Implante anticoncepcional: o que é, como funciona e quanto dura

O implante anticoncepcional de etonogestrel, popularmente chamado de chip, fica no braço e protege contra a gravidez por até 3 anos. Veja como funciona, a eficácia, os efeitos e a diferença para o chip da beleza.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Profissional de saúde apresenta um pequeno bastão de implante contraceptivo durante uma consulta.

O implante anticoncepcional, popularmente chamado de chip anticoncepcional, é um implante contraceptivo subdérmico — no Brasil, o modelo disponível é o Implanon NXT. Ele é um dos métodos mais eficazes que existem para evitar a gravidez e, por ser colocado uma vez e durar anos, ganhou fama de método "coloca e esquece". Mas o apelido gera confusão: muita gente mistura o implante anticoncepcional com o chamado "chip da beleza", que é outra coisa. Vamos esclarecer.

O que é o implante anticoncepcional

É um bastão flexível de cerca de 4 cm de comprimento e 2 mm de espessura, colocado logo abaixo da pele, na face interna do braço não dominante. Ele contém etonogestrel, um hormônio da família da progesterona, que é liberado de forma contínua e em pequenas doses.

Apesar do apelido, o implante não é um chip eletrônico, não emite sinais e não "controla" nada no corpo: o nome popular vem apenas do formato pequeno e da colocação sob a pele. O termo correto é implante anticoncepcional.

Como funciona

O etonogestrel liberado pelo implante age de duas formas principais:

  • Impede a ovulação: sem a liberação do óvulo, não há como ocorrer a fecundação
  • Espessa o muco do colo do útero, dificultando a passagem dos espermatozoides

Por não depender de lembrar de tomar uma pílula ou de usar algo no momento da relação, o implante tem uma eficácia na vida real muito superior à de métodos de uso diário. A taxa de falha é inferior a 1 gravidez a cada 1.000 mulheres por ano de uso.

Quanto tempo dura o implante anticoncepcional

A bula prevê proteção por até 3 anos. Depois desse período, o implante deve ser retirado — e, se você quiser continuar com o método, um novo pode ser colocado no mesmo momento. A fertilidade volta rapidamente após a retirada, em geral nas primeiras semanas. Saiba mais em quando o Implanon começa a fazer efeito e em retirada e fertilidade.

Como é a colocação

A inserção é feita em consultório e leva poucos minutos:

  1. A médica avalia seu histórico e confirma a indicação
  2. Aplica-se anestesia local no braço
  3. O implante é inserido com um aplicador próprio, logo abaixo da pele
  4. A médica confirma, pelo toque, que o implante está no lugar
  5. Faz-se um curativo compressivo por cerca de 24 horas

É comum ficar um pequeno hematoma ou sensibilidade no local por alguns dias. Não há cortes nem pontos. Veja mais em Implanon dói para colocar?.

Vantagens

  • Eficácia superior a 99%
  • Proteção por até 3 anos, sem precisar lembrar de nada
  • Não contém estrogênio — pode ser usado por muitas mulheres que não podem usar pílulas combinadas
  • Compatível com a amamentação
  • Pode reduzir cólicas menstruais em parte das usuárias
  • Totalmente reversível

Efeitos colaterais mais comuns

A principal mudança é no padrão de sangramento, que é imprevisível: algumas mulheres param de menstruar, outras têm sangramentos irregulares, mais espaçados ou mais prolongados. Outros efeitos possíveis incluem acne, dor de cabeça, sensibilidade nas mamas e alterações de humor. Leia o guia completo de efeitos colaterais do Implanon e o texto sobre a dúvida o Implanon engorda?.

Quem não deve usar

O implante anticoncepcional não é indicado em algumas situações, como gravidez confirmada ou suspeita, câncer de mama atual ou prévio, doença hepática grave, trombose ativa e sangramento vaginal sem causa esclarecida. Por isso, a consulta antes da inserção é indispensável.

Implante anticoncepcional x chip da beleza: não confunda

Esse é o ponto que mais gera dúvidas. O implante anticoncepcional (Implanon), o chamado chip anticoncepcional, é um medicamento industrializado, aprovado pela Anvisa para evitar a gravidez, com dose e duração definidas em bula.

O chamado "chip da beleza" é outra coisa: são implantes hormonais, em geral manipulados, que costumam conter gestrinona ou outros hormônios com efeito androgênico, e que ficaram conhecidos pelo uso com finalidade estética. Eles não são anticoncepcionais aprovados e têm riscos próprios. Explicamos tudo em gestrinona e chip da beleza: o que é e quais os riscos.

Quanto custa e onde colocar

O implante anticoncepcional pode ser colocado no atendimento particular, e há situações em que ele é oferecido pelo SUS ou coberto por planos de saúde. Entenda o que compõe o valor do Implanon e conheça o Implanon na Clínica Femi Saúde.

Implante ou DIU?

Os dois são métodos de longa duração, com eficácia semelhante. O DIU fica dentro do útero e pode ser hormonal ou de cobre; o implante fica no braço e dura menos tempo. A escolha depende do seu corpo, do seu padrão menstrual e dos seus planos — veja a comparação em Implanon ou DIU: qual escolher?.

Se você está pensando em usar o implante anticoncepcional, a consulta é o momento de tirar todas as dúvidas, entender o que esperar do sangramento e confirmar se esse é o método certo para a sua fase de vida.

Quer saber mais sobre Implanon? Conheça o tratamento de Implanon na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

Tags:

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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