Dor na relação sexual (dispareunia): causas e tratamento

Sentir dor na relação sexual não é normal. Conheça as causas da dispareunia — de ressecamento e infecções a endometriose e vaginismo — e os tratamentos disponíveis.

4 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Mulher, acompanhada de sua parceria, conversa com uma profissional sobre dor e bem-estar.

Sentir dor na relação sexual é mais comum do que se imagina — e, mesmo assim, muitas mulheres demoram anos para falar sobre isso. A dor durante ou após a relação tem nome médico: dispareunia. E o mais importante: ela não é normal e quase sempre tem uma causa que pode ser identificada e tratada. Entenda os tipos de dor, as causas mais frequentes e os caminhos de tratamento.

O que é dispareunia

Dispareunia é a dor genital persistente ou recorrente antes, durante ou depois da relação sexual. Ela pode acontecer desde a primeira relação ou aparecer depois de anos sem problemas, e pode afetar qualquer fase da vida — da juventude à menopausa.

Dor na entrada ou dor profunda?

Uma pista importante para descobrir a causa é onde a dor aparece:

  • Dor superficial (na entrada da vagina): sentida no início da penetração, como ardência, queimação ou sensação de "machucado".
  • Dor profunda: sentida no fundo, com a penetração mais profunda ou em determinadas posições, às vezes como uma cólica que persiste depois da relação.

Causas da dor na entrada da vagina

  • Lubrificação insuficiente, por pouco tempo de estímulo, ansiedade ou baixa excitação
  • Ressecamento vaginal ligado a alterações hormonais — na menopausa, na amamentação ou com alguns medicamentos
  • Infecções, como candidíase, vaginose e herpes genital
  • Vaginismo, a contração involuntária dos músculos da entrada da vagina — veja o guia completo sobre vaginismo
  • Vulvodínia, uma dor crônica na vulva sem causa visível
  • Dermatoses, como o líquen escleroso
  • Cicatrizes de parto, de episiotomia ou de cirurgias na região
  • Inflamação da glândula de Bartholin — veja bartolinite

Causas da dor profunda

  • Endometriose, uma das principais causas de dor profunda na relação — saiba mais em endometriose
  • Adenomiose e miomas
  • Cistos ovarianos
  • Doença inflamatória pélvica e aderências de infecções ou cirurgias anteriores
  • Condições da bexiga e do intestino, como cistite intersticial e síndrome do intestino irritável
  • Tensão dos músculos do assoalho pélvico

O papel do emocional

Ansiedade, estresse, problemas no relacionamento, experiências traumáticas e o próprio medo da dor podem intensificar a dor — e a dor, por sua vez, aumenta a ansiedade. Reconhecer esse ciclo não significa que a dor "é psicológica": significa que o cuidado precisa olhar para o corpo e para as emoções ao mesmo tempo.

Como é feito o diagnóstico

A consulta começa com perguntas sobre quando e onde a dor aparece, há quanto tempo, se houve mudanças recentes (parto, menopausa, novos medicamentos) e outros sintomas, como cólicas intensas ou alterações urinárias e intestinais.

O exame ginecológico é feito com cuidado e respeito ao seu conforto, e pode incluir exames da secreção vaginal. Dependendo da suspeita, a médica pode pedir ultrassom transvaginal ou outros exames de imagem.

Tratamento

O tratamento depende da causa — e, muitas vezes, combina mais de uma abordagem:

  • Lubrificantes e hidratantes vaginais, para ressecamento e desconforto
  • Estrogênio vaginal em baixa dose, quando o ressecamento é hormonal, como na menopausa
  • Tratamento de infecções, com o medicamento adequado para cada caso
  • Fisioterapia pélvica, para vaginismo, tensão muscular e dor na cicatriz — veja para que serve a fisioterapia pélvica
  • Tratamento da endometriose, com medicamentos ou cirurgia, conforme o caso
  • Terapia sexual ou psicoterapia, quando há ansiedade, medo ou trauma envolvidos
  • Em casos selecionados, tecnologias como o laser vaginal, cuja indicação e limitações devem ser discutidas com a ginecologista

O que você pode fazer desde já

  • Não force a relação quando houver dor: isso reforça o ciclo de tensão
  • Invista em mais tempo de estímulo antes da penetração
  • Use lubrificante à base de água ou de silicone
  • Experimente posições que permitam controlar a profundidade
  • Converse com a parceria sobre o que está sentindo

Quando procurar a ginecologista

Sempre que a dor se repetir. Procure atendimento o quanto antes se ela vier acompanhada de sangramento após a relação, corrimento com cheiro forte, febre, dor pélvica fora da relação ou cólicas menstruais muito intensas.

Dor na relação não é algo com que você precise conviver. Com uma avaliação cuidadosa, é possível descobrir a causa e construir um tratamento que devolva o conforto e o prazer à sua vida sexual.

Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Ginecologia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

Tags:

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Dra. Vanessa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Vanessa AmorosoGinecologista e Mastologista · CRM-PR 29.243 · RQE 18.893

A Dra. Vanessa Amoroso é ginecologista e mastologista e Diretora Médica da Clínica Femi Saúde. Sua abordagem é completa e acolhedora: acompanha a saúde da mulher com consultas de rotina, exames preventivos e aconselhamento sobre métodos anticoncepcionais, como DIU e implantes. É especialista em estética íntima e ginecologia regenerativa, que utiliza tecnologias modernas para restaurar e revitalizar a saúde vaginal. Realiza tratamentos com laser e radiofrequência e cirurgias íntimas que devolvem conforto e autoestima, e trata a incontinência urinária de forma eficaz e minimamente invasiva. Na ginecologia endócrina, oferece suporte para questões hormonais, como menopausa e síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), e acompanha questões de sexualidade, ajudando a melhorar a qualidade de vida em todas as fases. Na mastologia, dedica-se à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de condições como nódulos, cistos e dores mamárias, incluindo cirurgias de reconstrução mamária — sempre com o objetivo de devolver às pacientes não apenas a saúde, mas também a confiança e o bem-estar.

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