Retirada do Implanon: como funciona e a fertilidade

Saiba como é feita a retirada do Implanon, se dói e em quanto tempo a fertilidade volta após remover o implante.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Médica em consultório moderno conversa com paciente durante consulta de orientação sobre contracepção

Uma das dúvidas mais comuns no consultório de quem usa ou pensa em usar o Implanon NXT (etonogestrel) é: depois de tirar o implante, em quanto tempo a fertilidade volta? A boa notícia é que esse é um método totalmente reversível. A retirada costuma ser simples e o retorno da capacidade de engravidar é, na maioria das vezes, bastante rápido. Neste texto, explico como funciona a remoção, o que esperar do corpo nas semanas seguintes e quais são as opções para quem deseja continuar se prevenindo.

O que é o Implanon e por quanto tempo dura

O Implanon NXT é um pequeno bastão flexível, com cerca de 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, colocado logo abaixo da pele do braço (via subdérmica). Ele libera de forma contínua o hormônio etonogestrel e protege contra a gravidez por um período de até três anos. Sua eficácia é considerada superior a 99%, uma das mais altas entre os métodos disponíveis, justamente porque não depende de lembrar de tomar nada todos os dias.

Ele age de duas maneiras principais: inibindo a ovulação (impedindo a liberação do óvulo) e alterando o muco do colo do útero, o que dificulta a passagem dos espermatozoides.

Como é feita a retirada

A remoção pode ser feita a qualquer momento — ao completar os três anos ou antes, se você quiser engravidar, trocar de método ou simplesmente parar. O procedimento é realizado no consultório, com anestesia local no braço. Faz-se uma pequena incisão na pele sobre a ponta do implante para retirá-lo.

Em geral, a retirada dura poucos minutos e costuma ser mais rápida e tranquila que a inserção. Como envolve um pequeno corte, é normal sentir um leve desconforto, e pode ficar um curativo, um pequeno hematoma ou sensibilidade local por alguns dias. Complicações são incomuns. Em situações raras, quando o implante foi colocado muito profundo ou é difícil de localizar, pode ser necessário um cuidado adicional para a remoção.

Quando a fertilidade volta

Esse é o ponto que mais tranquiliza minhas pacientes: o etonogestrel sai rápido do organismo. Os níveis do hormônio no sangue tornam-se praticamente indetectáveis em cerca de uma semana após a retirada. Na média, a ovulação retorna por volta de três semanas depois de remover o implante, e a maioria das mulheres volta a ovular dentro de seis semanas. Em estudos, gestações foram observadas já entre 7 e 14 dias após a retirada.

Em outras palavras: o Implanon não causa infertilidade nem atrasa a gravidez futura. Não há evidência de demora no retorno da fertilidade depois da remoção. Por isso, se você quer engravidar, é possível tentar logo nos primeiros ciclos. Uma orientação prática comum é aguardar a primeira menstruação natural após a retirada — isso ajuda a regularizar o ciclo e a estimar melhor a data de uma futura gravidez —, mas não é uma obrigação médica.

Vale lembrar: a fertilidade também depende de fatores individuais, como idade e saúde reprodutiva. O implante em si não é um obstáculo, mas o tempo até a gravidez varia de pessoa para pessoa.

Sangramento e adaptação após a retirada

Durante o uso do Implanon, é esperado que o padrão de sangramento mude: ele pode ficar ausente, irregular, mais espaçado, mais frequente ou prolongado. Cerca de 1 em cada 5 mulheres fica sem menstruar (amenorreia) durante o uso. Após a retirada, o ciclo tende a retomar seu ritmo natural nas semanas seguintes, à medida que a ovulação volta. É comum precisar de um a dois ciclos para o corpo se reorganizar.

E se eu quiser continuar me prevenindo?

Tirar o implante não significa ficar sem proteção. Se você não deseja engravidar, é importante usar outro método a partir do dia da retirada, já que a fertilidade pode voltar rapidamente. Existem boas opções para conversar na consulta:

  • Inserir um novo implante na mesma consulta da retirada, mantendo a proteção contínua;
  • Trocar por outro método, como o DIU (hormonal ou de cobre), pílula, injeção ou métodos de barreira;
  • Fazer uma pausa nos métodos hormonais, especialmente se você deseja engravidar.

Como em qualquer método hormonal, o Implanon tem contraindicações que devem ser avaliadas individualmente — por exemplo, presença ou histórico de trombose (coágulos), doença hepática grave, câncer de mama ou outros tumores sensíveis a hormônios, sangramento vaginal de causa não esclarecida ou gravidez. Por isso, a escolha e a troca de método são sempre decisões compartilhadas com seu médico.

Se você está pensando em retirar o Implanon — seja para engravidar, trocar de método ou por outro motivo — leve suas dúvidas para a consulta. Cada corpo responde de um jeito, e o mais importante é que a decisão seja tomada com informação clara e acompanhamento. Estou aqui para ajudar você a encontrar o caminho mais confortável e seguro para esse momento.

Quer saber mais sobre Implanon? Conheça o tratamento de Implanon na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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