Hemorroida interna e externa: sintomas e tratamentos

Hemorroida é muito comum e tem tratamento. Veja a diferença entre interna e externa, os sintomas, o que ajuda em casa, quando procurar o coloproctologista e as opções de tratamento.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Mulher conversa com uma médica sobre sintomas intestinais e possibilidades de tratamento.

A hemorroida é uma das queixas mais comuns da população — e também uma das que mais se deixa para depois, por vergonha. Sangue no papel higiênico, coceira, um "caroço" no ânus ou dor ao evacuar fazem parte da rotina de muitas pessoas, especialmente das mulheres durante a gravidez e após o parto. A boa notícia é que existe tratamento para todos os graus, e a maioria dos casos melhora com medidas simples. Entenda a diferença entre hemorroida interna e externa, os sintomas e as opções de tratamento.

O que são hemorroidas

Todos nós temos hemorroidas: são estruturas normais, formadas por vasos sanguíneos e tecido de sustentação, que ficam no canal anal e ajudam no controle das fezes e dos gases. O problema — chamado de doença hemorroidária — começa quando essas estruturas dilatam, inflamam ou saem do lugar, causando sintomas.

Hemorroida interna x externa

  • Hemorroida interna: fica dentro do canal anal, em uma região com pouca sensibilidade à dor. O sintoma mais comum é o sangramento sem dor, de sangue vermelho vivo. Pode também prolapsar (sair pelo ânus) durante a evacuação.
  • Hemorroida externa: fica na borda do ânus, sob a pele, em uma região muito sensível. Causa desconforto, coceira e dificuldade de higiene. Quando se forma um coágulo dentro dela (trombose hemorroidária), surge um caroço roxo e muito dolorido.

Graus da hemorroida interna

As hemorroidas internas são classificadas conforme o prolapso:

  • Grau I: não saem do canal anal; podem sangrar
  • Grau II: saem durante a evacuação e voltam sozinhas
  • Grau III: saem e precisam ser empurradas de volta com o dedo
  • Grau IV: ficam permanentemente para fora

A classificação ajuda a definir o tratamento mais adequado.

Sintomas

  • Sangue vermelho vivo no papel higiênico, nas fezes ou no vaso
  • Caroço ou saliência na borda do ânus
  • Coceira e irritação na região
  • Sensação de evacuação incompleta ou de "algo saindo"
  • Saída de muco
  • Dor intensa, principalmente quando há trombose

Se a dor for muito forte durante e após evacuar, especialmente com sangramento, pode se tratar de uma fissura anal — veja fissura anal: sintomas e tratamento.

Causas e fatores de risco

  • Intestino preso e esforço para evacuar
  • Ficar muito tempo sentado no vaso, inclusive usando o celular
  • Diarreia frequente
  • Dieta pobre em fibras e baixa ingestão de água
  • Gravidez e parto, pelo aumento da pressão no abdome e das alterações hormonais
  • Sobrepeso, sedentarismo e levantamento de peso frequente

Hemorroida na gravidez e no pós-parto

A gravidez aumenta a pressão sobre as veias da pelve e deixa o intestino mais lento. Por isso, hemorroidas são muito comuns no fim da gestação e após o parto. O tratamento prioriza medidas de alimentação, banhos de assento e pomadas seguras, sempre com orientação médica. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram nos meses seguintes ao parto.

Sangramento nunca deve ser ignorado

Embora a hemorroida seja a causa mais comum de sangue nas fezes, não é a única. Pólipos, doenças inflamatórias do intestino e o câncer colorretal também podem causar sangramento. Procure avaliação — e não assuma que "é só hemorroida" — especialmente se houver:

  • Mudança no hábito intestinal
  • Perda de peso sem explicação
  • Anemia ou cansaço
  • Sangue escuro ou misturado às fezes
  • Histórico familiar de câncer de intestino
  • Idade acima de 45 anos, faixa em que o rastreio do câncer colorretal é recomendado

Tratamento

Medidas do dia a dia (para todos os graus)

  • Fibras: frutas, verduras, legumes, cereais integrais e sementes, com orientação sobre a quantidade
  • Água: boa hidratação para deixar as fezes mais macias
  • Não fazer força e não ficar muito tempo no vaso
  • Banhos de assento com água morna, por 10 a 15 minutos, para aliviar dor e inchaço
  • Higiene delicada, de preferência com água, evitando papel áspero

Medicamentos

Pomadas e medicamentos orais podem aliviar os sintomas por períodos curtos, sempre com orientação médica. Eles aliviam a crise, mas não resolvem a causa.

Procedimentos em consultório

Para hemorroidas internas de grau I a III que não melhoram com as medidas iniciais:

  • Ligadura elástica: um pequeno elástico é colocado na base da hemorroida, que cai em alguns dias. É rápida e muito eficaz.
  • Escleroterapia e fotocoagulação, em casos selecionados

Cirurgia

Indicada principalmente para hemorroidas de grau III e IV, externas volumosas ou quando os outros tratamentos não funcionaram. Existem diferentes técnicas — da hemorroidectomia convencional a técnicas menos invasivas, como a desarterialização e o laser —, escolhidas conforme o caso.

Trombose hemorroidária

Quando há um coágulo recente e muito doloroso, a retirada do trombo com anestesia local nos primeiros dias pode trazer alívio rápido. Depois desse período, o tratamento costuma ser com medidas clínicas.

Quando procurar o coloproctologista

Procure avaliação se houver sangramento, dor, caroço que não melhora, coceira persistente ou se as crises se repetem. O exame é rápido, feito com cuidado e respeito ao seu conforto — e é o caminho para o diagnóstico correto.

Hemorroida tem tratamento, e ninguém precisa conviver com dor ou sangramento por vergonha. Uma consulta com o coloproctologista esclarece a causa dos sintomas e indica a opção mais simples e eficaz para o seu caso.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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