DIU e menstruação: o que esperar de cada tipo
Veja como o DIU hormonal e o de cobre afetam a menstruação: fluxo, cólicas e mudanças ao longo do tempo.

O DIU (dispositivo intrauterino) é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis, com taxa de falha inferior a 1% ao ano. Mas uma dúvida muito comum no consultório é: o que vai acontecer com a minha menstruação? A resposta depende diretamente do tipo de DIU escolhido. Entender essas diferenças com antecedência ajuda a viver a adaptação com mais tranquilidade e a saber distinguir o que é esperado do que merece atenção.
Os tipos de DIU disponíveis no Brasil
Existem dois grandes grupos, com mecanismos e efeitos menstruais distintos:
- DIU hormonal (com levonorgestrel): o Mirena (52 mg, com eficácia mantida por cerca de 8 anos) e o Kyleena (19,5 mg, indicado por 5 anos). Eles liberam o hormônio progestagênio localmente no útero, o que afina o endométrio (a camada interna do útero) e espessa o muco do colo, dificultando a passagem dos espermatozoides.
- DIU de cobre (TCu380A): sem hormônios, dura até 10 anos, com evidências que apoiam o uso por até 12 anos. Os íons de cobre criam um ambiente uterino que torna os espermatozoides inviáveis, impedindo a fecundação.
Ambos preservam a fertilidade, que costuma retornar logo após a retirada.
DIU hormonal: tendência a reduzir o fluxo
O efeito mais marcante do DIU hormonal é a redução progressiva do sangramento. Como o endométrio fica mais fino, a menstruação tende a diminuir bastante ao longo dos meses. Com o DIU de levonorgestrel de 52 mg, a amenorreia (ausência de menstruação) ocorre em cerca de 1 em cada 5 mulheres ao final do primeiro ano de uso, e essa proporção tende a aumentar com o tempo de uso; com o de 19,5 mg, esse percentual é menor (em torno de 12%). É importante saber que parar de menstruar com o DIU hormonal é seguro: não significa que o sangue está "acumulando", mas sim que o revestimento uterino está menos espesso.
Nos primeiros 3 a 6 meses, porém, é comum haver sangramento irregular, em borra ou pequenos escapes (spotting). Esse padrão costuma melhorar com o tempo. Por reduzir o fluxo, o DIU hormonal de 52 mg também é usado no tratamento de mulheres com sangramento menstrual intenso.
DIU de cobre: o ciclo continua, e pode ficar mais intenso
O DIU de cobre não interfere nos hormônios, por isso a ovulação e o ciclo menstrual seguem o ritmo natural do corpo. A contrapartida é que ele pode tornar a menstruação mais intensa e mais longa, além de aumentar as cólicas, principalmente nos primeiros meses.
Isso acontece porque o cobre provoca uma reação inflamatória local que eleva substâncias chamadas prostaglandinas. A boa notícia é que, na maioria dos casos, há uma adaptação ao longo dos primeiros 3 a 6 meses, com tendência de redução das cólicas e do sangramento irregular conforme o corpo se ajusta. Ainda assim, o fluxo menstrual pode permanecer um pouco mais intenso ou mais longo do que era antes da colocação — o que costuma ser bem tolerado, mas merece avaliação se incomodar.
E os mitos? Deslocamento e uso em quem nunca teve filhos
Dois receios são frequentes e merecem esclarecimento:
- "O DIU pode se deslocar": a expulsão (saída espontânea do dispositivo) existe, mas é incomum e mais provável nos primeiros meses após a inserção. Atividades do dia a dia e a relação sexual, por si só, não deslocam o DIU. Mesmo assim, recomenda-se atenção a sinais como cólica intensa que não melhora, sumiço do fio ou dor, e as consultas de acompanhamento ajudam a confirmar o posicionamento.
- "Quem nunca engravidou não pode usar": isso não é verdade. Tanto adolescentes quanto nuligestas (mulheres que nunca tiveram filhos) podem usar DIU com segurança, segundo a FEBRASGO e os critérios de elegibilidade da OMS. A inserção é um procedimento rápido, feito em consultório, que pode causar cólica passageira no momento.
Quando procurar a clínica
A maioria das mudanças menstruais nos primeiros meses é esperada e transitória. Ainda assim, vale buscar avaliação se você notar:
- Sangramento muito intenso ou prolongado, que não melhora
- Cólicas fortes e persistentes
- Atraso menstrual com suspeita de gravidez
- Dor pélvica importante, febre ou desaparecimento do fio do DIU
Escolher entre o DIU hormonal e o de cobre é uma decisão individual, que leva em conta seu padrão menstrual, suas preferências e seu histórico de saúde. Não existe "melhor" universal: existe o mais adequado para você. Em uma consulta, é possível esclarecer dúvidas, avaliar contraindicações e decidir com calma o caminho que faz mais sentido para o seu corpo e o seu momento de vida.
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