Mioma submucoso: sintomas e retirada por histeroscopia

O mioma submucoso pode causar sangramento intenso e dificultar a gravidez. Veja sintomas, diagnóstico e como é a retirada por histeroscopia.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Médica realizando exame de ultrassom em equipamento moderno enquanto observa o monitor diagnóstico em uma clínica de saúde da mulher

Os miomas uterinos estão entre as condições ginecológicas mais comuns na vida reprodutiva, mas nem todos são iguais e nem todos precisam do mesmo tratamento. A localização do mioma dentro do útero é o que mais influencia tanto os sintomas quanto a forma de tratar. O mioma submucoso — aquele que cresce para dentro da cavidade do útero — é o que mais costuma causar sangramento intenso e, para ele, a histeroscopia costuma ser a melhor abordagem: minimamente invasiva, sem cortes no abdome e com recuperação geralmente rápida. Entenda o que é, quais os sintomas e como é feita a retirada.

O que é mioma submucoso

Miomas (ou leiomiomas) são tumores benignos formados a partir da musculatura do útero. Eles são classificados pela posição em relação à cavidade uterina:

  • Submucosos: crescem para dentro da cavidade do útero, em contato com o endométrio (a camada que descama na menstruação).
  • Intramurais: ficam na espessura da parede muscular.
  • Subserosos: projetam-se para fora, em direção à cavidade abdominal.

Os miomas submucosos ainda são divididos conforme a parte que está dentro da cavidade (classificação da FIGO): tipo 0, totalmente dentro da cavidade, muitas vezes preso por um pedículo; tipo 1, com mais da metade dentro da cavidade; e tipo 2, com metade ou mais na parede muscular. Essa classificação ajuda a planejar o tratamento.

Sintomas do mioma submucoso

Mesmo pequenos, os miomas submucosos costumam dar sintomas, porque deformam o interior do útero. Os mais comuns são:

  • Menstruação muito intensa ou prolongada, às vezes com coágulos
  • Sangramento fora do período menstrual
  • Anemia, com cansaço, fraqueza e falta de ar aos esforços
  • Cólicas mais fortes
  • Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais de repetição, porque o mioma pode prejudicar a implantação do embrião

Por estarem dentro da cavidade, os miomas submucosos são justamente os mais indicados para tratamento por histeroscopia.

Como é feito o diagnóstico

A suspeita costuma surgir no ultrassom transvaginal. Para confirmar e detalhar o achado, podem ser usados a histerossonografia (ultrassom com soro fisiológico dentro do útero) e a histeroscopia diagnóstica.

A histeroscopia usa uma ótica fina, com luz e câmera, introduzida pelo canal vaginal e pelo colo do útero, sem incisões externas. Ela permite visualizar diretamente a cavidade uterina, confirmar a presença do mioma, avaliar tamanho e localização e diferenciá-lo de outras causas de sangramento, como pólipos endometriais ou sinéquias (aderências internas).

Retirada do mioma submucoso por histeroscopia

A histeroscopia cirúrgica é considerada o tratamento de escolha para a maioria dos miomas submucosos que causam sintomas. Por meio de um instrumento chamado ressectoscópio (ou de sistemas de remoção de tecido), o mioma é fragmentado e retirado pela própria via vaginal. A esse procedimento dá-se o nome de miomectomia histeroscópica.

As principais indicações são:

  • Sangramento uterino anormal atribuído ao mioma submucoso.
  • Impacto sobre a fertilidade ou perdas gestacionais de repetição, quando o mioma deforma a cavidade.
  • Tamanho e localização favoráveis: a técnica é mais indicada quando boa parte do mioma está dentro da cavidade (tipos 0 e 1). Miomas maiores (em geral acima de 4 a 5 cm) ou com componente mais profundo na parede (tipo 2) podem exigir mais de um tempo cirúrgico ou outra abordagem.

Muitas vezes o diagnóstico e o tratamento são feitos em momentos diferentes, conforme a complexidade do caso e o planejamento da equipe. A decisão depende sempre de avaliação individual.

Anestesia, preparo e recuperação

A histeroscopia diagnóstica e procedimentos mais simples podem, em muitos serviços, ser feitos em ambiente ambulatorial com anestesia local ou sedação leve. Já a miomectomia histeroscópica geralmente é realizada em centro cirúrgico, com anestesia regional ou geral, porque exige mais tempo e o uso de meios líquidos (em geral soro fisiológico) para distender o útero.

No preparo, o médico revisa o histórico de saúde, exames e medicações em uso. Em alguns casos de miomas maiores ou de sangramento intenso, pode-se considerar medicação prévia (como análogos de GnRH) para reduzir o volume do mioma ou corrigir a anemia antes da cirurgia, sempre a critério médico.

A recuperação costuma ser rápida em comparação com cirurgias abertas. É comum, nos primeiros dias, sentir cólicas leves e ter sangramento ou corrimento que pode durar de poucos dias até cerca de uma semana. A alta no mesmo dia é frequente nos casos sem intercorrências. As orientações pós-procedimento (como evitar relações sexuais, absorventes internos e banhos de imersão por um período) são definidas individualmente pela equipe.

Riscos e cuidados

A histeroscopia é considerada segura, e complicações sérias são incomuns. Ainda assim, como todo procedimento, tem riscos que merecem atenção:

  • Perfuração uterina, a complicação mais associada à histeroscopia cirúrgica, ainda que pouco frequente.
  • Infecção e sangramento.
  • Absorção excessiva do líquido usado para distender o útero, complicação mais relacionada à remoção de miomas, motivo pelo qual o balanço de líquidos é monitorado durante a cirurgia.
  • Efeitos relacionados à anestesia, quando utilizada.

Por isso, esses procedimentos devem ser realizados por equipe experiente e em ambiente adequado.

Se você tem miomas e convive com sangramento intenso, anemia ou dificuldade para engravidar, saiba que existem tratamentos eficazes e cada vez menos invasivos. O caminho mais seguro é uma avaliação cuidadosa, que considere o tipo de mioma, seus sintomas e seus planos. Em consulta, é possível esclarecer suas dúvidas com calma e construir, junto com você, a conduta mais adequada ao seu caso.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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