Istmocele: o que é, sintomas e tratamento

Istmocele é um defeito na cicatriz da cesárea, também chamado de nicho. Veja sintomas como o escape após a menstruação, a relação com infertilidade e a correção por histeroscopia.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração de paciente e ginecologista revisando o ciclo e exames após uma cesárea.

Quem já fez cesárea e passou a ter um sangramento marrom que se arrasta por dias depois da menstruação pode estar diante de uma condição ainda pouco conhecida: a istmocele. Ela é um defeito na cicatriz da cesárea, dentro do útero, que muitas vezes não dá sintomas — mas, em algumas mulheres, causa escapes, dor e até dificuldade para engravidar. Entenda o que é, como é diagnosticada e quando é preciso tratar.

O que é istmocele

A istmocele — também chamada de nicho ou defeito da cicatriz de cesárea — é uma pequena falha ou "bolsa" na parede do útero, no local onde foi feita a incisão da cesárea (a região do istmo, entre o corpo do útero e o colo).

Quando essa cicatriz não se fecha de forma completa, forma-se uma cavidade onde o sangue menstrual e secreções podem ficar acumulados, saindo aos poucos depois da menstruação.

É comum?

Sim. Com o grande número de cesáreas realizadas no Brasil, a istmocele é um achado frequente no ultrassom de mulheres que já passaram pela cirurgia. A maioria, porém, não tem sintomas e não precisa de tratamento. O que define a necessidade de tratar são os sintomas e os planos de gravidez.

Fatores que aumentam o risco

  • Mais de uma cesárea
  • Útero em posição retrovertida (inclinado para trás)
  • Cesárea feita em trabalho de parto avançado
  • Aspectos da técnica de sutura e da cicatrização individual
  • Infecção no pós-operatório

Sintomas da istmocele

  • Sangramento de escape ou "borra" marrom que continua por vários dias após o fim da menstruação
  • Menstruação que parece durar mais do que antes da cesárea
  • Dor pélvica ou cólicas
  • Dor na relação sexual
  • Dificuldade para engravidar (infertilidade secundária), porque o sangue e o líquido acumulados podem atrapalhar a implantação do embrião

Muitas mulheres convivem com o sangramento prolongado achando que "o ciclo mudou depois do parto". Se esse é o seu caso e você teve cesárea, vale investigar. Veja também sangramento fora do período menstrual.

Como é feito o diagnóstico

  • Ultrassom transvaginal: é o exame inicial. Mostra a falha na parede anterior do útero e permite medir o tamanho do nicho e a espessura da parede remanescente — a quantidade de músculo que sobrou sobre a falha.
  • Histerossonografia: o ultrassom com soro fisiológico dentro do útero deixa o nicho mais visível e ajuda a medi-lo com precisão.
  • Histeroscopia: permite ver a istmocele por dentro, avaliar o acúmulo de sangue e, em muitos casos, já planejar o tratamento. Saiba mais em histeroscopia: o que é e para que serve.
  • Ressonância magnética: usada em casos selecionados.

Tratamento

Istmocele sem sintomas geralmente não precisa de tratamento. Quando há sintomas, as opções incluem:

Tratamento hormonal

Métodos como a pílula anticoncepcional ou o DIU hormonal podem reduzir o sangramento e os escapes. É uma opção para quem não deseja engravidar no momento.

Correção por histeroscopia (istmoplastia)

Pela histeroscopia cirúrgica, a médica remove as bordas da falha e trata o tecido do interior do nicho, permitindo que o sangue deixe de ficar retido. É uma cirurgia feita pela via vaginal, sem cortes no abdome, com recuperação rápida. É indicada quando a parede remanescente do útero ainda tem boa espessura — medida que é definida nos exames de imagem.

Correção por laparoscopia ou via vaginal

Quando a parede que sobrou sobre a istmocele é muito fina, sobretudo em mulheres que desejam engravidar, pode ser indicada a correção por laparoscopia (ou via vaginal), que reconstrói a parede do útero e reforça a cicatriz.

A escolha da técnica depende do tamanho do nicho, da espessura da parede, dos sintomas e dos seus planos reprodutivos.

Istmocele e gravidez

Muitas mulheres com istmocele engravidam sem problemas. Porém, em casos específicos — especialmente quando a parede é muito fina —, há maior risco de complicações raras e graves, como a implantação da gravidez na própria cicatriz e alterações na inserção da placenta. Por isso, quem tem istmocele e deseja engravidar deve conversar com a ginecologista antes de tentar, para avaliar a necessidade de correção. Veja também histeroscopia e infertilidade.

Recuperação após a histeroscopia

A recuperação costuma ser rápida: a alta acontece no mesmo dia na maioria dos casos, e é comum ter cólicas leves e pequeno sangramento por alguns dias. As orientações sobre relações sexuais, exercícios e tentativas de gravidez são individualizadas.

Se você fez cesárea e convive com escapes prolongados, cólicas ou dificuldade para engravidar, não precisa aceitar isso como normal. Uma avaliação ginecológica com os exames certos esclarece o diagnóstico e mostra se, e como, a istmocele deve ser tratada.

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Tags:

#istmocele #nicho #cicatriz de cesárea #histeroscopia
Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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