DIU dói para colocar? Mitos sobre a inserção
Inserir o DIU dói mesmo? Entenda o que esperar, como aliviar o desconforto e desfaça os mitos sobre a colocação.

O medo da dor é, de longe, o que mais afasta as mulheres do DIU. A boa notícia é que a experiência varia muito de pessoa para pessoa, costuma ser breve e, hoje, existem várias formas de tornar a inserção mais confortável. Entender o que esperar ajuda a separar o que é fato do que é mito e a tomar uma decisão tranquila sobre um dos métodos contraceptivos mais eficazes que existem.
O que se sente durante a colocação
A inserção do DIU dura poucos minutos e é feita no consultório. A maioria das pacientes relata uma cólica intensa e breve no momento em que o dispositivo passa pelo colo do útero, semelhante a uma cólica menstrual forte, que costuma aliviar logo em seguida. Algumas mulheres sentem pouco; outras, um pouco mais. Pode haver, ainda, um leve desconforto ou cólicas nas primeiras horas ou dias.
A intensidade depende de fatores como a sensibilidade individual, a ansiedade e características do próprio útero e colo. Por isso, não existe uma resposta única para "dói?" — existe a sua resposta, que pode e deve ser conversada antes do procedimento.
Como reduzir o desconforto
Em 2025, o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) atualizou as recomendações sobre manejo da dor em procedimentos ginecológicos de consultório, reforçando que as opções de alívio devem ser discutidas e oferecidas a toda paciente, com decisão compartilhada. Entre as estratégias com respaldo:
- Anestésicos locais, como spray de lidocaína, creme de lidocaína-prilocaína ou bloqueio paracervical com lidocaína, que ajudam a reduzir a dor durante a inserção
- Uso de analgésicos/anti-inflamatórios antes do procedimento, quando indicado pela médica
- Técnica cuidadosa, ambiente acolhedor e explicação passo a passo
- Respiração calma e relaxamento durante a inserção
- Em casos selecionados, outras opções podem ser discutidas individualmente
Vale lembrar que nenhuma medida elimina totalmente a sensação em todas as pacientes, mas o ponto central é que o controle da dor não é mais visto como detalhe: ele faz parte de um cuidado centrado na paciente.
Mito 1: "Quem nunca teve filho não pode colocar DIU"
Esse é o mito mais comum — e está incorreto. Tanto o DIU de cobre quanto os DIUs hormonais podem ser usados com segurança por mulheres que nunca engravidaram, incluindo adolescentes. Os Critérios Médicos de Elegibilidade da Organização Mundial da Saúde classificam a nuliparidade como situação em que as vantagens do DIU geralmente superam os riscos, ou seja, não a contraindicam, e o ACOG recomenda os métodos de longa duração (LARC) como primeira linha para a maioria das mulheres e adolescentes. A escolha do modelo é individualizada em consulta.
Mito 2: "O DIU sai do lugar fácil"
O deslocamento preocupa muitas pacientes, mas é incomum. A maior parte dos DIUs permanece corretamente posicionada por toda a sua validade. A expulsão (quando o dispositivo se desloca total ou parcialmente) acontece em uma minoria dos casos — nos estudos, em torno de poucos por cento no primeiro ano — e é mais provável nos primeiros meses, podendo ser um pouco maior em adolescentes. Por isso recomenda-se a checagem de rotina e procurar atendimento se houver cólica forte persistente, sangramento incomum ou se você não sentir os fios no lugar.
Por que o DIU vale o pequeno desconforto
Apesar do receio inicial, o DIU é mais de 99% eficaz na prevenção da gravidez e não depende de lembrar de tomar nada todo dia. As opções disponíveis no Brasil incluem:
- DIU de cobre (TCu380A): sem hormônios, age principalmente liberando íons de cobre que prejudicam o movimento dos espermatozoides e provocam uma reação local no útero, dificultando a fecundação; aprovado para uso de até cerca de 10 anos
- DIU hormonal Mirena (levonorgestrel 52 mg): libera hormônio localmente, espessa o muco cervical e afina o endométrio; com eficácia mantida por até 8 anos
- DIU hormonal Kyleena (levonorgestrel 19,5 mg): menor e com dose hormonal mais baixa, válido por 5 anos
Os DIUs hormonais costumam reduzir o fluxo e as cólicas ao longo do tempo, enquanto o de cobre pode, no início, aumentar discretamente o sangramento e as cólicas menstruais. Nenhuma dessas opções afeta a fertilidade a longo prazo: a capacidade de engravidar retorna após a retirada.
Conversando sem medo
A dor da inserção é real para algumas mulheres, mas costuma ser rápida e há recursos para torná-la mais suave. Mais importante do que o relato de outra pessoa é o seu plano de cuidado: na consulta, é possível avaliar qual DIU faz mais sentido para você, alinhar as estratégias de alívio da dor e tirar todas as dúvidas com calma. Decidir bem informada é o melhor caminho para uma experiência tranquila.
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