Útero septado e sinéquia uterina: o que são e tratamento

Útero septado e sinéquias (síndrome de Asherman) podem afetar a fertilidade e a gestação. Entenda os sintomas, o diagnóstico e o tratamento por histeroscopia.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração esquemática de septo e aderências no interior da cavidade uterina.

O útero septado e a sinéquia uterina são duas alterações da cavidade do útero que muitas vezes passam despercebidas — até que aparecem em um exame de rotina, em uma investigação de abortos de repetição ou durante a busca por uma gravidez que não acontece. Apesar de terem origens diferentes, as duas têm algo em comum: podem ser diagnosticadas e, quando indicado, tratadas por histeroscopia, sem cortes no abdome.

Neste texto, explicamos o que é cada uma, os sintomas, como é feito o diagnóstico e quando o tratamento é recomendado.

O que é útero septado

O útero septado é uma malformação congênita — ou seja, a mulher já nasce com ela. Durante a formação do útero no embrião, duas estruturas (os ductos de Müller) se unem e a parede que as separa deveria desaparecer. Quando essa parede permanece, total ou parcialmente, forma-se um septo: uma divisão dentro da cavidade uterina.

O septo pode ser:

  • Parcial: ocupa apenas parte da cavidade
  • Completo: divide toda a cavidade e pode se estender até o colo do útero ou a vagina

Por fora, o útero septado tem o formato normal — o que o diferencia do útero bicorno, em que o próprio útero tem uma reentrância externa e forma dois "cornos". Essa distinção é importante, porque o tratamento é diferente.

Útero septado: sintomas

Muitas mulheres com útero septado não têm sintomas e engravidam sem dificuldade. Quando há repercussões, as mais associadas são:

  • Abortos espontâneos, especialmente de repetição
  • Parto prematuro
  • Alterações na posição do bebê durante a gestação
  • Em alguns casos, dificuldade para engravidar

Um septo completo que se estende à vagina pode causar desconforto na relação ou dificuldade no uso de absorventes internos.

Como é feito o diagnóstico do útero septado

  • Ultrassom 3D: permite avaliar a cavidade e o contorno externo do útero ao mesmo tempo, sendo muito útil para diferenciar septo de útero bicorno.
  • Ressonância magnética: indicada em casos de dúvida ou malformações mais complexas.
  • Histeroscopia: mostra o septo por dentro da cavidade e, muitas vezes, já permite planejar o tratamento. Saiba mais em histeroscopia: o que é e para que serve.

Tratamento do útero septado

O tratamento é a septoplastia histeroscópica: pela histeroscopia cirúrgica, o septo é seccionado, deixando a cavidade com formato único. É um procedimento feito pela via vaginal, sem cortes no abdome, com recuperação geralmente rápida.

A indicação, porém, é individualizada. A cirurgia costuma ser considerada principalmente em mulheres com abortos de repetição ou histórico de complicações na gestação. Para mulheres sem sintomas ou sem problemas reprodutivos, o benefício da correção ainda é debatido entre os especialistas, e a decisão deve ser tomada em conjunto com a ginecologista, considerando seus planos e sua história.

O que é sinéquia uterina

A sinéquia uterina é a formação de aderências — cicatrizes internas — entre as paredes do útero. Quando as aderências são extensas e causam sintomas, o quadro é chamado de síndrome de Asherman.

Ao contrário do útero septado, a sinéquia é adquirida: ela surge depois de uma agressão ao endométrio, a camada que reveste o interior do útero. As causas mais comuns são:

  • Curetagem uterina, especialmente após aborto ou no pós-parto
  • Infecções do útero, como endometrite
  • Cirurgias dentro da cavidade, como a retirada de miomas
  • Em algumas regiões do mundo, a tuberculose genital

Sinéquia uterina: sintomas

  • Menstruação mais escassa do que antes, ou ausência de menstruação
  • Cólicas no período em que a menstruação deveria acontecer
  • Dificuldade para engravidar
  • Abortos de repetição

Muitas vezes, a mulher percebe que o fluxo "diminuiu muito" depois de uma curetagem. Esse é um sinal que merece avaliação.

Como é feito o diagnóstico da sinéquia

O ultrassom e a histerossonografia podem levantar a suspeita, mas a histeroscopia é o exame que confirma o diagnóstico, mostrando diretamente as aderências, sua localização e extensão.

Tratamento da sinéquia uterina

O tratamento é a lise das aderências por histeroscopia: a médica desfaz as cicatrizes internas sob visão direta, preservando ao máximo o endométrio saudável.

Como as aderências podem se formar novamente, a equipe pode associar medidas para reduzir a chance de recidiva, que variam conforme o caso e o serviço — como o uso de hormônios para estimular a regeneração do endométrio e a realização de uma histeroscopia de controle algumas semanas depois. A escolha dessas medidas é individual.

O prognóstico depende da extensão das aderências: casos leves costumam ter bons resultados, enquanto casos graves podem exigir mais de um procedimento.

Útero septado, sinéquia e fertilidade

As duas alterações podem interferir na implantação do embrião e na evolução da gravidez. Por isso, fazem parte da investigação de casais com dificuldade para engravidar ou com perdas gestacionais — veja histeroscopia e infertilidade. Outra alteração da cavidade relacionada a cirurgias anteriores é a istmocele, um defeito na cicatriz da cesárea.

Perguntas frequentes

Quem tem útero septado pode engravidar? Sim. Muitas mulheres engravidam e têm gestações sem complicações. A avaliação ajuda a entender se há indicação de tratamento antes de tentar.

A sinéquia pode ser prevenida? Nem sempre, mas evitar procedimentos desnecessários na cavidade uterina e tratar infecções adequadamente ajuda a reduzir o risco.

A recuperação da histeroscopia cirúrgica é demorada? Em geral, não. É comum ter cólicas leves e pequeno sangramento por alguns dias, e muitas mulheres voltam às atividades em pouco tempo, conforme a orientação médica.

Se você teve abortos de repetição, notou que a menstruação diminuiu depois de uma curetagem ou está com dificuldade para engravidar, uma avaliação ginecológica com os exames certos pode esclarecer o que está acontecendo — e indicar, com calma, o melhor caminho para os seus planos.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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