Histerectomia total: indicações, tipos e recuperação

Histerectomia é a retirada do útero. Veja os tipos, as vias de cirurgia, quando é indicada, as alternativas, a recuperação e o que muda depois.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Mulher repousa em casa com apoio de um familiar durante a recuperação cirúrgica.

A histerectomia é a cirurgia de retirada do útero — uma das cirurgias ginecológicas mais realizadas no mundo. Quando a médica fala em histerectomia total, muitas dúvidas surgem ao mesmo tempo: os ovários também são retirados? Vou entrar na menopausa? Como fica a vida sexual? Quanto tempo leva a recuperação?

Neste guia, explicamos os tipos de histerectomia, as vias de acesso, quando ela é indicada, quais alternativas existem e o que esperar do pós-operatório. A decisão por essa cirurgia é importante e deve ser tomada com informação e sem pressa.

Tipos de histerectomia

  • Histerectomia total: retira o útero e o colo do útero. É o tipo mais comum.
  • Histerectomia subtotal (ou supracervical): retira o corpo do útero, preservando o colo.
  • Histerectomia radical: retira o útero, o colo, parte da vagina e tecidos ao redor. É indicada em alguns casos de câncer ginecológico.

E os ovários e as trompas?

"Histerectomia total" se refere ao útero e ao colo — não significa, necessariamente, a retirada dos ovários. São decisões diferentes:

  • Trompas: muitas vezes são retiradas junto com o útero (salpingectomia), o que pode reduzir o risco de alguns tipos de câncer de ovário.
  • Ovários: podem ser preservados ou retirados (ooforectomia), conforme a idade, a doença e o risco individual.

A diferença é importante: quando os ovários são preservados, eles continuam produzindo hormônios, e a mulher não entra na menopausa por causa da cirurgia. Quando os ovários são retirados antes da menopausa, ocorre a chamada menopausa cirúrgica, com sintomas que podem ser intensos e exigir acompanhamento — saiba mais em menopausa precoce.

Vias de acesso

  • Laparoscópica (minimamente invasiva): feita por pequenos cortes no abdome, com câmera. Costuma oferecer menos dor, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.
  • Vaginal: o útero é retirado pela vagina, sem cortes no abdome. É muito usada quando há prolapso.
  • Abdominal (aberta): por um corte no abdome, indicada em úteros muito grandes ou situações específicas.
  • Robótica: uma forma de cirurgia minimamente invasiva assistida por robô, disponível em alguns centros.

A escolha da via depende do tamanho do útero, da doença, de cirurgias anteriores e da experiência da equipe.

Quando a histerectomia é indicada

As principais indicações são:

Existem alternativas?

Em muitos casos, sim — e elas costumam ser consideradas antes da histerectomia, especialmente em mulheres que desejam preservar o útero ou engravidar. Entre as alternativas estão medicamentos hormonais, o DIU hormonal, a histeroscopia cirúrgica para retirar pólipos e miomas submucosos, a miomectomia (retirada apenas dos miomas), a ablação endometrial e tratamentos de fisioterapia pélvica ou pessários no prolapso.

A histerectomia é uma decisão definitiva: depois dela, não é possível engravidar. Por isso, vale conversar com calma sobre todas as opções.

Como é a recuperação

O tempo de recuperação depende da via da cirurgia e de cada organismo. Como referência geral:

  • Internação: em cirurgias minimamente invasivas, costuma ser curta, muitas vezes de um dia.
  • Primeiros dias: dor controlada com medicação, cansaço e pequeno sangramento vaginal são esperados. Caminhar dentro de casa ajuda na recuperação.
  • Atividades leves e trabalho sem esforço físico: em geral, após algumas semanas.
  • Relações sexuais, exercícios intensos e levantamento de peso: costumam ser liberados após cerca de 6 semanas, conforme a avaliação no retorno.

Procure a equipe se tiver febre, sangramento intenso, dor que não melhora com a medicação, dificuldade para urinar ou corrimento com mau cheiro.

E depois da histerectomia?

  • Menstruação: deixa de acontecer, porque não há mais útero.
  • Gravidez: não é mais possível.
  • Hormônios: se os ovários foram preservados, continuam funcionando até a menopausa natural.
  • Vida sexual: para muitas mulheres, a vida sexual se mantém ou até melhora, com o fim da dor e do sangramento. Se houver desconforto, vale conversar com a ginecologista — veja dor na relação sexual.
  • Papanicolau: a necessidade de continuar o exame depende do tipo de histerectomia e do seu histórico — mulheres que retiraram o colo por doença benigna podem não precisar mais do rastreio, mas essa decisão é individual.

Riscos

Como toda cirurgia, a histerectomia tem riscos, como sangramento, infecção, trombose, reações à anestesia e, mais raramente, lesões na bexiga ou no intestino. Uma avaliação pré-operatória cuidadosa e uma equipe experiente em cirurgia ginecológica ajudam a reduzir esses riscos.

A histerectomia pode trazer alívio real para quem convive há anos com dor ou sangramento, mas deve ser uma escolha consciente. Se essa cirurgia foi indicada para você — ou se você quer entender se existem alternativas —, uma consulta ginecológica é o espaço para tirar todas as dúvidas e decidir com segurança.

Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Ginecologia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.

Tags:

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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