaliação de forma integrada, com exame clínico e ultrassonografia no mesmo ambiente.

O autoexame dentro de uma rotina completa

Conhecer as mamas é um gesto de cuidado que vale para todas as idades, mas ele funciona melhor como parte de uma rotina que inclui a consulta periódica com o mastologista e a mamografia de rastreamento anual a partir dos 40 anos, como orienta a Sociedade Brasileira de Mastologia, ou mais cedo quando há fatores de risco, considerando seu histórico pessoal e familiar. Mulheres com parentes próximos que tiveram câncer de mama ou de ovário podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, e essa definição é feita em consulta.

O objetivo do autoexame não é diagnosticar, e sim perceber. Quem observa as próprias mamas com atenção e sem medo ganha um aliado importante para procurar ajuda no momento certo.

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Dra. Vanessa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Vanessa AmorosoGinecologista e Mastologista · CRM-PR 29.243 · RQE 18.893

A Dra. Vanessa Amoroso é ginecologista e mastologista e Diretora Médica da Clínica Femi Saúde. Sua abordagem é completa e acolhedora: acompanha a saúde da mulher com consultas de rotina, exames preventivos e aconselhamento sobre métodos anticoncepcionais, como DIU e implantes. É especialista em estética íntima e ginecologia regenerativa, que utiliza tecnologias modernas para restaurar e revitalizar a saúde vaginal. Realiza tratamentos com laser e radiofrequência e cirurgias íntimas que devolvem conforto e autoestima, e trata a incontinência urinária de forma eficaz e minimamente invasiva. Na ginecologia endócrina, oferece suporte para questões hormonais, como menopausa e síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), e acompanha questões de sexualidade, ajudando a melhorar a qualidade de vida em todas as fases. Na mastologia, dedica-se à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de condições como nódulos, cistos e dores mamárias, incluindo cirurgias de reconstrução mamária — sempre com o objetivo de devolver às pacientes não apenas a saúde, mas também a confiança e o bem-estar.

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