Ultrassom das mamas: quando complementa a mamografia e o BI-RADS

Saiba quando o ultrassom das mamas complementa a mamografia, o que muda em mamas densas e o que significa a classificação BI-RADS. Clínica em Curitiba.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Profissional realiza ultrassom na região lateral da mama de uma paciente, com o restante do tórax protegido por um lençol.

A mamografia é o exame de referência para o rastreamento do câncer de mama, mas ela não responde a todas as perguntas. Em muitas situações, o médico solicita também o ultrassom das mamas, seja para esclarecer um achado, seja porque o tecido mamário é denso e dificulta a leitura da mamografia. Entender o papel de cada exame, e o que significam as categorias BI-RADS que aparecem nos laudos, ajuda a lidar com os resultados com mais tranquilidade.

O que o ultrassom das mamas avalia

O ultrassom utiliza ondas sonoras, sem radiação, para formar imagens do tecido mamário em tempo real. Ele é especialmente útil para:

  • diferenciar um cisto (conteúdo líquido, geralmente benigno) de um nódulo sólido;
  • caracterizar a forma, os contornos e a orientação de um nódulo;
  • avaliar uma área palpável, dolorosa ou com alteração de pele;
  • examinar os linfonodos da axila;
  • guiar punções e biópsias, quando indicadas.

O exame não substitui a mamografia no rastreamento, porque tem menor capacidade de identificar microcalcificações, um dos sinais precoces que a mamografia detecta bem. Os dois exames costumam ser complementares.

Quando o ultrassom complementa a mamografia

Há situações em que o ultrassom é solicitado junto com a mamografia ou logo após ela:

  • Mamas densas: quando o tecido glandular predomina sobre a gordura, as imagens da mamografia ficam mais "brancas" e podem ocultar nódulos. O ultrassom ajuda a examinar essas áreas.
  • Achados a esclarecer: uma assimetria, um nódulo ou uma área de distorção vista na mamografia pode ser mais bem caracterizada pelo ultrassom.
  • Queixas clínicas: nódulo palpável, dor localizada, saída de secreção pelo mamilo ou alterações na pele.
  • Mulheres jovens, gestantes e lactantes: nessas fases, o tecido mamário costuma ser mais denso, e o ultrassom é frequentemente o primeiro exame indicado.
  • Próteses de silicone: o ultrassom pode auxiliar na avaliação do implante e do tecido ao redor, quando indicado.

A decisão de pedir um ou os dois exames é individual e leva em conta a idade, a densidade mamária, a história familiar e os sintomas de cada mulher.

Mamas densas: o que isso significa

A densidade mamária é uma característica do tecido, não uma doença. Ela é descrita no laudo da mamografia em quatro categorias, da mama predominantemente adiposa até a extremamente densa. Mamas densas são comuns, sobretudo em mulheres mais jovens, e tendem a se tornar menos densas com a idade, embora isso varie de pessoa para pessoa.

O ponto prático é que, em mamas densas, tanto o tecido normal quanto eventuais nódulos aparecem em tons claros na mamografia, o que reduz a capacidade do exame de diferenciá-los. Por isso, o médico pode indicar o ultrassom como exame complementar. Isso não significa que algo foi encontrado; significa que a avaliação fica mais completa com os dois métodos.

O que significa o BI-RADS

BI-RADS é a sigla de um sistema padronizado de classificação dos laudos de mamografia, ultrassom e ressonância das mamas. Ele organiza os achados em categorias, para que o médico solicitante saiba qual é a conduta esperada:

  • BI-RADS 0: avaliação incompleta; são necessárias imagens adicionais ou exames anteriores para comparação.
  • BI-RADS 1: exame sem alterações.
  • BI-RADS 2: achados benignos, como cistos simples ou calcificações típicas; segue-se a rotina habitual.
  • BI-RADS 3: achado provavelmente benigno; costuma-se indicar acompanhamento em intervalo mais curto para confirmar a estabilidade.
  • BI-RADS 4: achado suspeito, em graus variados (4A, 4B e 4C); em geral, é recomendada a investigação por biópsia.
  • BI-RADS 5: achado altamente suspeito; a biópsia é indicada.
  • BI-RADS 6: diagnóstico já confirmado por biópsia, com o exame usado para planejamento do tratamento.

A categoria não é um diagnóstico em si: ela orienta o próximo passo. Um BI-RADS 3, por exemplo, indica um achado com características tranquilizadoras que merece acompanhamento; um BI-RADS 4 não significa que há câncer, mas que a investigação precisa continuar.

Como é feito e como se preparar

O exame é simples e não exige preparo. Você fica deitada, com o braço elevado, e o examinador desliza o transdutor com gel sobre as mamas e as axilas. Dura em torno de 15 a 30 minutos e não causa dor, apenas leve pressão. Algumas orientações ajudam:

  • levar os laudos e as imagens de mamografias e ultrassons anteriores, pois a comparação é parte importante da avaliação;
  • informar sintomas, cirurgias mamárias, próteses e uso de hormônios;
  • se as mamas ficam sensíveis antes da menstruação, agendar o exame na semana seguinte ao fluxo pode ser mais confortável.

Quem interpreta o resultado

O laudo do ultrassom descreve os achados e atribui a categoria BI-RADS, mas quem decide a conduta é o médico que solicitou o exame, geralmente o ginecologista ou o mastologista. Ele avalia o laudo em conjunto com o exame físico, a mamografia e a história pessoal e familiar, e define se há necessidade de acompanhamento, de exames adicionais ou de biópsia. Levar o resultado à consulta de retorno é o passo que fecha o processo.

Na Clínica Femi Saúde, em Curitiba, o ultrassom das mamas integra o acompanhamento da saúde mamária ao lado da mamografia e da consulta. Compreender o que cada exame mostra, e o que a classificação BI-RADS realmente quer dizer, ajuda a transformar um laudo cheio de siglas em informação útil para as decisões sobre o seu cuidado.

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Dra. Jéssica Peralta

Sobre a autora

Dra. Jéssica PeraltaRadiologista · CRM-PR 35.558 · RQE 29.178

A Dra. Jéssica Peralta é médica radiologista, com formação em Radiologia e Diagnóstico por Imagem e especialização em Ultrassonografia Dermatológica. Atua na realização de exames de ultrassonografia e Doppler de diferentes regiões do corpo, incluindo cabeça e pescoço, mamas, abdômen, pelve, articulações e sistema vascular. Possui atuação especializada em Ultrassonografia Dermatológica, realizando avaliação de lesões cutâneas e subcutâneas, mapeamentos pré-procedimento e acompanhamento de alterações relacionadas a procedimentos estéticos. Também realiza protocolos específicos para lipedema e hidradenite supurativa.

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