Pós-parto: recuperação, cuidados e sinais de alerta

Saiba como é a recuperação no pós-parto, os cuidados após parto normal e cesárea, a consulta puerperal e os sinais de alerta. Femi Saúde, em Curitiba.

Clínica Femi Saúde
5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Mãe descansa no pós-parto enquanto recebe apoio em casa.

O pós-parto, ou puerpério, é o período em que o corpo da mulher retorna gradualmente às condições anteriores à gravidez, ao mesmo tempo em que ela se adapta à amamentação, ao sono fragmentado e à nova rotina. Costuma ser dividido em imediato, tardio e remoto, e as seis primeiras semanas concentram as principais mudanças físicas. É uma fase intensa, em que a atenção tende a se voltar toda para o bebê, mas a saúde da mãe precisa de cuidado com a mesma prioridade. Conhecer o que é esperado e o que não é ajuda a recuperar-se com tranquilidade e a buscar ajuda no momento certo.

O que é normal nas primeiras semanas

Logo após o parto, o útero começa a se contrair para voltar ao tamanho original, processo que causa cólicas, mais perceptíveis durante a amamentação, porque a sucção libera ocitocina. Essas cólicas diminuem em poucos dias. O sangramento vaginal, chamado lóquios, é vermelho e mais abundante nos primeiros dias, torna-se rosado ou amarronzado ao longo de uma a duas semanas e depois esbranquiçado, podendo durar até seis semanas. Absorventes internos não devem ser usados nesse período.

Também são comuns suores noturnos, inchaço nas pernas nos primeiros dias, dificuldade para evacuar, hemorroidas, sensibilidade nas mamas com a descida do leite entre o terceiro e o quinto dia, queda de cabelo a partir do segundo ou terceiro mês e oscilações de humor. Tudo isso tende a melhorar espontaneamente.

Recuperação após o parto normal

A região do períneo pode ficar dolorida e inchada, principalmente se houve laceração ou episiotomia. Compressas frias nas primeiras 24 a 48 horas, higiene com água após usar o banheiro, secar sem esfregar e trocar o absorvente com frequência ajudam na cicatrização. Os pontos, quando existem, são absorvíveis e não precisam ser retirados. Analgésicos compatíveis com a amamentação podem ser prescritos. A maioria das mulheres se sente confortável para caminhar e fazer as atividades cotidianas em poucos dias, e o desconforto ao sentar melhora em uma a duas semanas.

Recuperação após a cesárea

A cesárea é uma cirurgia abdominal, e a recuperação é mais lenta. Nos primeiros dias, é esperado sentir dor ao levantar, tossir ou rir, controlada com analgésicos. Andar cedo, ainda no hospital, reduz o risco de trombose e ajuda o intestino a funcionar. A cicatriz deve ser mantida limpa e seca; o curativo é trocado conforme a orientação da maternidade, e os pontos ou grampos são retirados em cerca de sete a dez dias, quando não são absorvíveis. Levantar peso maior que o do bebê, dirigir e fazer esforço abdominal costumam ser liberados após algumas semanas, conforme a evolução. Uma sensação de dormência ao redor da cicatriz é comum e pode durar meses.

Cuidados com o corpo e com a rotina

Alguns cuidados valem para qualquer via de parto:

  • Alimentação variada e bastante água, especialmente durante a amamentação.
  • Descansar sempre que possível, aproveitando os períodos de sono do bebê e aceitando ajuda com as tarefas da casa.
  • Retomar a atividade física de forma gradual, com liberação do obstetra, começando por caminhadas e exercícios do assoalho pélvico.
  • Manter as vitaminas prescritas e verificar com o médico qualquer medicamento antes de usá-lo, por causa da amamentação.
  • Retomar a relação sexual quando houver conforto e desejo, geralmente após a consulta puerperal. A fertilidade pode voltar antes da primeira menstruação, mesmo durante a amamentação, e a contracepção deve ser discutida cedo.

Saúde emocional

Entre 50% e 80% das mulheres passam pelo chamado baby blues: choro fácil, irritabilidade, insegurança e tristeza que aparecem nos primeiros dias e desaparecem em até duas semanas. Quando os sintomas persistem, se intensificam ou incluem desinteresse pelo bebê, desesperança, ansiedade constante ou pensamentos de se ferir, pode se tratar de depressão pós-parto, que atinge cerca de uma em cada dez mulheres e tem tratamento. Falar sobre o que sente com o obstetra, a família ou um profissional de saúde mental não é sinal de fraqueza, e sim de cuidado.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento

Algumas situações exigem avaliação imediata, sem esperar a consulta de retorno:

  • Sangramento intenso, que encharca um absorvente por hora, ou eliminação de coágulos grandes.
  • Febre igual ou superior a 38 °C.
  • Secreção vaginal com cheiro forte ou dor abdominal intensa.
  • Vermelhidão, calor, secreção ou abertura da cicatriz da cesárea ou do períneo.
  • Dor, inchaço ou vermelhidão em uma das pernas, ou falta de ar e dor no peito.
  • Dor de cabeça forte, visão embaçada ou pressão alta, já que a pré-eclâmpsia pode ocorrer até seis semanas após o parto.
  • Mama vermelha, quente e dolorida acompanhada de febre, sugerindo mastite.
  • Dor ou ardência para urinar, ou dificuldade para controlar a urina.
  • Tristeza profunda, pânico ou pensamentos de fazer mal a si mesma ou ao bebê.

A consulta puerperal

O Ministério da Saúde recomenda uma consulta na primeira semana após o parto e outra até o 42º dia. Nelas, o obstetra avalia a involução do útero, a cicatrização, a pressão arterial, as mamas e a amamentação, o estado emocional e o planejamento reprodutivo, além de revisar exames quando necessário. Em Curitiba, a equipe de obstetrícia da Femi Saúde mantém esse acompanhamento como continuidade natural do pré-natal, para que a mulher tenha a quem recorrer em uma fase em que as dúvidas são muitas e o tempo para si é pouco.

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