Retirada do Implanon: como funciona e a fertilidade
Saiba como é feita a retirada do Implanon, se dói e em quanto tempo a fertilidade volta após remover o implante.

Uma das dúvidas mais comuns no consultório de quem usa ou pensa em usar o Implanon NXT (etonogestrel) é: depois de tirar o implante, em quanto tempo a fertilidade volta? A boa notícia é que esse é um método totalmente reversível. A retirada costuma ser simples e o retorno da capacidade de engravidar é, na maioria das vezes, bastante rápido. Neste texto, explico como funciona a remoção, o que esperar do corpo nas semanas seguintes e quais são as opções para quem deseja continuar se prevenindo.
O que é o Implanon e por quanto tempo dura
O Implanon NXT é um pequeno bastão flexível, com cerca de 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, colocado logo abaixo da pele do braço (via subdérmica). Ele libera de forma contínua o hormônio etonogestrel e protege contra a gravidez por um período de até três anos. Sua eficácia é considerada superior a 99%, uma das mais altas entre os métodos disponíveis, justamente porque não depende de lembrar de tomar nada todos os dias.
Ele age de duas maneiras principais: inibindo a ovulação (impedindo a liberação do óvulo) e alterando o muco do colo do útero, o que dificulta a passagem dos espermatozoides.
Como é feita a retirada
A remoção pode ser feita a qualquer momento — ao completar os três anos ou antes, se você quiser engravidar, trocar de método ou simplesmente parar. O procedimento é realizado no consultório, com anestesia local no braço. Faz-se uma pequena incisão na pele sobre a ponta do implante para retirá-lo.
Em geral, a retirada dura poucos minutos e costuma ser mais rápida e tranquila que a inserção. Como envolve um pequeno corte, é normal sentir um leve desconforto, e pode ficar um curativo, um pequeno hematoma ou sensibilidade local por alguns dias. Complicações são incomuns. Em situações raras, quando o implante foi colocado muito profundo ou é difícil de localizar, pode ser necessário um cuidado adicional para a remoção.
Quando a fertilidade volta
Esse é o ponto que mais tranquiliza minhas pacientes: o etonogestrel sai rápido do organismo. Os níveis do hormônio no sangue tornam-se praticamente indetectáveis em cerca de uma semana após a retirada. Na média, a ovulação retorna por volta de três semanas depois de remover o implante, e a maioria das mulheres volta a ovular dentro de seis semanas. Em estudos, gestações foram observadas já entre 7 e 14 dias após a retirada.
Em outras palavras: o Implanon não causa infertilidade nem atrasa a gravidez futura. Não há evidência de demora no retorno da fertilidade depois da remoção. Por isso, se você quer engravidar, é possível tentar logo nos primeiros ciclos. Uma orientação prática comum é aguardar a primeira menstruação natural após a retirada — isso ajuda a regularizar o ciclo e a estimar melhor a data de uma futura gravidez —, mas não é uma obrigação médica.
Vale lembrar: a fertilidade também depende de fatores individuais, como idade e saúde reprodutiva. O implante em si não é um obstáculo, mas o tempo até a gravidez varia de pessoa para pessoa.
Sangramento e adaptação após a retirada
Durante o uso do Implanon, é esperado que o padrão de sangramento mude: ele pode ficar ausente, irregular, mais espaçado, mais frequente ou prolongado. Cerca de 1 em cada 5 mulheres fica sem menstruar (amenorreia) durante o uso. Após a retirada, o ciclo tende a retomar seu ritmo natural nas semanas seguintes, à medida que a ovulação volta. É comum precisar de um a dois ciclos para o corpo se reorganizar.
E se eu quiser continuar me prevenindo?
Tirar o implante não significa ficar sem proteção. Se você não deseja engravidar, é importante usar outro método a partir do dia da retirada, já que a fertilidade pode voltar rapidamente. Existem boas opções para conversar na consulta:
- Inserir um novo implante na mesma consulta da retirada, mantendo a proteção contínua;
- Trocar por outro método, como o DIU (hormonal ou de cobre), pílula, injeção ou métodos de barreira;
- Fazer uma pausa nos métodos hormonais, especialmente se você deseja engravidar.
Como em qualquer método hormonal, o Implanon tem contraindicações que devem ser avaliadas individualmente — por exemplo, presença ou histórico de trombose (coágulos), doença hepática grave, câncer de mama ou outros tumores sensíveis a hormônios, sangramento vaginal de causa não esclarecida ou gravidez. Por isso, a escolha e a troca de método são sempre decisões compartilhadas com seu médico.
Se você está pensando em retirar o Implanon — seja para engravidar, trocar de método ou por outro motivo — leve suas dúvidas para a consulta. Cada corpo responde de um jeito, e o mais importante é que a decisão seja tomada com informação clara e acompanhamento. Estou aqui para ajudar você a encontrar o caminho mais confortável e seguro para esse momento.
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