Efeitos colaterais do DIU Mirena e Kyleena

Quais são os efeitos colaterais do DIU Mirena e do Kyleena? Veja o que é esperado nos primeiros meses, o que passa com o tempo e os sinais de alerta.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Mulher anota sintomas e datas para acompanhar a adaptação ao DIU hormonal.

Os DIUs hormonais Mirena e Kyleena estão entre os métodos contraceptivos mais eficazes e práticos que existem. Ainda assim, é natural querer saber quais são os efeitos colaterais do DIU Mirena e do Kyleena antes de decidir. A maioria dos efeitos é leve, previsível e concentrada nos primeiros meses. Conhecer o que é esperado — e o que merece atenção — ajuda você a passar pela adaptação com tranquilidade.

Como o DIU hormonal age

Mirena e Kyleena liberam levonorgestrel, um hormônio da família da progesterona, diretamente dentro do útero. Ele engrossa o muco do colo do útero e afina o endométrio. Como a ação é principalmente local, apenas uma pequena quantidade do hormônio chega à circulação — o que explica por que os efeitos no corpo como um todo costumam ser discretos. Veja o guia completo do DIU Mirena e o texto sobre o DIU Kyleena.

Efeitos colaterais mais comuns

Sangramento irregular e escapes

É o efeito mais frequente. Nos primeiros 3 a 6 meses, é comum ter escapes, sangramentos fora de hora ou menstruações irregulares, enquanto o endométrio se adapta. Depois desse período, o padrão tende a se estabilizar.

Menstruação reduzida ou ausente

Com o tempo, o fluxo costuma diminuir bastante, e muitas mulheres deixam de menstruar. Isso é esperado, seguro e reversível — não significa que o sangue "fica acumulado". A ausência de menstruação é mais frequente com o Mirena, que tem dose maior, do que com o Kyleena. Entenda melhor em DIU e menstruação.

Cólicas

Cólicas são comuns na inserção e nos primeiros dias, e podem aparecer de forma leve nas primeiras semanas. Com o tempo, muitas mulheres percebem até uma melhora das cólicas menstruais que tinham antes.

Efeitos hormonais

Em parte das usuárias, podem surgir:

  • Acne ou pele mais oleosa
  • Sensibilidade nas mamas
  • Dor de cabeça
  • Alterações de humor
  • Sensação de inchaço

Esses efeitos costumam ser leves e, muitas vezes, diminuem após os primeiros meses. Se persistirem ou incomodarem, vale conversar com a sua médica.

Cistos funcionais no ovário

Algumas mulheres desenvolvem cistos ovarianos funcionais durante o uso do DIU hormonal. Em geral, eles não causam sintomas e desaparecem sozinhos, sem necessidade de tratamento. São diferentes de cistos que precisam de acompanhamento — veja cisto no ovário é sempre grave?.

E o peso?

Os estudos não mostram ganho de peso significativo associado ao DIU hormonal quando comparado ao DIU de cobre. Explicamos em detalhes em DIU engorda? Mirena, Kyleena e DIU de cobre.

Complicações menos comuns

Além dos efeitos colaterais, existem complicações raras que vale conhecer:

  • Expulsão: o DIU pode sair parcial ou totalmente do útero, o que é mais provável nos primeiros meses após a inserção. Veja como perceber em como saber se o DIU saiu do lugar.
  • Perfuração do útero: é rara, em torno de 1 a cada 1.000 inserções, e geralmente ligada ao momento da colocação.
  • Infecção: há um pequeno aumento do risco de infecção pélvica nas primeiras semanas após a inserção; depois, o risco volta ao habitual.
  • Gravidez: é muito rara com o DIU hormonal. Mas, se acontecer, há maior chance de ser uma gravidez ectópica (fora do útero) — por isso, qualquer suspeita de gravidez deve ser avaliada rapidamente.

Quais efeitos são temporários?

De forma geral:

  • Tendem a passar: escapes e sangramento irregular, cólicas iniciais, sensibilidade nas mamas, sensação de inchaço
  • Tendem a permanecer enquanto você usa: redução ou ausência da menstruação — o que, para muitas mulheres, é uma vantagem
  • Variam de pessoa para pessoa: acne, dor de cabeça e alterações de humor

Mirena ou Kyleena: os efeitos são diferentes?

Os dois têm o mesmo hormônio, mas em doses diferentes:

  • Mirena: dose maior, até 8 anos de proteção contraceptiva; reduz mais o fluxo e é também usado para tratar sangramento menstrual intenso
  • Kyleena: dose menor e dispositivo um pouco menor, até 5 anos de proteção; a menstruação tende a continuar, embora mais leve, com mais frequência

Na prática, a escolha depende do seu padrão menstrual, da sua sensibilidade a hormônios e do tempo de uso desejado.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento

Procure avaliação médica se você tiver:

  • Dor pélvica intensa ou diferente do habitual
  • Febre ou corrimento com cheiro forte
  • Sangramento muito intenso
  • Dor na relação sexual que não existia antes
  • Não sentir os fios ou sentir uma parte rígida do DIU
  • Atraso menstrual com sintomas de gravidez, especialmente se você ainda menstruava com o DIU

Perguntas frequentes

Os efeitos colaterais aparecem logo? Os mais comuns, como escapes e cólicas, aparecem nas primeiras semanas e tendem a melhorar em até 6 meses.

Posso tirar o DIU se não me adaptar? Sim. A retirada é simples e pode ser feita a qualquer momento, em consultório.

Ficar sem menstruar faz mal? Não. Com o DIU hormonal, o endométrio fica fino e não há sangue acumulado.

Todo método tem um período de adaptação, e o acompanhamento faz diferença. Se você usa ou pensa em usar o Mirena ou o Kyleena, uma consulta ginecológica é o espaço ideal para esclarecer dúvidas e alinhar expectativas.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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