Pré-operatório de cirurgia geral: exames, jejum e preparo

Pré-operatório de cirurgia geral: quais exames são pedidos, as regras atuais de jejum, remédios que exigem atenção e como se preparar, em Curitiba.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Composição delicada com exames, documentos e itens organizados para a consulta pré-operatória.

Uma cirurgia bem-sucedida começa antes da entrada no centro cirúrgico. O pré-operatório é o período em que o cirurgião e o anestesista conhecem a saúde da paciente, identificam riscos que podem ser reduzidos, ajustam medicamentos e orientam o que fazer nos dias e horas que antecedem o procedimento. Seguir essas orientações torna a anestesia mais segura, diminui complicações como infecção e trombose e acelera a recuperação. Este artigo explica como funciona a avaliação pré-operatória, quais exames costumam ser pedidos, as regras atuais de jejum, o que fazer com os remédios de uso contínuo e como se preparar para cirurgias no hospital e para procedimentos no consultório.

A consulta pré-operatória e a avaliação de risco

Na consulta, a paciente relata doenças atuais e passadas, cirurgias e anestesias anteriores, alergias, medicamentos e suplementos em uso, hábitos como tabagismo e álcool, e se há histórico pessoal ou familiar de sangramento anormal, trombose ou reações à anestesia. O exame físico complementa as informações. Com base nisso, o anestesista classifica o risco cirúrgico, define o tipo de anestesia e decide quais exames são realmente necessários. Doenças como diabetes, hipertensão, asma, apneia do sono, anemia e distúrbios da tireoide devem estar controladas antes da cirurgia; quando não estão, a avaliação com o clínico ou o especialista é solicitada e a data pode ser ajustada.

Quais exames são pedidos

Não existe uma lista universal. As diretrizes atuais recomendam pedir exames de acordo com a idade, as doenças da paciente e o porte da cirurgia, e não de forma automática, porque exames desnecessários geram atrasos e investigações sem benefício. Os mais frequentes são:

  • Hemograma, para avaliar anemia e plaquetas
  • Provas de coagulação, quando há história de sangramento ou uso de anticoagulantes
  • Glicemia e função renal, em pessoas com diabetes, hipertensão ou acima de determinada idade
  • Eletrocardiograma, conforme idade, sintomas e doenças cardíacas
  • Teste de gravidez, em mulheres em idade fértil, sempre que houver possibilidade
  • Tipagem sanguínea e outros exames específicos em cirurgias de maior porte

Exames recentes, feitos nos últimos meses, costumam ser aproveitados se não houve mudança no estado de saúde.

Jejum: as regras atuais

O jejum evita que o conteúdo do estômago seja aspirado para os pulmões durante a anestesia. As recomendações mudaram nos últimos anos e hoje são mais curtas do que o antigo "nada desde a meia-noite":

  • Alimentos sólidos e refeições gordurosas: até oito horas antes
  • Refeição leve, como torradas e chá: até seis horas antes
  • Líquidos claros, como água, chá, suco coado sem polpa e isotônico: até duas horas antes

Beber líquidos claros até duas horas antes reduz a sede, a ansiedade e a náusea após a cirurgia. Balas, chicletes, leite e café com leite contam como alimento. O horário exato é sempre confirmado pela equipe, porque depende do horário da cirurgia, e condições como diabetes, refluxo importante e uso de certos medicamentos podem exigir intervalos diferentes.

Medicamentos: o que manter e o que suspender

A regra é nunca suspender nem iniciar medicamentos por conta própria. Remédios para pressão, tireoide, asma e a maioria dos antidepressivos são mantidos, inclusive na manhã da cirurgia, com um gole de água. Alguns grupos exigem orientação específica:

  • Anticoagulantes e antiagregantes, como varfarina, rivaroxabana, clopidogrel e AAS: a suspensão depende do motivo do uso e do risco de sangramento da cirurgia
  • Antidiabéticos orais e insulina: doses ajustadas no dia, por causa do jejum
  • Medicamentos para emagrecer da classe da semaglutida e similares: costumam ser suspensos cerca de uma semana antes, porque retardam o esvaziamento do estômago
  • Anticoncepcionais e terapia hormonal: geralmente mantidos em cirurgias de pequeno e médio porte, com prevenção de trombose; em cirurgias grandes, a decisão é individual
  • Suplementos e fitoterápicos, como ginkgo, ginseng e ômega 3: em geral suspensos uma a duas semanas antes, pelo risco de sangramento

Hábitos e o dia da cirurgia

Parar de fumar, mesmo que por poucas semanas antes da cirurgia, melhora a oxigenação e reduz complicações respiratórias e de cicatrização; quanto mais tempo sem cigarro, maior o benefício. O álcool deve ser evitado nos dias anteriores. Manter atividade física leve, alimentação equilibrada e sono adequado ajuda o organismo a responder melhor ao estresse cirúrgico, e uma perda de peso mesmo modesta reduz riscos, particularmente nas hérnias e na cirurgia do refluxo.

No dia, vale tomar banho com sabonete comum, não passar cremes ou maquiagem na região a ser operada, retirar o esmalte de pelo menos um dedo para o oxímetro, deixar joias, piercings e lentes de contato em casa e não raspar os pelos da área cirúrgica, que serão aparados pela equipe se necessário. É importante levar os exames, a lista de medicamentos e um documento com foto, e estar acompanhada por um adulto, que será indispensável na alta.

Preparo para procedimentos no consultório

Procedimentos com anestesia local, como a retirada de lipomas e cistos, a drenagem de abscessos, a cantoplastia e o tratamento a laser do cisto pilonidal, têm preparo mais simples: não exigem jejum, os medicamentos habituais são mantidos e é recomendável fazer uma refeição leve antes para evitar tontura. Anticoagulantes e alergias a anestésicos devem ser informados com antecedência. A paciente vai para casa logo após o procedimento, com curativo e orientações. Em Curitiba, a equipe de cirurgia geral da Femi Saúde conduz a avaliação pré-operatória de forma individualizada, esclarecendo cada etapa para que a cirurgia seja realizada com segurança e tranquilidade.

Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Cirurgia Geral na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

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Dr. Henrique Stachon

Sobre o autor

Dr. Henrique StachonCirurgião e Médico Integrativo · CRM-PR 25.899 · RQE 2.105

O Dr. Henrique Stachon é cirurgião geral e médico integrativo, com mais de 15 anos de experiência. Formado pela Universidade Federal do Paraná, é especialista em Medicina Integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein e mestre em Biotecnologia Industrial. A medicina integrativa é o centro de sua prática: tratar a pessoa de forma completa, cuidando não apenas da doença, mas da manutenção da saúde, da saúde mental e da prevenção. Cada paciente recebe um plano de cuidado personalizado, que integra a medicina convencional a hábitos de vida, nutrição e bem-estar. Como cirurgião, é especialista em videolaparoscopia avançada desde 2012, realizando procedimentos minimamente invasivos, como a retirada da vesícula (colecistectomia), e tratando doenças do trato gastrointestinal. Também realiza pequenos procedimentos em consultório com técnicas a laser — como o tratamento de unha encravada, a remoção de cistos, lipomas e pintas e a correção do lóbulo da orelha —, que proporcionam mais precisão e recuperação mais rápida. É professor do curso de Medicina da Faculdade Pequeno Príncipe e preceptor de residência médica em cirurgia geral.

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