DIU na adolescência e para quem nunca engravidou
Adolescentes e mulheres que nunca engravidaram podem usar DIU? Entenda a segurança e os benefícios do método.

Ainda é comum ouvir que o DIU "não serve" para adolescentes ou para quem nunca engravidou. Essa ideia é um mito que persiste mesmo depois de muitos estudos mostrarem o contrário. Hoje, as principais sociedades médicas consideram o DIU uma das melhores opções de contracepção justamente para mulheres jovens e para as nuligestas (que nunca tiveram filhos). Neste texto, explicamos por que ele é seguro nessas situações, quais são os tipos disponíveis e como funciona a inserção, sempre com a ressalva de que a escolha do melhor método é individual e deve ser feita em consulta.
Por que o DIU é recomendado também para jovens e nuligestas
Entidades como a FEBRASGO e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) recomendam os métodos de longa duração — DIU de cobre, DIU hormonal e implante — como opção de primeira linha para adolescentes, sejam elas nuligestas ou não. O motivo é prático: esses métodos têm eficácia muito alta, boa continuidade de uso e dependem pouco da rotina diária.
A Organização Mundial da Saúde, em seus Critérios Médicos de Elegibilidade, classifica ter idade jovem (a partir da primeira menstruação) e não ter tido filhos como situações de categoria 2 — ou seja, condições em que as vantagens de usar o DIU geralmente superam os riscos, sem que idade ou ausência de gravidez prévia sejam, por si só, contraindicações.
Quais DIUs existem no Brasil
Há três opções principais, todas com eficácia acima de 99%:
- DIU de cobre (TCu380A): sem hormônio, age principalmente tornando o ambiente uterino hostil aos espermatozoides. Dura cerca de 10 anos (com evidência de eficácia que pode chegar a 12 anos). Pode tornar as menstruações um pouco mais intensas ou cólicas, sobretudo nos primeiros meses.
- DIU hormonal Mirena (levonorgestrel 52 mg): libera o hormônio localmente, espessando o muco do colo do útero e afinando o endométrio; com frequência reduz muito o fluxo menstrual. Aprovado para contracepção por até 8 anos.
- DIU hormonal Kyleena (levonorgestrel 19,5 mg): tem dose hormonal e reservatório menores, com duração de até 5 anos — uma alternativa pensada também para quem nunca engravidou.
A escolha entre cobre e hormonal depende do seu padrão menstrual, da preferência por um método com ou sem hormônio e de avaliação clínica.
Vantagens para esse público
- Eficácia que não depende de memória: por não exigir uso diário, evita as falhas comuns de esquecimento da pílula.
- Longa duração com um único procedimento.
- Opções variadas: sem hormônio (cobre) ou com dose hormonal baixa (Kyleena), conforme o que faz mais sentido para você.
- Reversível: ao retirar o DIU, a fertilidade tende a retornar rapidamente, preservando a possibilidade de engravidar no futuro.
E a inserção dói? Como é feita
A inserção é um procedimento de consultório, geralmente rápido. Em mulheres que nunca engravidaram, é comum sentir cólica ou desconforto moderado durante a colocação — algo esperado e temporário. A ginecologista usa técnica cuidadosa e pode oferecer estratégias para reduzir o incômodo; entre elas, o anestésico local (como bloqueio paracervical ou lidocaína) tem o melhor respaldo na evidência atual. Nuliparidade não é contraindicação nem aumenta, por si só, o risco de expulsão do dispositivo.
Vale lembrar que o DIU não protege contra infecções sexualmente transmissíveis. Por isso, o preservativo continua sendo importante para quem deseja se proteger de ISTs, mesmo já usando o DIU como contracepção.
Mitos que vale desfazer
- "O DIU se desloca com facilidade." A expulsão é incomum e, quando ocorre, costuma ser nos primeiros meses; o acompanhamento ajuda a identificar isso. Ela tende a ser um pouco mais frequente em adolescentes do que em mulheres mais velhas, mas segue sendo um evento pouco comum e não contraindica o método.
- "Causa infertilidade." Não há evidência de que o DIU comprometa a fertilidade futura. Após a retirada, a capacidade de engravidar tende a voltar logo.
- "Só serve para quem já teve filhos." Como vimos, o método é indicado e seguro também para nuligestas e adolescentes.
Se você é adolescente ou nunca engravidou e está pensando em um método contraceptivo eficaz e prático, o DIU pode ser uma excelente alternativa. O mais importante é conversar com sua ginecologista, esclarecer suas dúvidas e avaliar, em conjunto, qual opção combina com o seu corpo, sua rotina e seus planos. Estamos aqui para acolher você nessa decisão com calma e informação de qualidade.
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