Pré-eclâmpsia: sinais de alerta, riscos e prevenção
Conheça os sinais de alerta da pré-eclâmpsia, quem tem mais risco, as complicações possíveis e como o pré-natal ajuda a prevenir. Femi Saúde, em Curitiba.

A pré-eclâmpsia é uma complicação da gestação caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20ª semana, geralmente acompanhado de perda de proteína na urina ou de sinais de comprometimento de órgãos como fígado, rins e sistema nervoso. No Brasil, as síndromes hipertensivas estão entre as principais causas de morte materna, o que torna o tema prioritário no pré-natal. A boa notícia é que a maioria dos casos pode ser identificada cedo com medidas simples, como a aferição da pressão em toda consulta, e que existem estratégias eficazes de prevenção para mulheres com maior risco. Conhecer os sinais de alerta é parte essencial desse cuidado.
O que é e por que acontece
A pré-eclâmpsia tem origem na formação inadequada da placenta nas primeiras semanas de gestação. Os vasos que levam sangue ao útero não se adaptam como deveriam, e a placenta libera substâncias que afetam o revestimento dos vasos sanguíneos de todo o corpo da mãe. O resultado é o aumento da pressão arterial, definido como valores iguais ou superiores a 140 por 90 mmHg em duas medidas, e alterações que podem atingir rins, fígado, sangue, cérebro e o próprio crescimento do bebê. Ela ocorre em cerca de 3% a 8% das gestações, com frequência maior no Brasil do que em países de alta renda.
A condição pode surgir a qualquer momento após a 20ª semana, durante o parto e até seis semanas depois do nascimento, o que justifica atenção também no puerpério.
Quem tem mais risco
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver pré-eclâmpsia:
- Primeira gestação ou primeira gestação com um novo parceiro.
- Pré-eclâmpsia em gravidez anterior ou histórico familiar em mãe ou irmã.
- Hipertensão crônica, diabetes, doença renal ou doenças autoimunes, como lúpus e síndrome antifosfolípide.
- Obesidade antes da gravidez.
- Idade acima de 35 anos ou abaixo de 18.
- Gestação de gêmeos ou obtida por reprodução assistida.
- Intervalo superior a dez anos desde a última gestação.
Esses fatores são avaliados na primeira consulta de pré-natal, e o rastreamento pode ser complementado pelo Doppler das artérias uterinas no ultrassom morfológico do primeiro trimestre.
Sinais de alerta que exigem atendimento
Muitas mulheres com pré-eclâmpsia não sentem nada, e por isso a medida da pressão em todas as consultas é indispensável. Quando há sintomas, eles indicam que a doença pode estar avançando e pedem avaliação imediata, sem esperar a consulta seguinte:
- Dor de cabeça forte e persistente, que não melhora com analgésicos comuns.
- Alterações visuais: visão embaçada, pontos brilhantes, manchas escuras ou sensibilidade à luz.
- Dor na parte superior do abdome, especialmente do lado direito ou na "boca do estômago".
- Náuseas e vômitos que surgem na segunda metade da gestação.
- Inchaço súbito no rosto, nas mãos ou ao redor dos olhos, ou ganho de peso rápido em poucos dias.
- Falta de ar, dor no peito ou redução acentuada da quantidade de urina.
- Diminuição dos movimentos do bebê.
Inchaço nas pernas e nos pés, isoladamente, é comum no fim da gravidez e não indica pré-eclâmpsia, mas deve ser mencionado ao obstetra.
Riscos para a mãe e para o bebê
Sem diagnóstico e manejo adequados, a pré-eclâmpsia pode evoluir para eclâmpsia, com convulsões, e para a síndrome HELLP, que envolve destruição de glóbulos vermelhos, alteração das enzimas do fígado e queda das plaquetas. Também aumenta o risco de descolamento prematuro da placenta, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e edema pulmonar. Para o bebê, as principais consequências são a restrição do crescimento, a redução do líquido amniótico e a prematuridade, quando o parto precisa ser antecipado.
A longo prazo, mulheres que tiveram pré-eclâmpsia apresentam maior risco de hipertensão e doença cardiovascular, e por isso merecem acompanhamento clínico após a gestação.
Como é feito o diagnóstico e o acompanhamento
Além da pressão arterial, o obstetra solicita exames de urina para quantificar a proteína e exames de sangue que avaliam plaquetas, função renal e hepática. O bem-estar do bebê é acompanhado com ultrassom, Doppler e, no fim da gestação, cardiotocografia. Conforme a gravidade, o acompanhamento pode ser ambulatorial, com consultas mais frequentes, ou hospitalar.
Prevenção: o que realmente funciona
Para gestantes com risco aumentado, as diretrizes da FEBRASGO e do Ministério da Saúde recomendam o uso de ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciado de preferência entre a 12ª e a 16ª semana e mantido até perto do parto. A suplementação de cálcio é indicada para mulheres com baixa ingestão do mineral na alimentação. A escolha e o esquema desses medicamentos cabem ao obstetra.
Também contribuem para reduzir o risco: iniciar o pré-natal cedo, manter atividade física regular, controlar o ganho de peso e tratar adequadamente doenças prévias, como hipertensão e diabetes. Repouso absoluto e restrição de sal não têm comprovação como medidas preventivas.
Tratamento e o que esperar
O tratamento definitivo da pré-eclâmpsia é o nascimento do bebê, e o momento é definido pelo equilíbrio entre a gravidade do quadro e a maturidade fetal. Enquanto isso, a pressão é controlada com medicamentos seguros na gestação e, nos casos graves, o sulfato de magnésio é usado para prevenir convulsões. Depois do parto, a pressão continua sendo monitorada por algumas semanas. Em Curitiba, a equipe de obstetrícia da Femi Saúde inclui o rastreamento da pré-eclâmpsia na rotina do pré-natal e orienta cada gestante sobre os sinais que exigem contato imediato.
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