Endometriose profunda: o que é, sintomas e como é tratada

Entenda o que é endometriose profunda, quais sintomas causa, como é diagnosticada e quando a cirurgia é indicada. Orientações da Femi Saúde, em Curitiba.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração editorial de mulher com desconforto pélvico e formas sobrepostas ao fundo.

A endometriose é uma doença crônica em que um tecido semelhante ao endométrio, a camada que reveste o útero por dentro, cresce fora dele. Quando esses focos invadem mais de 5 milímetros abaixo da superfície do peritônio e atingem estruturas como intestino, bexiga, ligamentos uterossacros ou o septo entre a vagina e o reto, fala-se em endometriose profunda. É a forma mais associada a dor intensa e a maior impacto na qualidade de vida. Este artigo explica como a doença se manifesta, como o diagnóstico é feito e quais caminhos de tratamento existem hoje, do controle hormonal à cirurgia minimamente invasiva.

O que é endometriose profunda

A endometriose costuma ser classificada em três apresentações principais: a superficial, com pequenas lesões no peritônio; o endometrioma, o cisto de conteúdo achocolatado no ovário; e a profunda, em que as lesões formam nódulos fibrosos que infiltram órgãos e ligamentos. Uma mesma mulher pode apresentar mais de um tipo ao mesmo tempo.

Os locais mais frequentes da forma profunda são os ligamentos uterossacros, a região retrocervical, o septo retovaginal, o reto e o sigmoide, a bexiga e os ureteres. Como esses nódulos provocam inflamação e aderências, os órgãos pélvicos podem ficar "colados" entre si, o que explica a dor persistente e alguns sintomas intestinais e urinários.

A causa exata ainda não está totalmente esclarecida. A teoria mais aceita envolve a menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual reflui pelas trompas para a cavidade pélvica, somada a fatores genéticos, imunológicos e hormonais que permitem que esse tecido se implante e cresça.

Sintomas que merecem atenção

O sintoma central é a dor pélvica, que pode assumir diferentes formas:

  • Cólica menstrual intensa, que piora com os anos e não melhora com analgésicos comuns
  • Dor durante ou após a relação sexual, sobretudo na penetração profunda
  • Dor ao evacuar, diarreia, constipação ou sangramento nas fezes durante a menstruação
  • Dor ou ardência ao urinar e, mais raramente, sangue na urina no período menstrual
  • Dor pélvica fora do período menstrual, que se torna contínua com o tempo

Fadiga crônica, distensão abdominal e dificuldade para engravidar também fazem parte do quadro em muitas mulheres. Vale lembrar que a intensidade da dor nem sempre acompanha a extensão da doença: há casos extensos com poucos sintomas e lesões pequenas que causam grande sofrimento.

Como o diagnóstico é feito

O ponto de partida é uma consulta detalhada, com atenção à história menstrual, ao padrão da dor e aos sintomas intestinais e urinários. O exame ginecológico pode identificar nódulos dolorosos ao toque, especialmente na região posterior do colo do útero.

Os exames de imagem confirmam e mapeiam as lesões. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal, realizado por profissional treinado em endometriose, é hoje o exame de primeira linha e consegue localizar nódulos no intestino, na bexiga e nos ligamentos. A ressonância magnética da pelve complementa a avaliação em casos complexos ou quando há dúvida sobre o comprometimento de órgãos.

Esse mapeamento é essencial porque orienta a escolha do tratamento e, quando a cirurgia é indicada, permite planejá-la com precisão. Segundo a FEBRASGO, o diagnóstico da endometriose não depende mais da laparoscopia, o que evita cirurgias apenas para investigação.

Tratamento clínico: quando os medicamentos são suficientes

Para muitas mulheres, o primeiro passo é o tratamento hormonal, que reduz a atividade dos focos e alivia a dor. As opções incluem progestagênios contínuos, pílulas combinadas, DIU hormonal e, em situações específicas, medicamentos que bloqueiam temporariamente a produção de estrogênio. A escolha leva em conta a intensidade dos sintomas, o desejo de gestação, o perfil de efeitos colaterais e as preferências da paciente.

O manejo da dor pode incluir anti-inflamatórios, fisioterapia pélvica para relaxar a musculatura do assoalho pélvico, que costuma ficar contraída de forma crônica, e acompanhamento psicológico quando a dor afeta o humor e os relacionamentos. Hábitos como atividade física regular e sono adequado ajudam a modular a inflamação e a percepção da dor.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é considerada quando a dor não responde ao tratamento clínico, quando há comprometimento de órgãos como intestino ou ureter, quando existe infertilidade associada às lesões ou quando a mulher não deseja ou não pode usar hormônios. Em endometriose profunda, o objetivo é remover todas as lesões visíveis, preservando os órgãos e a fertilidade sempre que possível.

O procedimento é feito por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, com pequenas incisões no abdômen, o que reduz a dor pós-operatória, o tempo de internação e o risco de aderências. Dependendo da localização das lesões, pode ser necessária uma equipe multidisciplinar, com cirurgião do aparelho digestivo ou urologista. Por isso, a experiência do cirurgião em endometriose faz diferença nos resultados. Em Curitiba, a equipe de ginecologia da Femi Saúde conta com o Dr. Igor Chiminacio, cirurgião dedicado ao tratamento da endometriose por técnicas minimamente invasivas.

Vida após o tratamento

A endometriose é uma condição crônica, e o acompanhamento continua após a cirurgia ou o início dos medicamentos. Na maioria dos casos, recomenda-se manter algum tratamento hormonal para reduzir a chance de recidiva, exceto quando há desejo imediato de gestação. Consultas regulares permitem ajustar a estratégia conforme a fase da vida.

Com diagnóstico precoce e um plano de cuidado individualizado, a maioria das mulheres consegue controlar a dor, retomar as atividades e planejar a maternidade com mais segurança. Buscar avaliação diante de cólicas incapacitantes, dor na relação ou sintomas intestinais cíclicos é o primeiro passo para encurtar o tempo até o diagnóstico, que ainda leva anos em muitos casos.

Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Ginecologia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

Tags:

#endometriose profunda #sintomas de endometriose #cirurgia de endometriose #endometriose Curitiba
Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

Compartilhar este artigo:

FacebookWhatsApp

Gostou do artigo?

Agende uma consulta e descubra como podemos cuidar da sua saúde com excelência e carinho.