Corrimento com cheiro forte: causas, o que fazer e quando procurar a ginecologista

Corrimento com cheiro forte: vaginose, tricomoníase, absorvente esquecido e hormônios. O que não fazer, como é o diagnóstico e o tratamento. Curitiba.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração de paciente conversando com uma profissional sobre sintomas íntimos.

Um cheiro forte na região íntima costuma causar mais constrangimento do que dor, e é justamente por isso que muitas mulheres adiam a consulta e tentam resolver por conta própria, com duchas, sabonetes perfumados ou remédios indicados por conhecidas. O problema é que a maioria dessas tentativas piora o quadro. O odor não é sinal de falta de higiene: na maior parte das vezes ele indica um desequilíbrio na flora vaginal ou uma infecção, situações que têm diagnóstico simples e tratamento eficaz. Este artigo explica quando o cheiro é normal, quais são as causas mais comuns do corrimento com cheiro forte, o que evitar, como a ginecologista chega ao diagnóstico e como prevenir que o problema volte.

Quando o cheiro é normal

A vagina saudável tem cheiro, e ele não é neutro. A flora dominada pelos lactobacilos produz ácido lático, que mantém o pH baixo e dá um odor levemente ácido, discreto, que muda ao longo do ciclo. Após a relação sexual, o contato com o sêmen, que é alcalino, altera o cheiro por algumas horas; durante a menstruação, o sangue traz um odor metálico; o suor da virilha depois do exercício também contribui. Nenhuma dessas situações exige tratamento. O sinal de alerta é o cheiro intenso, diferente do habitual, que persiste por dias, que fica mais forte após o sexo ou que vem acompanhado de mudança na cor, coceira, ardência ou dor.

Vaginose bacteriana: a causa mais comum

A vaginose bacteriana responde pela maioria dos casos de corrimento com cheiro forte. Não é uma infecção transmitida, mas um desequilíbrio: os lactobacilos diminuem e bactérias como a Gardnerella se multiplicam, produzindo aminas que causam o característico cheiro de peixe, mais evidente depois da relação sexual e no fim da menstruação. O corrimento costuma ser fino, acinzentado ou esbranquiçado e aderido às paredes vaginais, geralmente sem coceira intensa. Duchas, sexo sem preservativo com novos parceiros, tabagismo e uso recente de antibióticos favorecem o desequilíbrio, e as recidivas são frequentes, o que reforça a necessidade de tratamento orientado.

Tricomoníase, absorvente esquecido e outras causas

A tricomoníase, causada por um protozoário transmitido sexualmente, produz corrimento abundante, amarelado ou esverdeado, às vezes espumoso, com cheiro forte e desagradável, acompanhado de coceira, ardência e dor ao urinar. É a única causa comum de odor que exige tratamento do parceiro ao mesmo tempo.

Um absorvente interno esquecido, ou um pedaço de preservativo ou de anel vaginal retido, provoca em poucos dias um cheiro pútrido muito intenso, com corrimento escuro, e precisa ser removido em consulta. Corpos estranhos retidos por muito tempo podem levar a infecções mais graves. A candidíase, apesar de comum, costuma causar mais coceira do que odor; já a cervicite por clamídia ou gonorreia e, mais raramente, fístulas e lesões no colo do útero também podem alterar o cheiro e precisam ser descartadas.

Hábitos de higiene e mudanças hormonais

O excesso também prejudica. Duchas vaginais, sabonetes perfumados, lenços umedecidos e lavagens repetidas removem os lactobacilos e elevam o pH, abrindo caminho para a vaginose. Roupa íntima sintética, calças muito apertadas e o hábito de permanecer com roupa úmida de ginástica ou de piscina criam o ambiente quente e abafado em que as bactérias produtoras de odor prosperam. Já na menopausa, a queda do estrogênio afina a mucosa e reduz os lactobacilos; o pH sobe e o cheiro pode mudar mesmo sem infecção. Na gravidez e com o uso de alguns anticoncepcionais, as variações hormonais também alteram a secreção e o odor.

O que não fazer

  • Não fazer duchas ou lavagens internas: elas espalham a infecção e destroem a flora protetora.
  • Não usar antibióticos ou antifúngicos por conta própria: o remédio para candidíase não trata vaginose, e o uso repetido de antibióticos sem diagnóstico favorece resistência e recidivas.
  • Não mascarar o cheiro com perfumes, desodorantes íntimos ou sabonetes fortes.
  • Não interromper o tratamento assim que o cheiro melhorar.
  • Não adiar a consulta por vergonha: o problema é frequente, e a ginecologista lida com ele todos os dias.

Como é o diagnóstico e o tratamento

Na consulta, o exame ginecológico mostra o aspecto do corrimento e das paredes vaginais. A medição do pH vaginal e a análise da secreção ao microscópio, com o teste de aminas, costumam ser suficientes para diferenciar vaginose, tricomoníase e candidíase; a cultura ou os testes moleculares entram quando há dúvida ou recidivas. Quando indicado, a pesquisa de outras infecções sexualmente transmissíveis é feita na mesma coleta.

O tratamento depende da causa: antibióticos específicos, por via oral ou vaginal, na vaginose e na tricomoníase, com tratamento do parceiro nesta última; remoção do corpo estranho quando é o caso; reposição de estrogênio local na atrofia da menopausa. Em vaginoses de repetição, esquemas de manutenção e o uso de probióticos podem ser discutidos.

Prevenção e quando procurar a ginecologista

Higiene externa apenas com água ou sabonete suave, roupa íntima de algodão, preservativo com novos parceiros, evitar o cigarro e trocar absorventes com regularidade reduzem bastante as recidivas. Vale marcar consulta sempre que o cheiro for intenso, persistir por mais de alguns dias, voltar com frequência ou vier acompanhado de febre, dor pélvica, sangramento fora do período ou corrimento esverdeado. Em Curitiba, a equipe de ginecologia da Clínica Femi Saúde investiga a causa e orienta o tratamento adequado, sem julgamentos.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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