Pré-operatório de cirurgia geral: exames, jejum e preparo
Pré-operatório de cirurgia geral: quais exames são pedidos, as regras atuais de jejum, remédios que exigem atenção e como se preparar, em Curitiba.

Uma cirurgia bem-sucedida começa antes da entrada no centro cirúrgico. O pré-operatório é o período em que o cirurgião e o anestesista conhecem a saúde da paciente, identificam riscos que podem ser reduzidos, ajustam medicamentos e orientam o que fazer nos dias e horas que antecedem o procedimento. Seguir essas orientações torna a anestesia mais segura, diminui complicações como infecção e trombose e acelera a recuperação. Este artigo explica como funciona a avaliação pré-operatória, quais exames costumam ser pedidos, as regras atuais de jejum, o que fazer com os remédios de uso contínuo e como se preparar para cirurgias no hospital e para procedimentos no consultório.
A consulta pré-operatória e a avaliação de risco
Na consulta, a paciente relata doenças atuais e passadas, cirurgias e anestesias anteriores, alergias, medicamentos e suplementos em uso, hábitos como tabagismo e álcool, e se há histórico pessoal ou familiar de sangramento anormal, trombose ou reações à anestesia. O exame físico complementa as informações. Com base nisso, o anestesista classifica o risco cirúrgico, define o tipo de anestesia e decide quais exames são realmente necessários. Doenças como diabetes, hipertensão, asma, apneia do sono, anemia e distúrbios da tireoide devem estar controladas antes da cirurgia; quando não estão, a avaliação com o clínico ou o especialista é solicitada e a data pode ser ajustada.
Quais exames são pedidos
Não existe uma lista universal. As diretrizes atuais recomendam pedir exames de acordo com a idade, as doenças da paciente e o porte da cirurgia, e não de forma automática, porque exames desnecessários geram atrasos e investigações sem benefício. Os mais frequentes são:
- Hemograma, para avaliar anemia e plaquetas
- Provas de coagulação, quando há história de sangramento ou uso de anticoagulantes
- Glicemia e função renal, em pessoas com diabetes, hipertensão ou acima de determinada idade
- Eletrocardiograma, conforme idade, sintomas e doenças cardíacas
- Teste de gravidez, em mulheres em idade fértil, sempre que houver possibilidade
- Tipagem sanguínea e outros exames específicos em cirurgias de maior porte
Exames recentes, feitos nos últimos meses, costumam ser aproveitados se não houve mudança no estado de saúde.
Jejum: as regras atuais
O jejum evita que o conteúdo do estômago seja aspirado para os pulmões durante a anestesia. As recomendações mudaram nos últimos anos e hoje são mais curtas do que o antigo "nada desde a meia-noite":
- Alimentos sólidos e refeições gordurosas: até oito horas antes
- Refeição leve, como torradas e chá: até seis horas antes
- Líquidos claros, como água, chá, suco coado sem polpa e isotônico: até duas horas antes
Beber líquidos claros até duas horas antes reduz a sede, a ansiedade e a náusea após a cirurgia. Balas, chicletes, leite e café com leite contam como alimento. O horário exato é sempre confirmado pela equipe, porque depende do horário da cirurgia, e condições como diabetes, refluxo importante e uso de certos medicamentos podem exigir intervalos diferentes.
Medicamentos: o que manter e o que suspender
A regra é nunca suspender nem iniciar medicamentos por conta própria. Remédios para pressão, tireoide, asma e a maioria dos antidepressivos são mantidos, inclusive na manhã da cirurgia, com um gole de água. Alguns grupos exigem orientação específica:
- Anticoagulantes e antiagregantes, como varfarina, rivaroxabana, clopidogrel e AAS: a suspensão depende do motivo do uso e do risco de sangramento da cirurgia
- Antidiabéticos orais e insulina: doses ajustadas no dia, por causa do jejum
- Medicamentos para emagrecer da classe da semaglutida e similares: costumam ser suspensos cerca de uma semana antes, porque retardam o esvaziamento do estômago
- Anticoncepcionais e terapia hormonal: geralmente mantidos em cirurgias de pequeno e médio porte, com prevenção de trombose; em cirurgias grandes, a decisão é individual
- Suplementos e fitoterápicos, como ginkgo, ginseng e ômega 3: em geral suspensos uma a duas semanas antes, pelo risco de sangramento
Hábitos e o dia da cirurgia
Parar de fumar, mesmo que por poucas semanas antes da cirurgia, melhora a oxigenação e reduz complicações respiratórias e de cicatrização; quanto mais tempo sem cigarro, maior o benefício. O álcool deve ser evitado nos dias anteriores. Manter atividade física leve, alimentação equilibrada e sono adequado ajuda o organismo a responder melhor ao estresse cirúrgico, e uma perda de peso mesmo modesta reduz riscos, particularmente nas hérnias e na cirurgia do refluxo.
No dia, vale tomar banho com sabonete comum, não passar cremes ou maquiagem na região a ser operada, retirar o esmalte de pelo menos um dedo para o oxímetro, deixar joias, piercings e lentes de contato em casa e não raspar os pelos da área cirúrgica, que serão aparados pela equipe se necessário. É importante levar os exames, a lista de medicamentos e um documento com foto, e estar acompanhada por um adulto, que será indispensável na alta.
Preparo para procedimentos no consultório
Procedimentos com anestesia local, como a retirada de lipomas e cistos, a drenagem de abscessos, a cantoplastia e o tratamento a laser do cisto pilonidal, têm preparo mais simples: não exigem jejum, os medicamentos habituais são mantidos e é recomendável fazer uma refeição leve antes para evitar tontura. Anticoagulantes e alergias a anestésicos devem ser informados com antecedência. A paciente vai para casa logo após o procedimento, com curativo e orientações. Em Curitiba, a equipe de cirurgia geral da Femi Saúde conduz a avaliação pré-operatória de forma individualizada, esclarecendo cada etapa para que a cirurgia seja realizada com segurança e tranquilidade.
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