Hérnia inguinal: sintomas, cirurgia e recuperação

Hérnia inguinal: causas, sintomas, sinais de encarceramento, por que a cirurgia é o tratamento e como é a correção por videolaparoscopia, em Curitiba.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Homem conversa com médico sobre desconforto na região da virilha.

A hérnia inguinal é a mais comum de todas as hérnias da parede abdominal. Ela surge quando uma parte do conteúdo do abdome, em geral gordura ou uma alça de intestino, atravessa um ponto de fraqueza na região da virilha e forma um abaulamento que aparece ao ficar de pé, tossir ou fazer esforço. Embora seja muito mais frequente em homens, também acomete mulheres, que merecem atenção especial porque as hérnias da virilha femininas têm maior chance de complicar. Este artigo explica como reconhecer os sintomas, quais sinais indicam urgência, como a cirurgia é realizada e o que esperar da recuperação.

O que é a hérnia inguinal

A região inguinal é uma passagem natural na parede do abdome: nos homens, é por ali que passa o cordão espermático; nas mulheres, o ligamento redondo do útero. Essa passagem, o canal inguinal, é um ponto de menor resistência. Quando a pressão dentro do abdome supera a capacidade dos tecidos de contê-la, o revestimento interno da cavidade se projeta pelo canal e forma o saco herniário.

As hérnias inguinais podem ser indiretas, quando seguem o trajeto do canal por uma abertura presente desde o nascimento, ou diretas, quando surgem por enfraquecimento da parede ao longo da vida. Bem próxima delas fica a hérnia femoral, que passa abaixo do ligamento inguinal e é proporcionalmente mais comum nas mulheres. Como o orifício femoral é estreito e rígido, essa hérnia encarcera com mais facilidade, e por isso a recomendação para as mulheres com hérnia na virilha costuma ser operar, mesmo quando os sintomas são leves. Esforço físico repetido, tosse crônica, constipação, obesidade, gestações, tabagismo e história familiar aumentam o risco.

Sintomas e sinais de alerta

O sintoma clássico é um volume na virilha que aparece ao ficar de pé ou fazer força e some ao deitar. Pode haver sensação de peso, ardor ou dor local que piora ao longo do dia, ao levantar objetos, ao tossir ou durante a atividade física. Em mulheres, o abaulamento nem sempre é evidente, e a queixa pode se limitar a uma dor persistente na virilha, o que atrasa o diagnóstico.

Alguns sinais indicam que a hérnia pode estar encarcerada ou estrangulada e exigem atendimento de urgência:

  • Abaulamento que não volta para dentro, mesmo deitando e relaxando
  • Dor intensa e contínua na região da hérnia
  • Vermelhidão ou escurecimento da pele sobre o volume
  • Náuseas, vômitos, distensão do abdome e parada de eliminação de gases e fezes
  • Febre e mal-estar

No encarceramento, o conteúdo fica preso fora do abdome; no estrangulamento, o suprimento de sangue é interrompido e a alça intestinal pode sofrer necrose em poucas horas.

Como o diagnóstico é feito

Na maioria dos casos, o exame físico realizado pelo cirurgião, com a paciente de pé e fazendo esforço, é suficiente para confirmar a hérnia. Quando o abaulamento não é claro, quando a dor é o único sintoma ou quando é preciso diferenciar entre hérnia inguinal e femoral, a ultrassonografia da região com manobras de esforço é o exame mais utilizado. Em situações específicas, como hérnias recidivadas ou suspeita de outras causas de dor na virilha, a tomografia ou a ressonância podem ser solicitadas.

Por que a cirurgia é o tratamento

Hérnias não fecham sozinhas nem melhoram com medicamentos, exercícios ou cintas, que apenas escondem o volume. Com o tempo, a tendência é o orifício aumentar, o desconforto piorar e o risco de complicações crescer. Em homens com hérnias pequenas e sem sintomas, é aceitável acompanhar por um período, com a orientação clara de operar quando houver dor ou aumento do volume. Em mulheres, a indicação é operar assim que o diagnóstico é feito, pela maior frequência de hérnias femorais e pelo risco de estrangulamento.

Técnicas: videolaparoscopia e cirurgia aberta

O objetivo da cirurgia é devolver o conteúdo herniado ao abdome e reforçar a parede, quase sempre com uma tela de material sintético, que reduz de forma consistente a chance de a hérnia voltar. Na cirurgia aberta, uma incisão de alguns centímetros na virilha permite tratar a hérnia e posicionar a tela sobre a parede. É uma técnica consolidada, que pode ser feita com anestesia regional e é útil em hérnias grandes ou quando a anestesia geral não é recomendada.

Na videolaparoscopia, três pequenas incisões dão acesso ao espaço atrás da parede abdominal, onde a tela é colocada por dentro, cobrindo ao mesmo tempo os orifícios inguinal e femoral. A técnica permite tratar hérnias dos dois lados no mesmo procedimento e está associada a menos dor no pós-operatório, retorno mais rápido às atividades e menor risco de dor crônica. É a abordagem preferida para hérnias bilaterais, recidivadas de cirurgia aberta e para mulheres, justamente por tratar a região femoral.

Recuperação após a cirurgia

A maior parte das pacientes recebe alta no mesmo dia ou na manhã seguinte. Caminhar é estimulado desde as primeiras horas, e a dor costuma ser bem controlada com analgésicos comuns. Atividades leves e trabalho sem esforço físico retornam em cerca de uma semana; exercícios e levantamento de peso, em geral, após quatro a seis semanas, conforme a liberação do cirurgião. Um leve inchaço ou endurecimento na região operada é esperado e regride ao longo das semanas.

Sinais como febre, vermelhidão que se espalha, secreção na incisão, dor que aumenta em vez de diminuir ou dificuldade para urinar devem ser comunicados à equipe. Em Curitiba, a equipe de cirurgia geral da Femi Saúde realiza a avaliação da hérnia inguinal e orienta sobre a técnica mais adequada para cada caso, com atenção às particularidades da anatomia feminina.

Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Cirurgia Geral na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

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Dr. Henrique Stachon

Sobre o autor

Dr. Henrique StachonCirurgião e Médico Integrativo · CRM-PR 25.899 · RQE 2.105

O Dr. Henrique Stachon é cirurgião geral e médico integrativo, com mais de 15 anos de experiência. Formado pela Universidade Federal do Paraná, é especialista em Medicina Integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein e mestre em Biotecnologia Industrial. A medicina integrativa é o centro de sua prática: tratar a pessoa de forma completa, cuidando não apenas da doença, mas da manutenção da saúde, da saúde mental e da prevenção. Cada paciente recebe um plano de cuidado personalizado, que integra a medicina convencional a hábitos de vida, nutrição e bem-estar. Como cirurgião, é especialista em videolaparoscopia avançada desde 2012, realizando procedimentos minimamente invasivos, como a retirada da vesícula (colecistectomia), e tratando doenças do trato gastrointestinal. Também realiza pequenos procedimentos em consultório com técnicas a laser — como o tratamento de unha encravada, a remoção de cistos, lipomas e pintas e a correção do lóbulo da orelha —, que proporcionam mais precisão e recuperação mais rápida. É professor do curso de Medicina da Faculdade Pequeno Príncipe e preceptor de residência médica em cirurgia geral.

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