Anticoncepcional e trombose: quem tem risco e como reduzir
Anticoncepcional e trombose: entenda o risco real, quais fatores aumentam a chance e como escolher um método seguro com avaliação ginecológica em Curitiba.

A relação entre anticoncepcional e trombose é um dos temas que mais geram receio entre as mulheres, em parte por causa de relatos que circulam nas redes sociais sem o devido contexto. O risco existe, é bem documentado e merece atenção, mas é pequeno para a maioria das usuárias e concentrado em grupos específicos, que podem ser identificados na consulta ginecológica. Entender quais métodos aumentam esse risco, quem tem mais chance de desenvolver o problema e como reduzir a probabilidade permite escolher com tranquilidade, sem abrir mão de uma contracepção eficaz. Este texto reúne o que dizem a FEBRASGO e a Organização Mundial da Saúde sobre o assunto.
Por que o estrogênio está no centro da discussão
A trombose venosa ocorre quando um coágulo se forma dentro de uma veia, geralmente na perna, e pode se deslocar até o pulmão, causando embolia pulmonar. O estrogênio presente nos métodos combinados, como a pílula, o adesivo e o anel vaginal, altera a produção de fatores de coagulação pelo fígado e deixa o sangue um pouco mais propenso a coagular.
O tipo de progestagênio associado também influencia. Pílulas com levonorgestrel apresentam risco menor, enquanto as que contêm drospirenona, desogestrel ou gestodeno mostram risco um pouco maior nos estudos. Já os métodos que contêm apenas progestagênio, como o implante, o DIU hormonal, a minipílula e a injeção trimestral, não aumentam de forma relevante o risco de trombose venosa.
Qual é o tamanho real do risco
Os números ajudam a colocar o tema em perspectiva. Entre mulheres em idade fértil que não usam hormônios, ocorrem cerca de 2 casos de trombose venosa a cada 10 mil mulheres por ano. Entre usuárias de pílula combinada, esse número sobe para algo entre 5 e 12 casos a cada 10 mil, conforme o tipo de progestagênio. Durante a gravidez, o risco é de aproximadamente 29 casos a cada 10 mil, e no pós-parto imediato chega a ser dez vezes maior que isso.
Ou seja, o risco com a pílula é maior do que sem hormônio, mas continua bem abaixo do risco de uma gestação, que é justamente o que o método previne. O período de maior atenção são os primeiros meses de uso ou de retorno após uma pausa de quatro semanas ou mais.
Quem tem mais risco
Alguns fatores multiplicam o risco associado ao estrogênio e, em vários casos, contraindicam os métodos combinados:
- histórico pessoal de trombose venosa ou embolia pulmonar;
- trombofilias conhecidas, como o fator V de Leiden, a mutação da protrombina e a síndrome antifosfolípide;
- tabagismo em mulheres com 35 anos ou mais;
- obesidade, sobretudo com índice de massa corporal acima de 35;
- hipertensão não controlada e enxaqueca com aura;
- pós-parto nas primeiras seis semanas;
- cirurgias de grande porte com imobilização prolongada;
- histórico de trombose em parente de primeiro grau antes dos 45 anos;
- lúpus com anticorpos antifosfolípides.
A idade por si só também aumenta gradualmente o risco, e a combinação de dois ou mais fatores tem efeito maior do que a soma de cada um isoladamente.
Trombofilia: quando investigar
A pesquisa de trombofilia não é recomendada de rotina para todas as mulheres antes de iniciar a pílula. As diretrizes indicam a investigação quando há histórico pessoal de trombose sem causa aparente ou histórico familiar de trombose em parentes próximos, especialmente em idade jovem. Um resultado positivo contraindica os métodos com estrogênio, mas não impede a contracepção: o implante, o DIU hormonal e o DIU de cobre continuam sendo opções seguras.
Como reduzir o risco na prática
O primeiro passo é uma anamnese detalhada na consulta: histórico pessoal e familiar, hábito de fumar, medida da pressão arterial e do peso. Com essas informações, o ginecologista identifica quem pode usar métodos combinados com segurança e quem deve preferir opções sem estrogênio.
Para quem usa pílula combinada, algumas medidas ajudam:
- não fumar, especialmente após os 35 anos;
- manter peso e pressão arterial sob controle;
- avisar o médico antes de cirurgias de grande porte, pois pode ser necessário suspender o método algumas semanas antes;
- levantar e caminhar em viagens longas e manter boa hidratação;
- reavaliar o método sempre que surgir um novo diagnóstico ou fator de risco.
Para quem tem qualquer fator de risco importante, a escolha de um método sem estrogênio elimina a maior parte do risco adicional, com a mesma eficácia contraceptiva ou até superior, como no caso do implante e do DIU.
Sinais de alerta que exigem atendimento imediato
A trombose tem tratamento, e o resultado é melhor quanto mais cedo ela é reconhecida. Os sinais que exigem atendimento de urgência incluem inchaço, dor ou vermelhidão em apenas uma das pernas; falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue; dor de cabeça muito forte e diferente das habituais; perda de força ou alteração da fala; e perda súbita de visão. Diante de qualquer um desses sintomas, o método deve ser suspenso e a avaliação médica não pode esperar.
Em Curitiba, a equipe da Femi Saúde avalia o histórico de cada paciente antes de indicar um anticoncepcional e acompanha o uso do método ao longo do tempo, ajustando a escolha sempre que a saúde ou os planos mudarem.
Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Ginecologia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.
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