DIU e menstruação: o que esperar de cada tipo

Veja como o DIU hormonal e o de cobre afetam a menstruação: fluxo, cólicas e mudanças ao longo do tempo.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Mulher tranquila de olhos fechados em um quarto iluminado pela luz natural, transmitindo calma e bem-estar

O DIU (dispositivo intrauterino) é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis, com taxa de falha inferior a 1% ao ano. Mas uma dúvida muito comum no consultório é: o que vai acontecer com a minha menstruação? A resposta depende diretamente do tipo de DIU escolhido. Entender essas diferenças com antecedência ajuda a viver a adaptação com mais tranquilidade e a saber distinguir o que é esperado do que merece atenção.

Os tipos de DIU disponíveis no Brasil

Existem dois grandes grupos, com mecanismos e efeitos menstruais distintos:

  • DIU hormonal (com levonorgestrel): o Mirena (52 mg, com eficácia mantida por cerca de 8 anos) e o Kyleena (19,5 mg, indicado por 5 anos). Eles liberam o hormônio progestagênio localmente no útero, o que afina o endométrio (a camada interna do útero) e espessa o muco do colo, dificultando a passagem dos espermatozoides.
  • DIU de cobre (TCu380A): sem hormônios, dura até 10 anos, com evidências que apoiam o uso por até 12 anos. Os íons de cobre criam um ambiente uterino que torna os espermatozoides inviáveis, impedindo a fecundação.

Ambos preservam a fertilidade, que costuma retornar logo após a retirada.

DIU hormonal: tendência a reduzir o fluxo

O efeito mais marcante do DIU hormonal é a redução progressiva do sangramento. Como o endométrio fica mais fino, a menstruação tende a diminuir bastante ao longo dos meses. Com o DIU de levonorgestrel de 52 mg, a amenorreia (ausência de menstruação) ocorre em cerca de 1 em cada 5 mulheres ao final do primeiro ano de uso, e essa proporção tende a aumentar com o tempo de uso; com o de 19,5 mg, esse percentual é menor (em torno de 12%). É importante saber que parar de menstruar com o DIU hormonal é seguro: não significa que o sangue está "acumulando", mas sim que o revestimento uterino está menos espesso.

Nos primeiros 3 a 6 meses, porém, é comum haver sangramento irregular, em borra ou pequenos escapes (spotting). Esse padrão costuma melhorar com o tempo. Por reduzir o fluxo, o DIU hormonal de 52 mg também é usado no tratamento de mulheres com sangramento menstrual intenso.

DIU de cobre: o ciclo continua, e pode ficar mais intenso

O DIU de cobre não interfere nos hormônios, por isso a ovulação e o ciclo menstrual seguem o ritmo natural do corpo. A contrapartida é que ele pode tornar a menstruação mais intensa e mais longa, além de aumentar as cólicas, principalmente nos primeiros meses.

Isso acontece porque o cobre provoca uma reação inflamatória local que eleva substâncias chamadas prostaglandinas. A boa notícia é que, na maioria dos casos, há uma adaptação ao longo dos primeiros 3 a 6 meses, com tendência de redução das cólicas e do sangramento irregular conforme o corpo se ajusta. Ainda assim, o fluxo menstrual pode permanecer um pouco mais intenso ou mais longo do que era antes da colocação — o que costuma ser bem tolerado, mas merece avaliação se incomodar.

E os mitos? Deslocamento e uso em quem nunca teve filhos

Dois receios são frequentes e merecem esclarecimento:

  • "O DIU pode se deslocar": a expulsão (saída espontânea do dispositivo) existe, mas é incomum e mais provável nos primeiros meses após a inserção. Atividades do dia a dia e a relação sexual, por si só, não deslocam o DIU. Mesmo assim, recomenda-se atenção a sinais como cólica intensa que não melhora, sumiço do fio ou dor, e as consultas de acompanhamento ajudam a confirmar o posicionamento.
  • "Quem nunca engravidou não pode usar": isso não é verdade. Tanto adolescentes quanto nuligestas (mulheres que nunca tiveram filhos) podem usar DIU com segurança, segundo a FEBRASGO e os critérios de elegibilidade da OMS. A inserção é um procedimento rápido, feito em consultório, que pode causar cólica passageira no momento.

Quando procurar a clínica

A maioria das mudanças menstruais nos primeiros meses é esperada e transitória. Ainda assim, vale buscar avaliação se você notar:

  • Sangramento muito intenso ou prolongado, que não melhora
  • Cólicas fortes e persistentes
  • Atraso menstrual com suspeita de gravidez
  • Dor pélvica importante, febre ou desaparecimento do fio do DIU

Escolher entre o DIU hormonal e o de cobre é uma decisão individual, que leva em conta seu padrão menstrual, suas preferências e seu histórico de saúde. Não existe "melhor" universal: existe o mais adequado para você. Em uma consulta, é possível esclarecer dúvidas, avaliar contraindicações e decidir com calma o caminho que faz mais sentido para o seu corpo e o seu momento de vida.

Quer saber mais sobre DIU? Conheça o tratamento de DIU na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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