Ganho de peso na gestação: quanto é saudável

Saiba quantos quilos é saudável ganhar na gravidez conforme o IMC, como o peso se distribui e como acompanhar no pré-natal. Femi Saúde, em Curitiba.

Clínica Femi Saúde
5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Gestante recebe acompanhamento de peso durante o pré-natal.

Ganhar peso durante a gravidez é esperado e necessário: o corpo precisa sustentar o crescimento do bebê, formar a placenta e o líquido amniótico e se preparar para o parto e a amamentação. A dúvida de muitas mulheres é quanto é adequado ganhar, já que tanto o excesso quanto a falta de peso estão ligados a complicações para a mãe e para o bebê. A resposta depende principalmente do peso com que a mulher iniciou a gestação. Entender as faixas de referência, o ritmo esperado e o que influencia esse número torna o acompanhamento do pré-natal mais claro e menos ansioso.

Para onde vai o peso ganho

Ao contrário do que se imagina, apenas uma parte do peso é gordura. Em uma gestação única a termo, a distribuição aproximada é:

  • Bebê: cerca de 3 a 3,5 kg.
  • Placenta: cerca de 0,5 a 0,7 kg.
  • Líquido amniótico: cerca de 0,8 a 1 kg.
  • Útero, que cresce muitas vezes de tamanho: cerca de 1 kg.
  • Mamas: cerca de 0,5 a 1 kg.
  • Aumento do volume de sangue e de líquidos corporais: cerca de 2 a 3 kg.
  • Reservas de gordura para a amamentação: cerca de 2 a 4 kg.

Isso explica por que boa parte do peso vai embora no parto e nas semanas seguintes, e por que as reservas de gordura são fisiológicas, e não um problema a ser evitado.

Quanto ganhar segundo o IMC inicial

A referência é o índice de massa corporal (IMC) antes da gravidez ou na primeira consulta de pré-natal. A recomendação internacional mais utilizada, adotada por diversas diretrizes, estabelece:

  • Baixo peso (IMC abaixo de 18,5): ganho total de 12,5 a 18 kg.
  • Peso adequado (IMC entre 18,5 e 24,9): ganho total de 11,5 a 16 kg.
  • Sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9): ganho total de 7 a 11,5 kg.
  • Obesidade (IMC de 30 ou mais): ganho total de 5 a 9 kg.

Mais recentemente, o Ministério da Saúde passou a adotar curvas construídas com dados de gestantes brasileiras, com faixas um pouco mais conservadoras, especialmente para mulheres com peso adequado, sobrepeso e obesidade. É essa referência que consta na Caderneta da Gestante e que o obstetra utiliza para acompanhar a evolução do peso a cada consulta. Em gestações gemelares, as metas são maiores e definidas caso a caso.

O ritmo esperado ao longo dos trimestres

O ganho não é uniforme. No primeiro trimestre, é comum ganhar pouco, entre 0,5 e 2 kg, e algumas mulheres até perdem peso por causa do enjoo, sem que isso represente problema. A partir do segundo trimestre, o ritmo aumenta e fica em torno de 0,3 a 0,5 kg por semana para mulheres com peso adequado, um pouco menos para quem começou com sobrepeso ou obesidade e um pouco mais para quem estava abaixo do peso. Ganhos súbitos, como mais de 1 kg em uma semana no fim da gestação, merecem avaliação, pois podem indicar retenção de líquidos associada a alterações da pressão arterial.

Por que o equilíbrio importa

O ganho excessivo está associado a maior risco de diabetes gestacional, hipertensão e pré-eclâmpsia, bebês grandes para a idade gestacional, dificuldades no trabalho de parto e cesárea, além de maior retenção de peso após o nascimento. Para o bebê, há relação com maior chance de obesidade na infância.

O ganho insuficiente, por outro lado, aumenta o risco de baixo peso ao nascer, prematuridade e restrição do crescimento, além de comprometer as reservas maternas para a amamentação. Por isso, dietas restritivas para emagrecer não são indicadas durante a gestação, mesmo para mulheres com obesidade: o objetivo é um ganho menor e controlado, com boa qualidade nutricional.

Alimentação: mais qualidade do que quantidade

A ideia de "comer por dois" não corresponde às necessidades reais. No primeiro trimestre, a necessidade de energia praticamente não muda. No segundo, o acréscimo é de cerca de 340 calorias por dia, e no terceiro, de aproximadamente 450, o equivalente a um lanche saudável. O que mais faz diferença é a composição das refeições:

  • Frutas, legumes e verduras variados, todos os dias.
  • Fontes de proteína como carnes magras, ovos, leguminosas e laticínios.
  • Grãos integrais e alimentos ricos em fibras, que também ajudam contra a constipação.
  • Água ao longo do dia.
  • Redução de ultraprocessados, bebidas açucaradas, frituras e excesso de sal.

Suplementos de ácido fólico e ferro, e eventualmente outros nutrientes, são orientados pelo obstetra conforme os exames.

Atividade física na gestação

Salvo contraindicação médica, a atividade física é recomendada: caminhadas, hidroginástica, pilates e musculação adaptada, por cerca de 150 minutos semanais em intensidade moderada, ajudam a controlar o ganho de peso, a glicemia e a pressão, além de melhorar o sono e a disposição. Quem já era ativa pode manter a prática com ajustes; quem não era pode começar de forma gradual, com liberação do obstetra.

Como o peso é acompanhado no pré-natal

A pesagem faz parte de toda consulta de pré-natal, e o resultado é registrado no gráfico de ganho de peso da Caderneta da Gestante. Esse gráfico permite ver a tendência ao longo das semanas, o que é mais útil do que um número isolado. Quando o ganho está fora do esperado, o obstetra investiga as causas, revisa a alimentação e, se necessário, encaminha para acompanhamento nutricional. Em Curitiba, a equipe de obstetrícia da Femi Saúde trabalha de forma integrada com a nutrição para que cada gestante receba orientações compatíveis com o próprio ponto de partida, sem metas irreais nem restrições desnecessárias.

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