Ultrassom na SOMP, endometriose e miomas: o que o exame mostra

O que o ultrassom mostra (e não mostra) na investigação de SOMP, endometriose e miomas, e por que o laudo sozinho não fecha o diagnóstico. Curitiba.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Médica e paciente analisam imagens de ultrassom em uma consulta, com um modelo anatômico de útero e ovários sobre a mesa.

Três condições ginecológicas muito frequentes passam pelo ultrassom em algum momento da investigação: a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP, antiga SOP), a endometriose e os miomas uterinos. Em cada uma delas, o exame tem um papel diferente, e é comum haver confusão entre o que aparece na imagem e o que significa um diagnóstico. Saber o que o ultrassom mostra, e principalmente o que ele não mostra, evita tanto sustos desnecessários quanto falsas tranquilizações.

O ultrassom como parte da investigação, não como resposta final

O ultrassom pélvico, geralmente por via transvaginal, descreve estruturas: tamanho e aspecto do útero e do endométrio, volume dos ovários, número de folículos, presença de cistos, nódulos ou alterações de contorno. Ele não mede hormônios, não avalia dor e não sabe quais são os seus sintomas. Por isso, o laudo é sempre um dado a mais, que precisa ser interpretado pelo médico solicitante em conjunto com a história clínica, o exame físico e, quando necessário, exames de sangue ou outros métodos de imagem.

SOMP: ovário policístico não é sinônimo de síndrome

Na SOMP, o ultrassom pode identificar o chamado aspecto policístico dos ovários: um número aumentado de pequenos folículos e, muitas vezes, um volume ovariano maior do que o habitual. Esse é um dos critérios utilizados no diagnóstico, mas não é o único nem o obrigatório.

O que o exame mostra:

  • a quantidade e a distribuição dos folículos em cada ovário;
  • o volume ovariano;
  • a espessura do endométrio, útil em mulheres com ciclos longos ou ausência de menstruação.

O que o exame não mostra:

  • se há excesso de hormônios androgênicos, que é avaliado pelos sinais clínicos e por exames de sangue;
  • se os ciclos são ovulatórios ou não;
  • alterações metabólicas, como resistência à insulina.

Vale lembrar que ovários com muitos folículos são comuns em adolescentes e mulheres jovens sem qualquer doença. Por isso, o achado isolado, sem irregularidade menstrual ou sinais de hiperandrogenismo, não configura a síndrome, e nos primeiros anos após a primeira menstruação o ultrassom costuma nem ser usado como critério. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com o ultrassom como apoio.

Endometriose: o que pode ser visto e o que fica invisível

Na investigação da endometriose, o ultrassom transvaginal, em especial quando realizado com preparo intestinal e por examinador dedicado a esse tipo de avaliação, tornou-se uma ferramenta importante. Ele pode identificar:

  • endometriomas, cistos ovarianos com conteúdo característico;
  • lesões profundas em locais como a região atrás do colo do útero, os ligamentos uterossacros, o intestino e a bexiga;
  • sinais indiretos, como ovários aderidos entre si ou ao útero e perda da mobilidade normal dos órgãos pélvicos.

O que o exame não costuma mostrar são as lesões superficiais do peritônio, a membrana que reveste a pelve. Elas podem causar dor e estar presentes mesmo com um ultrassom sem alterações. Assim, um exame normal não descarta endometriose, e um exame alterado não define sozinho a necessidade de cirurgia. A conduta depende dos sintomas, do desejo de gestação e da avaliação global do caso. Em situações específicas, o médico pode complementar a investigação com ressonância magnética.

Miomas: o ultrassom é o exame inicial

Para os miomas, o ultrassom é habitualmente o primeiro e, muitas vezes, o único exame necessário. Ele informa:

  • o número de miomas, o tamanho e a localização de cada um;
  • a relação com a cavidade uterina, o que separa os miomas submucosos, intramurais e subserosos;
  • o aspecto do miométrio ao redor, ajudando a diferenciar miomas de adenomiose.

Essa localização importa porque miomas de tamanhos parecidos podem ter efeitos muito diferentes: um mioma pequeno que se projeta para dentro da cavidade pode causar sangramento intenso, enquanto um mioma maior na superfície externa do útero pode não causar sintoma algum.

O ultrassom, contudo, não diz se o mioma é a causa de um determinado sintoma, não prevê se ele vai crescer nem define, por si só, o tratamento. Em úteros muito volumosos ou com muitos miomas, o mapeamento pode ficar limitado, e a ressonância ou a histeroscopia podem ser indicadas para complementar a avaliação antes de decisões cirúrgicas.

Como se preparar e o que esperar do laudo

Para o ultrassom transvaginal de rotina, o preparo é simples: bexiga vazia e a solicitação médica em mãos. Quando o objetivo é o mapeamento de endometriose, o serviço orienta um preparo intestinal, com dieta específica e laxante no dia anterior, para melhorar a visualização do intestino. A fase do ciclo também pode ser combinada com o médico, conforme o que se pretende avaliar.

Ao receber o laudo, é natural se deparar com termos como "ovários de aspecto policístico", "nódulo hipoecoico" ou "endometrioma". Esses termos descrevem imagens, não desfechos. Leve o resultado à consulta: é o médico solicitante quem vai reunir o laudo com a sua história e explicar o que ele significa no seu caso.

Na Femi Saúde, em Curitiba, o ultrassom faz parte de uma avaliação que começa na escuta dos sintomas e continua na interpretação cuidadosa dos exames. Saber o que a imagem pode e não pode responder é o primeiro passo para usar esse recurso com tranquilidade.

Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Ultrassonografia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

Tags:

#ultrassom endometriose #ultrassom mioma #SOMP ultrassom #ovário policístico ultrassom
Dra. Jéssica Peralta

Sobre a autora

Dra. Jéssica PeraltaRadiologista · CRM-PR 35.558 · RQE 29.178

A Dra. Jéssica Peralta é médica radiologista, com formação em Radiologia e Diagnóstico por Imagem e especialização em Ultrassonografia Dermatológica. Atua na realização de exames de ultrassonografia e Doppler de diferentes regiões do corpo, incluindo cabeça e pescoço, mamas, abdômen, pelve, articulações e sistema vascular. Possui atuação especializada em Ultrassonografia Dermatológica, realizando avaliação de lesões cutâneas e subcutâneas, mapeamentos pré-procedimento e acompanhamento de alterações relacionadas a procedimentos estéticos. Também realiza protocolos específicos para lipedema e hidradenite supurativa.

Compartilhar este artigo:

FacebookWhatsApp

Gostou do artigo?

Agende uma consulta e descubra como podemos cuidar da sua saúde com excelência e carinho.