Anel vaginal: como funciona, eficácia e efeitos colaterais

O anel vaginal é um anticoncepcional hormonal usado por três semanas. Veja como funciona, como colocar, a eficácia, os efeitos colaterais e quem não deve usar.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Anel contraceptivo transparente sobre uma bandeja, ao lado de um calendário e de um caderno.

O anel vaginal é um método contraceptivo hormonal que muitas mulheres ainda não conhecem bem. Ele é um anel flexível, colocado pela própria usuária dentro da vagina, que libera hormônios de forma contínua durante três semanas. Para quem esquece a pílula com frequência, pode ser uma alternativa prática. Entenda como o anel vaginal funciona, como usar, qual a eficácia, os efeitos colaterais e quem não deve usá-lo.

O que é o anel vaginal

É um anel de material plástico flexível, transparente, com cerca de 5 cm de diâmetro. Ele contém dois hormônios — etonogestrel (um progestagênio) e etinilestradiol (um estrogênio) — e, por isso, é considerado um método hormonal combinado, assim como a pílula combinada e o adesivo.

Como funciona

Os hormônios liberados pelo anel são absorvidos pela mucosa da vagina e agem principalmente:

  • Impedindo a ovulação
  • Espessando o muco do colo do útero, o que dificulta a passagem dos espermatozoides

Como a liberação é contínua e em dose baixa, não é preciso lembrar de nada todos os dias — apenas das datas de colocação e retirada.

Como usar o anel vaginal

O esquema mais comum é:

  1. Coloque o anel dentro da vagina e deixe-o por 3 semanas seguidas
  2. Retire-o no mesmo dia da semana em que foi colocado
  3. Faça uma pausa de 1 semana, período em que costuma ocorrer o sangramento
  4. Coloque um anel novo após a pausa — cada anel é usado em apenas um ciclo

Os detalhes sobre quando começar, principalmente se você estiver trocando de método, estão na bula e devem ser combinados com a sua médica.

Como colocar

Com as mãos limpas, aperte o anel entre os dedos e introduza-o na vagina, empurrando com delicadeza. A posição exata não importa: se ele estiver confortável e você não sentir o anel, está bem colocado.

Como retirar

Com o dedo indicador, enganche o anel e puxe-o para fora com cuidado. Descarte-o no lixo comum, de preferência na embalagem própria — não no vaso sanitário.

E se o anel sair?

O anel pode, ocasionalmente, sair durante a relação sexual, a evacuação ou a retirada de um absorvente interno. Em geral, a orientação é lavar o anel com água fria ou morna e recolocá-lo o quanto antes. Se ele ficar fora do corpo por mais tempo do que a bula permite, a proteção pode diminuir e pode ser necessário usar preservativo por alguns dias. Siga sempre as instruções da bula e, na dúvida, fale com a sua médica — e lembre-se de que a pílula do dia seguinte existe para emergências.

Qual a eficácia do anel vaginal?

Quando usado corretamente, o anel vaginal tem eficácia superior a 99%. No uso do dia a dia — com atrasos na troca ou pausas mais longas —, a eficácia é menor e, segundo estimativas internacionais, semelhante à da pílula combinada. Para comparação, métodos de longa duração como o DIU e o implante mantêm eficácia acima de 99% também no uso real, porque não dependem da usuária.

Vantagens

  • Não é preciso lembrar todos os dias
  • Dose hormonal baixa e constante
  • Costuma deixar a menstruação mais regular e, muitas vezes, mais leve
  • Reversível: a fertilidade volta pouco depois de parar o uso
  • Discreto: a maioria das mulheres e parcerias não sente o anel durante a relação

Efeitos colaterais possíveis

Nos primeiros meses, algumas mulheres percebem:

  • Aumento do corrimento vaginal
  • Irritação ou desconforto vaginal
  • Escapes e sangramentos fora de hora
  • Dor de cabeça
  • Náusea
  • Sensibilidade nas mamas

Em geral, esses efeitos são leves e diminuem com a adaptação. Se você tem dúvida sobre peso, veja anticoncepcional engorda?.

Riscos e contraindicações

Como todo método com estrogênio, o anel vaginal aumenta um pouco o risco de trombose (formação de coágulos nas veias), um evento raro, mas sério. Por isso, ele não é indicado para quem tem, por exemplo:

  • Enxaqueca com aura
  • Tabagismo acima dos 35 anos
  • História de trombose ou de embolia
  • Hipertensão não controlada
  • Doença hepática grave
  • Câncer de mama atual ou prévio

A avaliação médica antes de começar é indispensável. Procure atendimento imediato se tiver dor e inchaço em uma perna, falta de ar súbita, dor no peito ou dor de cabeça muito forte e diferente do habitual.

Anel vaginal x outros métodos

  • Pílula combinada: mesmos hormônios em tipo, mas exige tomada diária
  • Adesivo: também combinado, trocado semanalmente — veja adesivo anticoncepcional: como usar
  • Injetável: aplicado mensal ou trimestralmente — veja anticoncepcional injetável
  • DIU e implante: duram anos e não dependem de lembrar datas

Perguntas frequentes

O anel protege contra ISTs? Não. Para isso, o preservativo continua necessário.

Posso ter relações com o anel? Sim. Ele pode permanecer durante a relação.

Posso usar absorvente interno? Sim, com cuidado para não puxar o anel na retirada do absorvente.

O anel vaginal é uma boa opção para muitas mulheres, mas não para todas. Uma consulta ginecológica ajuda a avaliar sua saúde, suas preferências e escolher, com segurança, o método que combina com a sua rotina.

Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Ginecologia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

Tags:

#anel vaginal #anticoncepcional #contracepção hormonal
Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

Compartilhar este artigo:

FacebookWhatsApp

Gostou do artigo?

Agende uma consulta e descubra como podemos cuidar da sua saúde com excelência e carinho.