Fissura anal: sintomas, causas e tratamento

Fissura anal é um corte no ânus que causa dor intensa ao evacuar e sangramento. Entenda as causas, a diferença para hemorroida e os tratamentos, da pomada à cirurgia.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Água, aveia, pera e pão integral representam hidratação e fibras na rotina alimentar.

Uma dor intensa, em queimação ou "como se fosse um caco de vidro" ao evacuar, que continua por minutos ou horas depois, com um pouco de sangue vivo no papel higiênico: esse é o quadro típico da fissura anal. Muitas pessoas acham que é hemorroida, mas não é — e o tratamento também é diferente. Entenda o que é a fissura anal, por que ela demora a cicatrizar e quais são as opções de tratamento.

O que é fissura anal

A fissura anal é um pequeno corte ou rachadura na pele fina que reveste o canal anal. Ela costuma aparecer na linha média, na parte de trás do ânus, e pode surgir em qualquer idade — inclusive após o parto.

Fissura aguda x crônica

  • Fissura aguda: é recente (menos de 6 a 8 semanas), parece um corte superficial e, na maioria das vezes, cicatriza com medidas clínicas.
  • Fissura crônica: dura mais tempo, fica mais profunda e pode vir acompanhada de uma pequena pele saliente na borda do ânus (plicoma sentinela) e de uma papila aumentada dentro do canal. É mais difícil de cicatrizar sozinha.

Sintomas

  • Dor intensa durante e após evacuar, que pode durar de minutos a horas
  • Sangue vermelho vivo no papel higiênico ou nas fezes, geralmente em pequena quantidade
  • Ardência ou queimação
  • Medo de evacuar, que leva a segurar as fezes — o que piora o problema
  • Coceira ou pequena saliência na borda do ânus, nos casos crônicos

Fissura ou hemorroida?

A principal diferença é a dor: na hemorroida interna, o sangramento costuma ser sem dor; na fissura, a dor ao evacuar é o sintoma principal. As duas condições podem, inclusive, aparecer juntas. Saiba mais em hemorroida interna e externa: sintomas e tratamentos.

Por que a fissura aparece e demora a cicatrizar

A causa mais comum é a passagem de fezes endurecidas e volumosas, em quem tem intestino preso. Episódios de diarreia e o parto também podem provocar a lesão.

O que dificulta a cicatrização é um ciclo conhecido: a dor provoca um espasmo do músculo do esfíncter anal, que fica contraído. Esse espasmo reduz o fluxo de sangue no local e aumenta a dor na próxima evacuação — e a ferida não fecha. O tratamento busca justamente quebrar esse ciclo.

Tratamento

Medidas clínicas (primeira escolha)

A maior parte das fissuras agudas cicatriza com:

  • Fibras na alimentação e, se necessário, suplementos de fibras orientados pelo médico
  • Boa hidratação, para deixar as fezes macias
  • Banhos de assento com água morna, que relaxam o esfíncter e aliviam a dor
  • Não segurar a vontade de evacuar e evitar esforço
  • Analgésicos, conforme orientação

Pomadas que relaxam o esfíncter

Quando as medidas iniciais não bastam, o coloproctologista pode prescrever pomadas que relaxam o músculo do esfíncter e melhoram o fluxo de sangue, como as de diltiazem ou de nitroglicerina, em geral manipuladas e usadas por algumas semanas. Anestésicos tópicos podem ajudar no alívio da dor.

Toxina botulínica

A aplicação de toxina botulínica no esfíncter provoca um relaxamento temporário do músculo, favorecendo a cicatrização. É uma opção para fissuras que não responderam às pomadas.

Cirurgia

Para fissuras crônicas que não cicatrizam com os tratamentos clínicos, a cirurgia mais indicada é a esfincterotomia lateral interna: um pequeno corte controlado em parte do músculo, que alivia o espasmo. Tem altas taxas de cicatrização e a dor costuma melhorar rapidamente. A decisão leva em conta os riscos, como alterações leves na continência para gases, que são discutidos com cada paciente. Em alguns casos, retira-se também o plicoma sentinela.

Fissura anal no pós-parto

O parto e o intestino preso comuns no puerpério tornam a fissura frequente nesse período. O tratamento prioriza fibras, água, banhos de assento e medicamentos compatíveis com a amamentação, sempre com orientação médica.

Quando investigar outras causas

Fissuras em localização diferente da habitual, múltiplas, muito grandes ou que não cicatrizam podem estar associadas a outras condições, como doença de Crohn e infecções. Por isso, a avaliação com o coloproctologista é importante — especialmente se houver diarreia crônica, perda de peso ou outros sintomas.

Como prevenir

  • Manter uma alimentação rica em fibras e beber água ao longo do dia
  • Não adiar a ida ao banheiro
  • Evitar ficar muito tempo sentado no vaso e fazer força
  • Tratar a diarreia e o intestino preso com orientação

A fissura anal dói muito, mas tem tratamento — e, na maioria das vezes, sem cirurgia. Se você sente dor forte ao evacuar ou nota sangue com frequência, procure um coloproctologista: o diagnóstico é simples e o alívio pode vir rápido.

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Tags:

#fissura anal #dor ao evacuar #sangue nas fezes #coloproctologia
Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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