Enjoo na gravidez: por que acontece e como aliviar
Entenda por que o enjoo na gravidez acontece, quando passa, o que ajuda a aliviar e quais sinais pedem avaliação. Orientações da Femi Saúde, em Curitiba.

O enjoo é um dos sintomas mais conhecidos do início da gravidez e atinge cerca de sete em cada dez gestantes. Apesar do nome popular de "enjoo matinal", ele pode aparecer em qualquer hora do dia, com ou sem vômitos, e variar muito de intensidade de uma mulher para outra. Na maioria dos casos é passageiro e não traz riscos para o bebê, mas pode atrapalhar bastante a rotina, o trabalho e a alimentação. Conhecer as causas, as medidas que costumam funcionar e os sinais que indicam a necessidade de avaliação médica ajuda a atravessar essa fase com mais conforto e segurança.
Por que o enjoo acontece
A causa exata ainda não é totalmente esclarecida, mas as mudanças hormonais têm papel central. O hCG, hormônio produzido pela placenta em formação, sobe rapidamente nas primeiras semanas e atinge o pico por volta da 9ª à 12ª semana, justamente o período em que o enjoo costuma ser mais intenso. O aumento do estrogênio e da progesterona também contribui, deixando o esvaziamento do estômago mais lento e o olfato mais sensível. Cansaço, estômago vazio, cheiros fortes e ansiedade podem intensificar o sintoma.
Gestações gemelares, histórico de enjoo em gravidez anterior, enxaqueca e tendência a náusea em viagens ou com anticoncepcionais estão associados a quadros mais intensos.
Quando costuma começar e passar
O enjoo geralmente surge entre a 5ª e a 6ª semana, piora até o fim do primeiro trimestre e melhora de forma gradual entre a 14ª e a 16ª semana. Uma parcela menor de mulheres continua com sintomas até a 20ª semana, e algumas até o fim da gestação. O fato de o enjoo ser mais intenso ou mais leve não indica nada sobre a saúde do bebê ou sobre o sexo, ao contrário do que dizem crenças populares.
Ajustes na alimentação que ajudam
Pequenas mudanças na rotina alimentar costumam ser a primeira linha de cuidado e funcionam para muitas gestantes:
- Fazer refeições pequenas e frequentes, a cada duas ou três horas, para evitar o estômago vazio.
- Comer algo seco, como biscoito de água e sal ou torrada, ainda na cama, antes de se levantar.
- Preferir alimentos frios ou em temperatura ambiente, que exalam menos cheiro.
- Evitar frituras, alimentos muito gordurosos, condimentados ou com odor forte.
- Beber líquidos em pequenos goles ao longo do dia, entre as refeições e não durante, para não encher demais o estômago.
- Experimentar gengibre em chá, água aromatizada ou bala, que tem evidência razoável de benefício.
Não existe uma lista universal: vale observar quais alimentos são mais bem tolerados e montar as refeições a partir deles, sem culpa por comer de forma diferente do habitual por algumas semanas.
Outras medidas do dia a dia
Descansar é importante, pois o cansaço agrava a náusea. Ambientes arejados, afastar-se de cheiros que incomodam e escovar os dentes um pouco depois das refeições, em vez de imediatamente, ajudam. Algumas mulheres se beneficiam da acupressão no ponto P6, na parte interna do punho, com pulseiras próprias para isso.
Suplementos com ferro tendem a piorar o enjoo. Se for o caso, o obstetra pode ajustar o horário da tomada, trocar a formulação ou adiar o início para o segundo trimestre, quando o sintoma costuma ter passado. O ácido fólico deve ser mantido.
Medicamentos: quando são indicados
Quando as medidas não farmacológicas não bastam e o enjoo interfere na alimentação ou na qualidade de vida, existem medicamentos seguros na gestação. A primeira opção recomendada pelas diretrizes é a vitamina B6 (piridoxina), isolada ou associada à doxilamina. Antieméticos como o dimenidrinato e a metoclopramida também podem ser prescritos, e a ondansetrona fica reservada a casos selecionados. Qualquer medicamento deve ser indicado pelo obstetra, que define a escolha e a duração conforme o quadro. Automedicação, mesmo com remédios de venda livre ou "naturais", deve ser evitada.
Hiperêmese gravídica: quando o enjoo é grave
Em cerca de 1% a 3% das gestações, os vômitos são tão persistentes que levam a desidratação, perda de peso e desequilíbrio de sais no organismo. Esse quadro é chamado de hiperêmese gravídica e exige tratamento médico, muitas vezes com hidratação venosa e, em alguns casos, internação. Os sinais de alerta são:
- Vômitos várias vezes ao dia, sem conseguir manter líquidos ou alimentos por 24 horas.
- Perda de peso superior a 5% do peso anterior à gravidez.
- Urina escura e em pouca quantidade, boca seca, tontura ou desmaio.
- Vômitos com sangue, dor abdominal intensa ou febre.
Diante desses sinais, a gestante deve procurar atendimento sem esperar a próxima consulta.
Quando conversar com o obstetra
Mesmo sem sinais de gravidade, o enjoo merece ser relatado em todas as consultas de pré-natal, porque interfere na nutrição, no sono e no bem-estar emocional. Náusea que começa depois da 16ª semana ou reaparece após ter melhorado precisa de avaliação, pois pode ter outras causas. Em Curitiba, a equipe de obstetrícia da Femi Saúde acompanha esse sintoma como parte da rotina do pré-natal, ajustando as orientações a cada fase para que a gestante atravesse o primeiro trimestre com mais conforto.
Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Obstetrícia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.
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