Istmocele: o que é, sintomas e tratamento
Istmocele é um defeito na cicatriz da cesárea, também chamado de nicho. Veja sintomas como o escape após a menstruação, a relação com infertilidade e a correção por histeroscopia.

Quem já fez cesárea e passou a ter um sangramento marrom que se arrasta por dias depois da menstruação pode estar diante de uma condição ainda pouco conhecida: a istmocele. Ela é um defeito na cicatriz da cesárea, dentro do útero, que muitas vezes não dá sintomas — mas, em algumas mulheres, causa escapes, dor e até dificuldade para engravidar. Entenda o que é, como é diagnosticada e quando é preciso tratar.
O que é istmocele
A istmocele — também chamada de nicho ou defeito da cicatriz de cesárea — é uma pequena falha ou "bolsa" na parede do útero, no local onde foi feita a incisão da cesárea (a região do istmo, entre o corpo do útero e o colo).
Quando essa cicatriz não se fecha de forma completa, forma-se uma cavidade onde o sangue menstrual e secreções podem ficar acumulados, saindo aos poucos depois da menstruação.
É comum?
Sim. Com o grande número de cesáreas realizadas no Brasil, a istmocele é um achado frequente no ultrassom de mulheres que já passaram pela cirurgia. A maioria, porém, não tem sintomas e não precisa de tratamento. O que define a necessidade de tratar são os sintomas e os planos de gravidez.
Fatores que aumentam o risco
- Mais de uma cesárea
- Útero em posição retrovertida (inclinado para trás)
- Cesárea feita em trabalho de parto avançado
- Aspectos da técnica de sutura e da cicatrização individual
- Infecção no pós-operatório
Sintomas da istmocele
- Sangramento de escape ou "borra" marrom que continua por vários dias após o fim da menstruação
- Menstruação que parece durar mais do que antes da cesárea
- Dor pélvica ou cólicas
- Dor na relação sexual
- Dificuldade para engravidar (infertilidade secundária), porque o sangue e o líquido acumulados podem atrapalhar a implantação do embrião
Muitas mulheres convivem com o sangramento prolongado achando que "o ciclo mudou depois do parto". Se esse é o seu caso e você teve cesárea, vale investigar. Veja também sangramento fora do período menstrual.
Como é feito o diagnóstico
- Ultrassom transvaginal: é o exame inicial. Mostra a falha na parede anterior do útero e permite medir o tamanho do nicho e a espessura da parede remanescente — a quantidade de músculo que sobrou sobre a falha.
- Histerossonografia: o ultrassom com soro fisiológico dentro do útero deixa o nicho mais visível e ajuda a medi-lo com precisão.
- Histeroscopia: permite ver a istmocele por dentro, avaliar o acúmulo de sangue e, em muitos casos, já planejar o tratamento. Saiba mais em histeroscopia: o que é e para que serve.
- Ressonância magnética: usada em casos selecionados.
Tratamento
Istmocele sem sintomas geralmente não precisa de tratamento. Quando há sintomas, as opções incluem:
Tratamento hormonal
Métodos como a pílula anticoncepcional ou o DIU hormonal podem reduzir o sangramento e os escapes. É uma opção para quem não deseja engravidar no momento.
Correção por histeroscopia (istmoplastia)
Pela histeroscopia cirúrgica, a médica remove as bordas da falha e trata o tecido do interior do nicho, permitindo que o sangue deixe de ficar retido. É uma cirurgia feita pela via vaginal, sem cortes no abdome, com recuperação rápida. É indicada quando a parede remanescente do útero ainda tem boa espessura — medida que é definida nos exames de imagem.
Correção por laparoscopia ou via vaginal
Quando a parede que sobrou sobre a istmocele é muito fina, sobretudo em mulheres que desejam engravidar, pode ser indicada a correção por laparoscopia (ou via vaginal), que reconstrói a parede do útero e reforça a cicatriz.
A escolha da técnica depende do tamanho do nicho, da espessura da parede, dos sintomas e dos seus planos reprodutivos.
Istmocele e gravidez
Muitas mulheres com istmocele engravidam sem problemas. Porém, em casos específicos — especialmente quando a parede é muito fina —, há maior risco de complicações raras e graves, como a implantação da gravidez na própria cicatriz e alterações na inserção da placenta. Por isso, quem tem istmocele e deseja engravidar deve conversar com a ginecologista antes de tentar, para avaliar a necessidade de correção. Veja também histeroscopia e infertilidade.
Recuperação após a histeroscopia
A recuperação costuma ser rápida: a alta acontece no mesmo dia na maioria dos casos, e é comum ter cólicas leves e pequeno sangramento por alguns dias. As orientações sobre relações sexuais, exercícios e tentativas de gravidez são individualizadas.
Se você fez cesárea e convive com escapes prolongados, cólicas ou dificuldade para engravidar, não precisa aceitar isso como normal. Uma avaliação ginecológica com os exames certos esclarece o diagnóstico e mostra se, e como, a istmocele deve ser tratada.
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