Apendicite: sinais de alerta e como é a cirurgia

Apendicite: sintomas, sinais de alerta, por que o diagnóstico na mulher exige cuidado e como é a apendicectomia por videolaparoscopia, em Curitiba.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Desenho de pessoa procurando atendimento por dor na parte inferior direita do abdome.

A apendicite aguda é a inflamação do apêndice, um pequeno prolongamento do intestino grosso localizado no lado direito inferior do abdome. É a causa mais comum de cirurgia abdominal de urgência e pode ocorrer em qualquer idade, com maior frequência entre a adolescência e os 30 anos. Como a inflamação evolui rapidamente e o apêndice pode perfurar em um ou dois dias, reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento cedo faz toda a diferença. Este artigo explica como a apendicite se manifesta, por que o diagnóstico na mulher exige atenção especial, como o quadro é confirmado e como é a apendicectomia por videolaparoscopia.

O que acontece no apêndice inflamado

O apêndice é um tubo fino, fechado em uma das extremidades, que se abre no início do intestino grosso. Quando essa abertura é bloqueada, por fezes endurecidas, aumento do tecido linfático da parede, muco espesso ou, mais raramente, por um tumor, a secreção se acumula, a pressão interna sobe e as bactérias se multiplicam. A parede perde irrigação, inflama e, sem tratamento, pode gangrenar e perfurar, liberando conteúdo intestinal na cavidade abdominal e causando peritonite ou abscesso.

Sinais de alerta

O quadro clássico começa com uma dor mal definida ao redor do umbigo ou na "boca do estômago", acompanhada de perda de apetite e náuseas. Em algumas horas, a dor migra para o lado direito inferior do abdome e passa a ser localizada, contínua e pior ao caminhar, tossir ou pressionar a região. Febre baixa é comum; febre alta sugere complicação. Outros sinais incluem:

  • Dor que aumenta ao soltar bruscamente a pressão sobre o abdome
  • Abdome endurecido ou rígido ao toque
  • Vômitos, em geral após o início da dor
  • Diarreia ou constipação, dependendo da posição do apêndice
  • Dificuldade de ficar em pé ereta ou de andar sem se curvar

Nem todo caso é típico. Quando o apêndice está posicionado atrás do intestino ou na pelve, a dor pode ser lombar, na coxa ou baixa no abdome, com sintomas urinários ou intestinais que confundem o diagnóstico. Em gestantes, o apêndice é deslocado para cima pelo útero, e a dor pode aparecer mais alta. Em idosas, o quadro tende a ser discreto e a perfuração é mais frequente.

Apendicite na mulher: por que o diagnóstico exige cuidado

Na mulher em idade fértil, várias condições ginecológicas provocam dor no lado direito inferior do abdome e imitam a apendicite: cisto de ovário roto ou torcido, ovulação dolorosa, doença inflamatória pélvica, endometriose e gravidez ectópica. Por isso a avaliação inclui perguntas sobre o ciclo menstrual, corrimento, atividade sexual e método contraceptivo, além de um teste de gravidez sempre que houver possibilidade. A ultrassonografia pélvica e transvaginal ajuda a examinar os ovários e o útero ao mesmo tempo em que procura o apêndice.

Como o diagnóstico é confirmado

O diagnóstico combina a história, o exame físico e exames complementares. O hemograma costuma mostrar aumento dos glóbulos brancos, e a proteína C reativa se eleva com a evolução do quadro. O exame de urina descarta infecção urinária. Entre os exames de imagem, a ultrassonografia é o primeiro passo em jovens e gestantes; a tomografia do abdome tem alta precisão e é indicada quando a ultrassonografia não é conclusiva. Na gravidez, a ressonância magnética é a alternativa quando persistem dúvidas. Escalas clínicas que somam sintomas, sinais e resultados de exames ajudam a estimar a probabilidade e a decidir entre observar e operar.

Como é a cirurgia

O tratamento padrão é a apendicectomia, a retirada do apêndice, realizada preferencialmente por videolaparoscopia. Por três pequenas incisões, o cirurgião introduz a câmera e os instrumentos, identifica o apêndice, separa-o do intestino e o retira dentro de um saco protetor, sem contato com a parede. A técnica permite examinar toda a cavidade, incluindo ovários e trompas, o que é especialmente útil na mulher, e está associada a menos dor, menor risco de infecção da ferida e recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta. Antibióticos são administrados antes da cirurgia e, quando há perfuração ou abscesso, mantidos por alguns dias.

Em casos selecionados de apendicite não complicada, o tratamento apenas com antibióticos é uma opção discutida com a paciente, mas cerca de um terço dos casos volta a inflamar no primeiro ano, e a cirurgia continua sendo a solução definitiva. Quando o apêndice já perfurou e formou um abscesso bem delimitado, pode ser necessário drenar primeiro e operar semanas depois.

Recuperação

Na apendicite não complicada operada por videolaparoscopia, a alta costuma ocorrer em um ou dois dias, com a dieta liberada de forma progressiva. A dor é leve a moderada e responde a analgésicos comuns. As atividades habituais retornam em uma a duas semanas, e os esforços intensos após a liberação médica. Em quadros perfurados, a internação é mais longa e a recuperação, mais lenta.

O que fazer diante da suspeita

Dor abdominal que se localiza no lado direito inferior, piora progressivamente e vem acompanhada de náuseas ou febre deve ser avaliada em serviço de urgência sem esperar que passe. Até a avaliação, é melhor evitar analgésicos fortes, laxantes e compressas quentes, que podem mascarar o quadro ou acelerar a perfuração, e manter jejum caso a cirurgia seja necessária. Em Curitiba, a equipe de cirurgia geral da Femi Saúde orienta sobre a investigação e a cirurgia da apendicite com atenção às particularidades do diagnóstico na mulher.

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Dr. Henrique Stachon

Sobre o autor

Dr. Henrique StachonCirurgião e Médico Integrativo · CRM-PR 25.899 · RQE 2.105

O Dr. Henrique Stachon é cirurgião geral e médico integrativo, com mais de 15 anos de experiência. Formado pela Universidade Federal do Paraná, é especialista em Medicina Integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein e mestre em Biotecnologia Industrial. A medicina integrativa é o centro de sua prática: tratar a pessoa de forma completa, cuidando não apenas da doença, mas da manutenção da saúde, da saúde mental e da prevenção. Cada paciente recebe um plano de cuidado personalizado, que integra a medicina convencional a hábitos de vida, nutrição e bem-estar. Como cirurgião, é especialista em videolaparoscopia avançada desde 2012, realizando procedimentos minimamente invasivos, como a retirada da vesícula (colecistectomia), e tratando doenças do trato gastrointestinal. Também realiza pequenos procedimentos em consultório com técnicas a laser — como o tratamento de unha encravada, a remoção de cistos, lipomas e pintas e a correção do lóbulo da orelha —, que proporcionam mais precisão e recuperação mais rápida. É professor do curso de Medicina da Faculdade Pequeno Príncipe e preceptor de residência médica em cirurgia geral.

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