Amamentação: primeiros dias e dificuldades comuns
Saiba o que esperar nos primeiros dias da amamentação, como garantir a pega correta e lidar com fissuras, ingurgitamento e mastite. Femi Saúde, Curitiba.

Amamentar é um processo natural, mas nem sempre é intuitivo, e os primeiros dias costumam ser os mais desafiadores. O bebê está aprendendo a mamar, o corpo da mãe está ajustando a produção de leite e a rotina ainda não se organizou. Dor, insegurança sobre a quantidade de leite e dúvidas sobre o que é normal são queixas frequentes, e a maioria tem solução com informação e apoio. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e complementado até os dois anos ou mais, e um bom começo faz muita diferença para alcançar esse objetivo.
O que acontece nos primeiros dias
Nos primeiros dois a três dias, a mama produz o colostro, um leite amarelado, espesso e em pequena quantidade, extremamente rico em anticorpos e proteínas. O volume é suficiente para o estômago do recém-nascido, que comporta poucos mililitros. A chamada descida do leite, ou apojadura, ocorre entre o terceiro e o quinto dia, quando as mamas ficam mais cheias, quentes e pesadas.
Amamentar na primeira hora de vida, ainda na sala de parto, e manter o bebê em livre demanda, oferecendo o peito sempre que ele mostrar sinais de fome, são as principais recomendações para estabelecer a produção. Recém-nascidos mamam de 8 a 12 vezes ao dia, inclusive à noite, e mamadas frequentes são a maneira de o corpo entender quanto leite produzir. É esperado que o bebê perca até 7% a 10% do peso de nascimento nos primeiros dias e o recupere em cerca de duas semanas. Seis ou mais fraldas molhadas por dia a partir do quinto dia são um bom sinal de que ele está recebendo leite suficiente.
Pega correta: a base para evitar dor
A maior parte das dificuldades iniciais tem origem na pega inadequada. Na pega correta, o bebê abocanha não apenas o mamilo, mas boa parte da aréola; a boca fica bem aberta, os lábios virados para fora, o queixo encosta na mama e o nariz fica livre. É comum ver mais aréola acima da boca do que abaixo. A sucção deve ser profunda e ritmada, com pausas para engolir, e não deve doer além de um desconforto leve nos primeiros segundos.
O posicionamento também importa: a mãe confortável, com apoio para as costas e os braços, e o bebê virado de frente para o corpo dela, barriga com barriga, com cabeça e tronco alinhados. Diferentes posições, como a tradicional, a invertida e a deitada, podem ser experimentadas até encontrar a mais confortável.
Fissuras e dor nos mamilos
Rachaduras nos mamilos aparecem quase sempre por pega incorreta ou por uso de bicos artificiais que confundem a sucção. O tratamento começa pela correção da pega. Enquanto isso, ajuda passar o próprio leite nos mamilos após as mamadas, deixar as mamas arejadas, evitar sabonetes e pomadas sem orientação e iniciar a mamada pela mama menos dolorida. Se a dor for intensa, ordenhar por algumas mamadas e oferecer o leite em copinho pode ser uma alternativa temporária, com orientação profissional.
Ingurgitamento mamário
Quando as mamas ficam muito cheias, endurecidas, brilhantes e doloridas, em geral por volta da descida do leite ou quando o bebê mama pouco, trata-se do ingurgitamento. A saída é esvaziar: mamadas frequentes, ordenha manual de um pouco de leite antes da mamada para amolecer a aréola e facilitar a pega, massagem suave e compressas frias entre as mamadas para reduzir o inchaço. Compressas quentes prolongadas não são recomendadas, pois podem aumentar a produção e o edema.
Ductos obstruídos e mastite
Um caroço dolorido e localizado na mama pode ser um ducto obstruído, que costuma resolver com mamadas frequentes começando pela mama afetada, variação de posições e massagem em direção ao mamilo. Se surgirem vermelhidão, calor, dor intensa, febre e mal-estar, o quadro pode ser mastite, uma inflamação que pode evoluir para infecção. A amamentação deve continuar, pois esvaziar a mama faz parte do tratamento, e a mulher precisa de avaliação médica, já que pode ser necessário antibiótico compatível com a amamentação.
"Leite fraco" e a preocupação com a quantidade
Não existe leite materno fraco: a composição se adapta às necessidades do bebê. A sensação de que o leite é insuficiente costuma vir de expectativas irreais sobre choro, intervalos entre mamadas e mamas que ficam mais macias quando a produção se regula. Os indicadores confiáveis são o ganho de peso acompanhado pelo pediatra e o número de fraldas molhadas. Quando a produção está realmente baixa, a causa mais comum é o esvaziamento insuficiente, e a solução é aumentar a frequência das mamadas e corrigir a pega. Complementos com fórmula, quando necessários, devem ser indicados pelo pediatra, pois reduzem o estímulo à mama.
Cuidados com a mãe e onde buscar apoio
A mulher que amamenta precisa de água, alimentação equilibrada e descanso, sem dietas restritivas. Medicamentos, inclusive fitoterápicos, devem ser verificados quanto à compatibilidade com o aleitamento antes do uso, e álcool e cigarro devem ser evitados. A rede de apoio, com companheiro, família e amigos assumindo tarefas, é o que garante tempo e energia para amamentar.
Em Curitiba, os bancos de leite humano e as unidades de saúde oferecem apoio gratuito às mães, e consultoras de amamentação, pediatras e obstetras podem avaliar a pega e as mamas em caso de dificuldade. A equipe de obstetrícia da Femi Saúde acompanha a amamentação desde as consultas do pré-natal, quando as mamas e as expectativas já podem ser avaliadas, até o retorno no puerpério.
Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Obstetrícia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.
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