Implanon ou DIU: qual o melhor método para você?

Compare Implanon e DIU: eficácia, duração, efeitos no ciclo e como escolher o melhor contraceptivo de longa duração.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Médica sorridente de jaleco branco e estetoscópio orienta uma paciente durante consulta, segurando uma prancheta, em ambiente acolhedor de fundo rosa

O implante Implanon e o DIU estão entre os métodos contraceptivos mais eficazes que existem. Ambos fazem parte do grupo dos LARC (do inglês, contraceptivos reversíveis de longa duração), o que significa que, depois de colocados, protegem por anos sem que você precise lembrar de nada no dia a dia. A pergunta que mais ouço em consultório é: "qual é o melhor?". A resposta honesta é que não existe um melhor para todas — existe o mais adequado para o seu corpo, sua rotina e seus objetivos. Vamos entender as diferenças com calma.

O que é cada método

O Implanon NXT é um pequeno bastão flexível (cerca de 4 cm) inserido sob a pele do braço, em consulta, com anestesia local. Ele libera de forma contínua um hormônio progestagênio chamado etonogestrel e protege por até 3 anos.

O DIU é colocado dentro do útero e existe em duas versões:

  • DIU hormonal (levonorgestrel): libera hormônio localmente; a bula brasileira foi atualizada e ele protege por até 8 anos para contracepção (para o tratamento de fluxo intenso, a recomendação segue sendo de até 5 anos).
  • DIU de cobre: não tem hormônio nenhum; age pelo efeito do cobre sobre os espermatozoides e dura até 10 anos.

Todos têm eficácia superior a 99%, com taxas de falha muito baixas — bem menores que as da pílula, justamente porque não dependem do uso correto todos os dias.

Como cada um funciona

O Implanon previne a gravidez principalmente inibindo a ovulação, além de tornar o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides. O DIU hormonal age sobretudo de forma local, espessando o muco e afinando o endométrio, com menor interferência na ovulação. Já o DIU de cobre não usa hormônios: o cobre cria um ambiente que dificulta a mobilidade e a viabilidade dos espermatozoides, prejudicando a fecundação.

Hormônios e fluxo menstrual

Essa costuma ser a parte que mais pesa na decisão.

  • Quem prefere evitar hormônios geralmente se identifica com o DIU de cobre.
  • Quem busca redução do fluxo menstrual tende a se beneficiar do DIU hormonal ou do implante, que costumam diminuir ou suspender a menstruação.

Vale um aviso importante e transparente: o padrão de sangramento pode mudar bastante com métodos só de progestagênio, como o Implanon. Cerca de 1 em cada 5 mulheres fica sem menstruar, enquanto uma parcela parecida pode apresentar sangramentos irregulares, frequentes ou prolongados, principalmente nos primeiros meses. Não é sinal de problema, mas é a principal razão pela qual algumas pacientes decidem trocar de método. Já o DIU de cobre pode, ao contrário, aumentar o fluxo e as cólicas, sobretudo nos primeiros meses.

Efeitos, contraindicações e segurança

Os efeitos adversos mais relatados com o implante incluem alterações no sangramento, dor de cabeça, sensibilidade nas mamas, acne, variações de humor e mudanças de peso. Muitos sintomas tendem a melhorar ao longo dos primeiros meses.

Como o Implanon e o DIU hormonal não contêm estrogênio, costumam ser opções consideradas para mulheres que não podem usar estrogênio — por exemplo, em casos de enxaqueca com aura ou histórico de trombose. Ainda assim, existem contraindicações que precisam ser avaliadas individualmente, como gravidez confirmada ou suspeita, câncer de mama atual ou prévio, doença hepática grave e sangramento vaginal sem causa esclarecida. O DIU de cobre, por sua vez, é uma alternativa para quem deseja contracepção sem qualquer hormônio, mas também tem suas próprias contraindicações. Por isso, a indicação sempre passa por uma avaliação médica que considera seu histórico de saúde.

É importante lembrar que nenhum desses métodos protege contra infecções sexualmente transmissíveis — o preservativo continua necessário para essa finalidade.

E a fertilidade depois?

Uma dúvida muito comum e legítima: ambos são totalmente reversíveis. Após a retirada do implante, o etonogestrel é eliminado rapidamente do organismo (em geral indetectável já na primeira semana) e a fertilidade tende a retornar logo — em estudos, gestações ocorreram já nas primeiras semanas após a remoção. Com o DIU, a fertilidade também volta assim que ele é retirado. Ou seja, escolher um LARC não compromete a sua chance de engravidar no futuro.

A decisão é individual

Não existe um método universalmente melhor — existe o melhor para você, neste momento da sua vida. A escolha leva em conta se você quer ou não hormônios, como prefere lidar com a menstruação, seu histórico de saúde, planos de gestação e até a sua tranquilidade com a inserção no braço ou no útero. Em consulta, conversamos sobre tudo isso com calma, esclarecemos suas dúvidas e indicamos a opção mais adequada para o seu caso. O mais importante é que a decisão seja sua, bem informada e sem pressa.

Quer saber mais sobre Implanon? Conheça o tratamento de Implanon na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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