Mioma submucoso: sintomas e retirada por histeroscopia
O mioma submucoso pode causar sangramento intenso e dificultar a gravidez. Veja sintomas, diagnóstico e como é a retirada por histeroscopia.

Os miomas uterinos estão entre as condições ginecológicas mais comuns na vida reprodutiva, mas nem todos são iguais e nem todos precisam do mesmo tratamento. A localização do mioma dentro do útero é o que mais influencia tanto os sintomas quanto a forma de tratar. O mioma submucoso — aquele que cresce para dentro da cavidade do útero — é o que mais costuma causar sangramento intenso e, para ele, a histeroscopia costuma ser a melhor abordagem: minimamente invasiva, sem cortes no abdome e com recuperação geralmente rápida. Entenda o que é, quais os sintomas e como é feita a retirada.
O que é mioma submucoso
Miomas (ou leiomiomas) são tumores benignos formados a partir da musculatura do útero. Eles são classificados pela posição em relação à cavidade uterina:
- Submucosos: crescem para dentro da cavidade do útero, em contato com o endométrio (a camada que descama na menstruação).
- Intramurais: ficam na espessura da parede muscular.
- Subserosos: projetam-se para fora, em direção à cavidade abdominal.
Os miomas submucosos ainda são divididos conforme a parte que está dentro da cavidade (classificação da FIGO): tipo 0, totalmente dentro da cavidade, muitas vezes preso por um pedículo; tipo 1, com mais da metade dentro da cavidade; e tipo 2, com metade ou mais na parede muscular. Essa classificação ajuda a planejar o tratamento.
Sintomas do mioma submucoso
Mesmo pequenos, os miomas submucosos costumam dar sintomas, porque deformam o interior do útero. Os mais comuns são:
- Menstruação muito intensa ou prolongada, às vezes com coágulos
- Sangramento fora do período menstrual
- Anemia, com cansaço, fraqueza e falta de ar aos esforços
- Cólicas mais fortes
- Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais de repetição, porque o mioma pode prejudicar a implantação do embrião
Por estarem dentro da cavidade, os miomas submucosos são justamente os mais indicados para tratamento por histeroscopia.
Como é feito o diagnóstico
A suspeita costuma surgir no ultrassom transvaginal. Para confirmar e detalhar o achado, podem ser usados a histerossonografia (ultrassom com soro fisiológico dentro do útero) e a histeroscopia diagnóstica.
A histeroscopia usa uma ótica fina, com luz e câmera, introduzida pelo canal vaginal e pelo colo do útero, sem incisões externas. Ela permite visualizar diretamente a cavidade uterina, confirmar a presença do mioma, avaliar tamanho e localização e diferenciá-lo de outras causas de sangramento, como pólipos endometriais ou sinéquias (aderências internas).
Retirada do mioma submucoso por histeroscopia
A histeroscopia cirúrgica é considerada o tratamento de escolha para a maioria dos miomas submucosos que causam sintomas. Por meio de um instrumento chamado ressectoscópio (ou de sistemas de remoção de tecido), o mioma é fragmentado e retirado pela própria via vaginal. A esse procedimento dá-se o nome de miomectomia histeroscópica.
As principais indicações são:
- Sangramento uterino anormal atribuído ao mioma submucoso.
- Impacto sobre a fertilidade ou perdas gestacionais de repetição, quando o mioma deforma a cavidade.
- Tamanho e localização favoráveis: a técnica é mais indicada quando boa parte do mioma está dentro da cavidade (tipos 0 e 1). Miomas maiores (em geral acima de 4 a 5 cm) ou com componente mais profundo na parede (tipo 2) podem exigir mais de um tempo cirúrgico ou outra abordagem.
Muitas vezes o diagnóstico e o tratamento são feitos em momentos diferentes, conforme a complexidade do caso e o planejamento da equipe. A decisão depende sempre de avaliação individual.
Anestesia, preparo e recuperação
A histeroscopia diagnóstica e procedimentos mais simples podem, em muitos serviços, ser feitos em ambiente ambulatorial com anestesia local ou sedação leve. Já a miomectomia histeroscópica geralmente é realizada em centro cirúrgico, com anestesia regional ou geral, porque exige mais tempo e o uso de meios líquidos (em geral soro fisiológico) para distender o útero.
No preparo, o médico revisa o histórico de saúde, exames e medicações em uso. Em alguns casos de miomas maiores ou de sangramento intenso, pode-se considerar medicação prévia (como análogos de GnRH) para reduzir o volume do mioma ou corrigir a anemia antes da cirurgia, sempre a critério médico.
A recuperação costuma ser rápida em comparação com cirurgias abertas. É comum, nos primeiros dias, sentir cólicas leves e ter sangramento ou corrimento que pode durar de poucos dias até cerca de uma semana. A alta no mesmo dia é frequente nos casos sem intercorrências. As orientações pós-procedimento (como evitar relações sexuais, absorventes internos e banhos de imersão por um período) são definidas individualmente pela equipe.
Riscos e cuidados
A histeroscopia é considerada segura, e complicações sérias são incomuns. Ainda assim, como todo procedimento, tem riscos que merecem atenção:
- Perfuração uterina, a complicação mais associada à histeroscopia cirúrgica, ainda que pouco frequente.
- Infecção e sangramento.
- Absorção excessiva do líquido usado para distender o útero, complicação mais relacionada à remoção de miomas, motivo pelo qual o balanço de líquidos é monitorado durante a cirurgia.
- Efeitos relacionados à anestesia, quando utilizada.
Por isso, esses procedimentos devem ser realizados por equipe experiente e em ambiente adequado.
Se você tem miomas e convive com sangramento intenso, anemia ou dificuldade para engravidar, saiba que existem tratamentos eficazes e cada vez menos invasivos. O caminho mais seguro é uma avaliação cuidadosa, que considere o tipo de mioma, seus sintomas e seus planos. Em consulta, é possível esclarecer suas dúvidas com calma e construir, junto com você, a conduta mais adequada ao seu caso.
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