Libido baixa na mulher: causas e o que fazer

Libido baixa na mulher: causas hormonais, emocionais, relacionais e medicamentosas, quando é considerada transtorno e como tratar. Femi Saúde, Curitiba.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração delicada de casal adulto conversando com atenção e acolhimento.

A queda do desejo sexual é uma das queixas mais frequentes no consultório ginecológico e, ao mesmo tempo, uma das mais silenciadas. Muitas mulheres sentem vergonha de tocar no assunto, acreditam que é "coisa da idade" ou temem que o problema seja apenas emocional. O desejo feminino, porém, é o resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e relacionais, e quase sempre há o que fazer. Este artigo explica como o desejo funciona, o que costuma reduzi-lo em cada fase da vida, quando a queda é considerada um transtorno e quais caminhos de avaliação e tratamento têm respaldo científico.

Como funciona o desejo sexual feminino

Durante décadas, o desejo foi descrito como algo que surge espontaneamente e precede a excitação. Modelos mais atuais mostram que, em muitas mulheres, sobretudo em relacionamentos longos, o desejo é responsivo: aparece depois que a estimulação começa, quando há contexto favorável, intimidade e ausência de estresse. Isso significa que sentir pouca vontade "do nada" não é necessariamente um problema.

O desejo depende de um equilíbrio entre fatores que o aceleram, como novidade, atração, hormônios e sensação de segurança, e fatores que o freiam, como cansaço, dor, preocupação, conflitos e baixa autoestima. A libido baixa costuma refletir mais freios ativos do que falta de aceleradores.

Quando a libido baixa é considerada um transtorno

Variações no desejo ao longo dos meses e das fases da vida são normais. Fala-se em transtorno do desejo sexual hipoativo quando a redução ou a ausência de desejo e de fantasias persiste por pelo menos seis meses, não é explicada por outra condição e, principalmente, causa sofrimento pessoal. O incômodo é o critério central: uma mulher satisfeita com um desejo menos frequente não tem um transtorno, enquanto outra, com a mesma frequência, pode sofrer muito.

Também é importante diferenciar a falta de desejo da dor na relação, da dificuldade de excitação ou de orgasmo. Esses problemas costumam coexistir e se alimentar mutuamente: quem sente dor passa a evitar o sexo, e a evitação reduz ainda mais o desejo.

Principais causas

A queda do desejo raramente tem uma única origem. Entre os fatores mais comuns estão:

  • Hormonais: queda de estrogênio e testosterona na perimenopausa e menopausa, pós-parto e amamentação, alterações da tireoide e aumento da prolactina
  • Medicamentos: antidepressivos, principalmente os inibidores de recaptação de serotonina, alguns contraceptivos hormonais, anti-hipertensivos e ansiolíticos
  • Dor e desconforto: secura vaginal, atrofia genital, endometriose, vaginismo e infecções de repetição
  • Emocionais: depressão, ansiedade, estresse crônico, exaustão, imagem corporal negativa e histórico de trauma
  • Relacionais: conflitos, falta de comunicação, rotina, desigualdade na divisão de tarefas e insatisfação com a qualidade do sexo
  • Estilo de vida: privação de sono, sedentarismo, álcool em excesso e tabagismo

Doenças crônicas como diabetes, obesidade e problemas cardiovasculares também interferem, tanto pelo impacto físico quanto pelo emocional.

Como é a avaliação

A consulta começa por uma conversa aberta, sem julgamentos, sobre quando o desejo mudou, se a queda é geral ou específica ao parceiro atual, se há dor, dificuldade de excitação ou orgasmo, como está a relação e a saúde mental, e quais medicamentos estão em uso. Questionários validados ajudam a medir o impacto e acompanhar a resposta ao tratamento.

O exame ginecológico avalia sinais de atrofia, ressecamento, tensão do assoalho pélvico e outras causas de dor. Exames de sangue, como TSH, prolactina e, em situações específicas, hormônios sexuais, são solicitados conforme a suspeita. Vale lembrar que não existe um "nível normal" de testosterona que defina a libido, e a dosagem isolada raramente explica a queixa.

Caminhos de tratamento

O tratamento é dirigido às causas encontradas e costuma combinar abordagens. Ajustar ou substituir medicamentos que reduzem o desejo, tratar a depressão ou a ansiedade e cuidar do sono e da atividade física são passos iniciais com grande impacto.

Quando há secura e dor por atrofia, o estrogênio vaginal local, hidratantes e lubrificantes restauram o conforto e, com ele, o interesse. Na menopausa, a terapia hormonal pode ser considerada quando há indicação, e a testosterona em formulação adequada é opção reconhecida para o transtorno do desejo hipoativo na pós-menopausa, sempre com critérios e acompanhamento. A fisioterapia pélvica trata o vaginismo e a hipertonia muscular.

A terapia sexual e a terapia de casal, com base cognitivo-comportamental ou em mindfulness, têm evidência sólida e ajudam a identificar freios, melhorar a comunicação e reconstruir a intimidade. Em muitos casos, o maior ganho vem de entender que o desejo responsivo é normal e de criar condições para que ele apareça.

O que fazer desde já

Alguns passos podem começar antes mesmo da consulta: reservar tempo para o casal sem distrações, conversar sobre o que agrada e o que incomoda, priorizar o sono e reduzir o álcool. Reconhecer que o problema existe e que merece cuidado já é uma mudança importante. Em Curitiba, a equipe de ginecologia da Femi Saúde aborda a sexualidade como parte da saúde integral, com escuta acolhedora e, quando necessário, em conjunto com profissionais de saúde mental e fisioterapia pélvica.

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Tags:

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Dra. Vanessa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Vanessa AmorosoGinecologista e Mastologista · CRM-PR 29.243 · RQE 18.893

A Dra. Vanessa Amoroso é ginecologista e mastologista e Diretora Médica da Clínica Femi Saúde. Sua abordagem é completa e acolhedora: acompanha a saúde da mulher com consultas de rotina, exames preventivos e aconselhamento sobre métodos anticoncepcionais, como DIU e implantes. É especialista em estética íntima e ginecologia regenerativa, que utiliza tecnologias modernas para restaurar e revitalizar a saúde vaginal. Realiza tratamentos com laser e radiofrequência e cirurgias íntimas que devolvem conforto e autoestima, e trata a incontinência urinária de forma eficaz e minimamente invasiva. Na ginecologia endócrina, oferece suporte para questões hormonais, como menopausa e síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), e acompanha questões de sexualidade, ajudando a melhorar a qualidade de vida em todas as fases. Na mastologia, dedica-se à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de condições como nódulos, cistos e dores mamárias, incluindo cirurgias de reconstrução mamária — sempre com o objetivo de devolver às pacientes não apenas a saúde, mas também a confiança e o bem-estar.

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