DIU dói para colocar? Mitos sobre a inserção

Inserir o DIU dói mesmo? Entenda o que esperar, como aliviar o desconforto e desfaça os mitos sobre a colocação.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Sala de exame de uma clínica ginecológica, limpa e iluminada, com maca de procedimento na cor verde-azulada, mesa de atendimento e cadeiras, transmitindo ambiente tranquilo e profissional

O medo da dor é, de longe, o que mais afasta as mulheres do DIU. A boa notícia é que a experiência varia muito de pessoa para pessoa, costuma ser breve e, hoje, existem várias formas de tornar a inserção mais confortável. Entender o que esperar ajuda a separar o que é fato do que é mito e a tomar uma decisão tranquila sobre um dos métodos contraceptivos mais eficazes que existem.

O que se sente durante a colocação

A inserção do DIU dura poucos minutos e é feita no consultório. A maioria das pacientes relata uma cólica intensa e breve no momento em que o dispositivo passa pelo colo do útero, semelhante a uma cólica menstrual forte, que costuma aliviar logo em seguida. Algumas mulheres sentem pouco; outras, um pouco mais. Pode haver, ainda, um leve desconforto ou cólicas nas primeiras horas ou dias.

A intensidade depende de fatores como a sensibilidade individual, a ansiedade e características do próprio útero e colo. Por isso, não existe uma resposta única para "dói?" — existe a sua resposta, que pode e deve ser conversada antes do procedimento.

Como reduzir o desconforto

Em 2025, o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG) atualizou as recomendações sobre manejo da dor em procedimentos ginecológicos de consultório, reforçando que as opções de alívio devem ser discutidas e oferecidas a toda paciente, com decisão compartilhada. Entre as estratégias com respaldo:

  • Anestésicos locais, como spray de lidocaína, creme de lidocaína-prilocaína ou bloqueio paracervical com lidocaína, que ajudam a reduzir a dor durante a inserção
  • Uso de analgésicos/anti-inflamatórios antes do procedimento, quando indicado pela médica
  • Técnica cuidadosa, ambiente acolhedor e explicação passo a passo
  • Respiração calma e relaxamento durante a inserção
  • Em casos selecionados, outras opções podem ser discutidas individualmente

Vale lembrar que nenhuma medida elimina totalmente a sensação em todas as pacientes, mas o ponto central é que o controle da dor não é mais visto como detalhe: ele faz parte de um cuidado centrado na paciente.

Mito 1: "Quem nunca teve filho não pode colocar DIU"

Esse é o mito mais comum — e está incorreto. Tanto o DIU de cobre quanto os DIUs hormonais podem ser usados com segurança por mulheres que nunca engravidaram, incluindo adolescentes. Os Critérios Médicos de Elegibilidade da Organização Mundial da Saúde classificam a nuliparidade como situação em que as vantagens do DIU geralmente superam os riscos, ou seja, não a contraindicam, e o ACOG recomenda os métodos de longa duração (LARC) como primeira linha para a maioria das mulheres e adolescentes. A escolha do modelo é individualizada em consulta.

Mito 2: "O DIU sai do lugar fácil"

O deslocamento preocupa muitas pacientes, mas é incomum. A maior parte dos DIUs permanece corretamente posicionada por toda a sua validade. A expulsão (quando o dispositivo se desloca total ou parcialmente) acontece em uma minoria dos casos — nos estudos, em torno de poucos por cento no primeiro ano — e é mais provável nos primeiros meses, podendo ser um pouco maior em adolescentes. Por isso recomenda-se a checagem de rotina e procurar atendimento se houver cólica forte persistente, sangramento incomum ou se você não sentir os fios no lugar.

Por que o DIU vale o pequeno desconforto

Apesar do receio inicial, o DIU é mais de 99% eficaz na prevenção da gravidez e não depende de lembrar de tomar nada todo dia. As opções disponíveis no Brasil incluem:

  • DIU de cobre (TCu380A): sem hormônios, age principalmente liberando íons de cobre que prejudicam o movimento dos espermatozoides e provocam uma reação local no útero, dificultando a fecundação; aprovado para uso de até cerca de 10 anos
  • DIU hormonal Mirena (levonorgestrel 52 mg): libera hormônio localmente, espessa o muco cervical e afina o endométrio; com eficácia mantida por até 8 anos
  • DIU hormonal Kyleena (levonorgestrel 19,5 mg): menor e com dose hormonal mais baixa, válido por 5 anos

Os DIUs hormonais costumam reduzir o fluxo e as cólicas ao longo do tempo, enquanto o de cobre pode, no início, aumentar discretamente o sangramento e as cólicas menstruais. Nenhuma dessas opções afeta a fertilidade a longo prazo: a capacidade de engravidar retorna após a retirada.

Conversando sem medo

A dor da inserção é real para algumas mulheres, mas costuma ser rápida e há recursos para torná-la mais suave. Mais importante do que o relato de outra pessoa é o seu plano de cuidado: na consulta, é possível avaliar qual DIU faz mais sentido para você, alinhar as estratégias de alívio da dor e tirar todas as dúvidas com calma. Decidir bem informada é o melhor caminho para uma experiência tranquila.

Quer saber mais sobre DIU? Conheça o tratamento de DIU na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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