Inserção do DIU: como é o procedimento passo a passo
Saiba como é feita a inserção do DIU, quanto tempo dura, o que sentir e os cuidados após colocar o dispositivo.

A inserção do DIU é um procedimento simples, feito em consultório, que costuma durar apenas alguns minutos. É natural sentir um pouco de ansiedade antes de colocar o dispositivo, especialmente quando se conhece pouco sobre o passo a passo. A boa notícia é que se trata de um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis, com mais de 99% de eficácia, e que entender cada etapa ajuda a chegar mais tranquila ao dia da consulta. Neste texto, explicamos como tudo acontece, o que esperar e quais cuidados tomar depois.
Antes do procedimento
Tudo começa com uma consulta de avaliação. A ginecologista conversa sobre seu histórico de saúde, suas menstruações e seus objetivos, e ajuda a escolher entre os tipos de DIU disponíveis no Brasil:
- DIU hormonal (levonorgestrel): o Mirena (52 mg), eficaz por até cerca de 8 anos, e o Kyleena (19,5 mg), por até 5 anos. Costumam reduzir o fluxo menstrual e, com o tempo, podem deixar a menstruação mais escassa ou ausente.
- DIU de cobre (TCu380A): sem hormônios, eficaz por até 10 a 12 anos. Pode tornar a menstruação um pouco mais intensa ou aumentar as cólicas, sobretudo nos primeiros meses.
Em geral, realiza-se um exame ginecológico e, em alguns casos, um ultrassom para avaliar o útero. A inserção pode ser feita em diferentes fases do ciclo, conforme orientação. Importante: o DIU é seguro e indicado também para mulheres que nunca engravidaram e para adolescentes, ao contrário de um mito ainda comum.
Como é feito, passo a passo
No dia do procedimento, o passo a passo segue uma sequência tranquila:
- Você se posiciona como em um exame ginecológico de rotina, deitada com os pés apoiados.
- A médica coloca um espéculo para visualizar o colo do útero.
- O canal é higienizado e mede-se a profundidade do útero com um instrumento fino.
- O DIU é introduzido por um aplicador fino, que passa pelo colo até o interior do útero.
- A médica ajusta os fios, que ficam discretamente no fundo da vagina e servem para conferência e remoção futura.
A maioria das mulheres sente cólicas de intensidade variável durante a passagem pelo colo. O desconforto costuma ser breve. Conforme as diretrizes atuais, o manejo da dor é individualizado e pode incluir anti-inflamatórios ou, quando indicado, anestesia local no colo do útero. Converse abertamente sobre suas preocupações: a equipe pode ajustar o cuidado ao seu conforto.
Como o DIU funciona
Entender o mecanismo de ação ajuda a confiar no método. O DIU de cobre provoca uma reação local que torna o ambiente desfavorável e tóxico aos espermatozoides, dificultando a fecundação. Já o DIU hormonal age principalmente espessando o muco do colo do útero, o que dificulta a passagem dos espermatozoides, e afinando o endométrio (o revestimento interno do útero) — esse efeito também explica a redução do fluxo menstrual. Em ambos os casos, a eficácia contraceptiva é superior a 99%, comparável à da laqueadura, com a vantagem de ser totalmente reversível.
Depois da inserção
Nos primeiros dias, é comum sentir cólicas leves e ter um pequeno sangramento ou escape. Esses sintomas tendem a diminuir progressivamente. Mudanças no padrão menstrual ao longo das primeiras semanas a meses fazem parte da adaptação ao dispositivo escolhido.
Costuma-se orientar uma consulta de retorno, em geral entre 4 e 6 semanas após a inserção, para conferir que está tudo bem. A confirmação de que o DIU está bem posicionado é feita principalmente pelo exame clínico e pela verificação dos fios; o ultrassom não é necessário de rotina e fica reservado para situações específicas, como dúvida sobre a posição ou suspeita de expulsão.
Procure atendimento se notar dor intensa que não melhora, febre, sangramento muito abundante, corrimento com odor forte ou se não conseguir mais sentir os fios.
E o medo de o DIU "sair do lugar"?
A expulsão existe, mas é menos frequente do que muitas pensam: acontece em uma minoria das usuárias, mais comumente nos primeiros meses. O DIU não "viaja" pelo corpo nem se desloca com atividades do dia a dia, exercícios ou relações sexuais. A consulta de retorno e a atenção a sinais como cólicas fora do habitual ou alteração nos fios ajudam a identificar precocemente qualquer alteração de posição.
Colocar um DIU é uma decisão pessoal e, quando bem orientada, costuma trazer muita tranquilidade no dia a dia. Se você tem dúvidas sobre qual tipo combina mais com o seu corpo e sua rotina, uma conversa com sua ginecologista é o melhor caminho para uma escolha segura e confortável.
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