Quem amamenta pode colocar Implanon? Guia do pós-parto

Quem amamenta pode colocar Implanon? Entenda por que o implante é seguro na lactação, se ele interfere no leite e quando colocar no pós-parto.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Mãe sorridente segurando seu bebê recém-nascido no colo em uma sala iluminada e acolhedora, representando o período pós-parto e a amamentação

Escolher um método contraceptivo no pós-parto é uma decisão que envolve dois cuidados ao mesmo tempo: a saúde da mãe e a segurança do bebê que está sendo amamentado. Nessa fase, muitas mulheres se perguntam: quem amamenta pode colocar Implanon? O Implanon NXT é o implante de etonogestrel colocado embaixo da pele do braço, e a resposta, de forma geral, é tranquilizadora: por suas características, ele costuma ser uma opção bem indicada para quem está amamentando. Vamos entender por quê.

Quem amamenta pode colocar Implanon?

Sim. O Implanon NXT contém apenas progestagênio (etonogestrel), sem estrogênio. Isso faz diferença na amamentação, porque os métodos que combinam estrogênio podem, em alguns casos, reduzir a produção de leite, sobretudo no início. Os métodos só de progestagênio, como o implante, são uma opção preferencial no pós-parto justamente por não apresentarem esse efeito sobre a lactação.

Uma pequena quantidade do hormônio passa para o leite materno, mas os estudos disponíveis não mostraram prejuízo ao crescimento e ao desenvolvimento dos bebês amamentados expostos ao etonogestrel. Pesquisas indicam ainda que a inserção do implante não atrasa o início da produção de leite. Por isso, instituições como a FEBRASGO, a OMS e o NHS reconhecem o implante como uma escolha segura para mulheres que amamentam.

O Implanon seca o leite?

Não há evidência de que o Implanon reduza a produção de leite. Por não conter estrogênio, o implante não tem o efeito de diminuir a lactação associado aos métodos combinados, e os estudos que acompanharam mulheres que colocaram o implante no pós-parto não mostraram atraso na "descida" do leite nem redução no tempo de amamentação.

Vale lembrar que a produção de leite varia por muitos motivos — pega do bebê, frequência das mamadas, sono, hidratação e estresse. Se você notar uma queda na produção depois de iniciar qualquer método, converse com a sua médica e com o pediatra: na maioria das vezes, a causa está em outro ponto da rotina de amamentação.

Quando inserir no pós-parto

O momento da inserção é definido em conjunto com a sua médica, considerando o tipo de parto, como está a amamentação e suas preferências. Existem diferentes janelas possíveis:

  • Logo após o parto, ainda durante a internação, uma possibilidade segura e cada vez mais oferecida.
  • Até o 21º dia após o nascimento, situação em que a proteção contra a gravidez já é imediata, sem necessidade de método adicional.
  • A partir do 21º dia ou em qualquer momento depois, desde que haja razoável certeza de que você não está grávida; nesse caso, usa-se preservativo por 7 dias.

Os critérios de elegibilidade da OMS classificam o uso do implante como adequado durante a amamentação, e a FEBRASGO reconhece a segurança dos métodos de longa duração no pós-parto. O importante é que essa decisão seja individualizada na consulta.

Como o implante funciona e por quanto tempo dura

O Implanon NXT libera o etonogestrel de forma contínua e age de duas maneiras: impede a ovulação (a liberação do óvulo pelo ovário) e espessa o muco do colo do útero, dificultando a passagem dos espermatozoides. É um dos métodos mais eficazes que existem, com eficácia acima de 99%, o que ajuda a espaçar uma próxima gravidez com segurança — algo desejável para a recuperação da mãe e o cuidado com o recém-nascido.

A proteção dura até três anos. A eficácia se mantém ao longo desse período independentemente do peso corporal, mas a data da troca deve ser combinada com a sua médica. Toda a praticidade de "colocar e esquecer" combina bem com a rotina intensa de quem está com um bebê pequeno.

O que esperar: sangramento e efeitos

A mudança mais comum é no padrão de sangramento. Com o implante, a menstruação pode se tornar ausente, irregular, mais espaçada, mais frequente ou prolongada. Esse padrão costuma se manter ao longo do uso, e o que acontece nos primeiros meses dá uma ideia de como será dali em diante. Durante a amamentação, muitas mulheres ficam sem menstruar — o que, em geral, não é motivo de preocupação.

Outros efeitos possíveis, normalmente passageiros, incluem dor de cabeça, sensibilidade nas mamas, alterações de humor e acne. O implante não é indicado em algumas situações, como câncer de mama atual ou prévio, doença hepática grave, trombose ou sangramento vaginal de causa não esclarecida — por isso a avaliação médica antes da inserção é essencial.

E quando eu quiser engravidar de novo?

O método é totalmente reversível. Após a retirada do implante, os níveis do hormônio caem rapidamente no organismo e a fertilidade retorna em pouco tempo, com a ovulação podendo voltar já nas primeiras semanas. Ou seja, você mantém o controle sobre o momento de planejar uma nova gestação.

Cada pós-parto é único, e a melhor escolha contraceptiva depende da sua história, do seu corpo e dos seus planos. Se você está amamentando e tem dúvidas sobre o Implanon, leve suas perguntas para a consulta: com uma avaliação cuidadosa, é possível encontrar com tranquilidade o método que melhor cuida de você e do seu bebê nesse momento tão especial.

Quer saber mais sobre Implanon? Conheça o tratamento de Implanon na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

Tags:

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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