Vulvovaginite: tipos, sintomas e tratamento

Vulvovaginite é a inflamação da vulva e da vagina. Compare os tipos — candidíase, vaginose, tricomoníase, atrófica e irritativa —, os sintomas e os tratamentos.

6 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração de avaliação ginecológica e investigação das diferentes causas de sintomas.

Vulvovaginite é o nome médico para a inflamação da vulva (a parte externa da região íntima) e da vagina. É uma das condições mais comuns da ginecologia — praticamente toda mulher terá pelo menos um episódio ao longo da vida. Coceira, ardência, corrimento diferente do habitual, vermelhidão e desconforto na relação são os sinais mais frequentes.

Mas "vulvovaginite" não é uma doença única: é um termo que reúne várias causas, de infecções a alergias e alterações hormonais. Cada uma tem características próprias e um tratamento diferente. Neste guia, explicamos os tipos, como diferenciá-los e quando procurar a ginecologista.

O que é vulvovaginite

A vagina tem uma flora própria, formada principalmente por lactobacilos, que mantêm o ambiente levemente ácido e protegem contra micro-organismos. Quando esse equilíbrio se altera — por uma infecção, pela queda dos hormônios, por irritação ou por outros fatores —, a mucosa e a pele da vulva podem inflamar. O resultado é a vulvovaginite.

Os sintomas mais comuns são:

  • Coceira e ardência na vulva e na vagina
  • Corrimento com cor, cheiro ou consistência diferentes do habitual
  • Vermelhidão e inchaço
  • Ardência ao urinar, principalmente quando a urina toca a pele irritada
  • Dor ou desconforto na relação sexual

Tipos de vulvovaginite

Infecciosas

  • Candidíase: causada por fungos (principalmente Candida albicans). É a principal causa de coceira intensa, com corrimento branco e grumoso. Não é considerada uma infecção sexualmente transmissível. Saiba mais em candidíase: sintomas, causas e tratamento.
  • Tricomoníase: infecção sexualmente transmissível causada por um protozoário, com corrimento amarelo-esverdeado, às vezes espumoso, cheiro forte e muita irritação. Exige tratamento da parceria.

Vaginose bacteriana: um caso à parte

A vaginose bacteriana é uma das causas mais comuns de corrimento, mas, tecnicamente, é um desequilíbrio das bactérias da vagina, com pouca inflamação — por isso o nome "vaginose", e não "vaginite". O sintoma principal é o corrimento acinzentado com cheiro de peixe, que piora após a relação. Ela faz parte do diagnóstico diferencial de toda vulvovaginite. Veja vaginose bacteriana: sintomas e tratamento.

Atrófica

Na menopausa e em outras situações de baixo estrogênio (como a amamentação), a mucosa fica mais fina, seca e sensível, o que pode causar ardência, coceira, pequeno corrimento e dor na relação. Saiba mais em atrofia vaginal na menopausa.

Irritativa ou alérgica (dermatite de contato)

É causada por produtos que entram em contato com a região: sabonetes perfumados, duchas, lenços umedecidos, absorventes com perfume, lubrificantes, espermicidas, amaciantes e até alguns medicamentos tópicos. Provoca vermelhidão, ardência e coceira, geralmente sem corrimento importante. Veja o que usar em sabonete íntimo, pH vaginal e odor.

Em crianças

Nas meninas antes da puberdade, a pele da região é fina e sem a proteção do estrogênio. As causas mais comuns são higiene inadequada (como limpar de trás para frente), irritação por sabonetes e roupas, verminose por oxiúros (que causa coceira anal e vulvar, principalmente à noite) e, mais raramente, corpo estranho na vagina. Corrimento persistente ou com sangue em crianças deve sempre ser avaliado.

Como diferenciar os principais tipos

Tipo Corrimento Cheiro Coceira Principais pistas
Candidíase Branco, grumoso, "leite coalhado" Geralmente sem cheiro forte Intensa Vermelhidão, inchaço; piora após antibióticos
Vaginose bacteriana Fino, branco-acinzentado Forte, de peixe Leve ou ausente Odor piora após a relação e na menstruação
Tricomoníase Amarelo-esverdeado, às vezes espumoso Forte Moderada a intensa IST; ardência ao urinar; parceria afetada
Atrófica Pouco, às vezes amarelado Geralmente sem cheiro Leve a moderada Menopausa ou amamentação; ressecamento e dor na relação
Irritativa Pouco ou nenhum Sem cheiro Variável, com ardência Produto novo, depilação ou higiene excessiva

Essa tabela ajuda a entender as diferenças, mas não substitui a consulta: os sintomas se sobrepõem, e é comum haver mais de uma causa ao mesmo tempo. Para as cores de corrimento, veja também corrimento branco e corrimento amarelo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito em consulta, com:

  • Conversa sobre os sintomas, hábitos, produtos usados, vida sexual e uso de medicamentos
  • Exame ginecológico, avaliando a vulva, a vagina e o colo do útero
  • Medida do pH vaginal, que ajuda a diferenciar as causas
  • Análise da secreção ao microscópio e, quando necessário, culturas ou testes para ISTs

Quando a coceira vem sem corrimento e com alterações na pele, a médica também investiga doenças de pele da vulva. Veja mais em coceira vaginal: causas e quando procurar a ginecologista.

Tratamento

O tratamento depende da causa:

  • Candidíase: antifúngicos em creme vaginal ou por via oral
  • Vaginose bacteriana: antibióticos por via oral ou vaginal
  • Tricomoníase: antibiótico para a paciente e para a parceria, com abstinência sexual até o fim do tratamento
  • Atrófica: hidratantes vaginais, lubrificantes e, quando indicado, estrogênio vaginal em baixa dose
  • Irritativa: suspensão do produto causador, cuidados com a pele e, às vezes, pomadas para aliviar a inflamação

Por isso a automedicação é tão arriscada: tratar fungo quando o problema é bactéria (ou alergia) não resolve, mascara os sintomas e atrasa o diagnóstico certo.

Quando a parceria precisa de tratamento

  • Tricomoníase e outras ISTs: sim, sempre
  • Candidíase e vaginose bacteriana: em geral, não é necessário tratar a parceria de rotina; a conduta pode mudar em situações específicas avaliadas pela médica

Vulvovaginite de repetição

Episódios frequentes merecem uma investigação mais cuidadosa. Algumas causas de repetição são diagnósticos incompletos, uso repetido de antibióticos, diabetes, hábitos de higiene que irritam a região e alterações hormonais. Em casos de candidíase ou vaginose recorrente, existem esquemas de tratamento prolongado e de prevenção, definidos em consulta.

Como prevenir

  • Lavar apenas a parte externa da região, com água ou sabonete suave
  • Evitar duchas vaginais e produtos perfumados
  • Usar calcinhas de algodão e trocar roupas de banho ou de treino úmidas
  • Usar preservativo nas relações
  • Manter o diabetes controlado, quando houver
  • Não usar antibióticos sem indicação médica

Quando procurar a ginecologista

Procure avaliação se os sintomas não melhorarem em poucos dias, se o corrimento tiver cheiro forte ou cor amarelada ou esverdeada, se houver feridas, dor pélvica, febre ou sangramento, se você estiver grávida ou se os episódios se repetirem.

A vulvovaginite é comum, tem tratamento e não é motivo de vergonha. Com uma avaliação cuidadosa, é possível identificar a causa certa e tratar de forma eficaz — e, quando necessário, construir um plano para evitar que o problema volte.

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Tags:

#vulvovaginite #candidíase #vaginose #tricomoníase
Dra. Vanessa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Vanessa AmorosoGinecologista e Mastologista · CRM-PR 29.243 · RQE 18.893

A Dra. Vanessa Amoroso é ginecologista e mastologista e Diretora Médica da Clínica Femi Saúde. Sua abordagem é completa e acolhedora: acompanha a saúde da mulher com consultas de rotina, exames preventivos e aconselhamento sobre métodos anticoncepcionais, como DIU e implantes. É especialista em estética íntima e ginecologia regenerativa, que utiliza tecnologias modernas para restaurar e revitalizar a saúde vaginal. Realiza tratamentos com laser e radiofrequência e cirurgias íntimas que devolvem conforto e autoestima, e trata a incontinência urinária de forma eficaz e minimamente invasiva. Na ginecologia endócrina, oferece suporte para questões hormonais, como menopausa e síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), e acompanha questões de sexualidade, ajudando a melhorar a qualidade de vida em todas as fases. Na mastologia, dedica-se à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de condições como nódulos, cistos e dores mamárias, incluindo cirurgias de reconstrução mamária — sempre com o objetivo de devolver às pacientes não apenas a saúde, mas também a confiança e o bem-estar.

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