NIC 1, NIC 2 e teste de Schiller: entenda o resultado
Recebeu NIC 1, NIC 2 ou teste de Schiller alterado? Entenda o que são as lesões precursoras do colo do útero, o que o resultado significa e como é o tratamento.

Receber um laudo com NIC 1, NIC 2 ou "teste de Schiller positivo" costuma gerar muito medo — e muitas dúvidas. A primeira coisa a saber é que NIC não é câncer. É uma alteração nas células do colo do útero que, justamente por ser identificada cedo, pode ser acompanhada ou tratada antes de evoluir. É para isso que existe o rastreio com o preventivo.
Neste guia, explicamos o caminho do diagnóstico, o que significa cada grau de NIC, o que é o teste de Schiller e quais são as condutas mais comuns.
O caminho até o diagnóstico
Em geral, a investigação segue uma sequência:
- Preventivo (Papanicolau): exame de rastreio que coleta células do colo do útero. Quando mostra alguma alteração, o próximo passo é a colposcopia. Saiba mais em Papanicolau: para que serve e quando fazer.
- Colposcopia: exame em que a médica observa o colo do útero com uma lente de aumento, aplicando algumas soluções para destacar áreas alteradas. Veja colposcopia: o que é e quando é indicada.
- Biópsia: se houver uma área suspeita, retira-se um pequeno fragmento para análise. É a biópsia que define o diagnóstico de NIC.
O que é NIC
NIC significa neoplasia intraepitelial cervical. Apesar do nome assustador, trata-se de uma lesão precursora: as células da superfície do colo apresentam alterações, mas não invadem os tecidos mais profundos. Por isso, não é câncer.
A principal causa da NIC é a infecção persistente pelo HPV, especialmente pelos tipos de alto risco. Entenda melhor em HPV tem cura?.
A NIC é classificada em graus, conforme a espessura do epitélio que está alterada:
- NIC 1: alteração leve, também chamada de lesão de baixo grau
- NIC 2: alteração moderada
- NIC 3: alteração acentuada
NIC 2 e NIC 3 são agrupadas como lesões de alto grau.
NIC 1: o que fazer
A NIC 1 geralmente reflete uma infecção pelo HPV que o próprio organismo tende a controlar. Na maioria das mulheres, a lesão regride espontaneamente, sem tratamento. Por isso, a conduta mais comum é o acompanhamento, com repetição do preventivo e, quando indicado, da colposcopia em intervalos definidos pela médica.
O tratamento pode ser considerado quando a lesão persiste por muito tempo ou em situações específicas, avaliadas caso a caso.
NIC 2 e NIC 3: o tratamento
As lesões de alto grau têm maior chance de progredir ao longo dos anos se não forem tratadas. Por isso, na maioria dos casos, o tratamento é indicado. O procedimento mais usado é a excisão da zona de transformação (EZT), também conhecida como CAF ou cirurgia de alta frequência: com uma alça elétrica fina, a médica retira a área alterada do colo.
- Costuma ser feita com anestesia local, em ambiente ambulatorial
- É rápida, e a mulher volta para casa no mesmo dia
- O material retirado é analisado para confirmar o diagnóstico e verificar se as margens estão livres
Em alguns casos, pode ser indicada a conização, que retira uma porção um pouco maior do colo.
Em mulheres jovens com NIC 2, especialmente as que desejam engravidar, algumas diretrizes admitem, em situações selecionadas, o acompanhamento rigoroso em vez do tratamento imediato, já que parte dessas lesões também regride. Essa decisão é sempre individual.
Depois do tratamento
O acompanhamento continua sendo essencial: são feitos preventivos e, muitas vezes, testes de HPV e colposcopias de controle nos meses e anos seguintes, para garantir que a lesão não voltou.
Sobre gravidez: o tratamento não impede uma gestação futura. Algumas pesquisas mostram um pequeno aumento do risco de parto prematuro após procedimentos no colo, sobretudo quando é retirada uma porção maior. Por isso, é importante informar o seu obstetra sobre o tratamento anterior.
O que é o teste de Schiller
O teste de Schiller é feito durante a colposcopia. A médica aplica no colo do útero uma solução de iodo (lugol):
- O epitélio normal absorve o iodo e fica com uma cor marrom-escura — é chamado de iodo-positivo.
- Áreas que não coram e ficam amareladas ou claras são chamadas de iodo-negativas, e podem indicar alguma alteração.
Muitos laudos registram a presença de áreas iodo-negativas como "teste de Schiller positivo". Esse resultado não é um diagnóstico: áreas que não coram podem corresponder a inflamações, a um epitélio mais fino ou a outras alterações benignas. O que ele faz é mostrar onde a médica deve olhar com mais atenção e, se necessário, fazer a biópsia.
Na colposcopia, também se usa o ácido acético, que deixa esbranquiçadas as áreas com alterações celulares, complementando a avaliação.
É possível prevenir?
Sim, em grande parte:
- Vacina contra o HPV, que protege contra os tipos mais associados às lesões — veja vacina HPV: quem pode tomar
- Preventivo em dia, conforme a orientação médica para a sua idade
- Uso de preservativo, que reduz a transmissão do HPV
- Não fumar, já que o tabagismo dificulta a eliminação do vírus
Perguntas frequentes
NIC vira câncer? A maioria das lesões não evolui para câncer — muitas regridem sozinhas, e as de alto grau são tratadas antes. O acompanhamento é o que garante essa segurança.
Tenho NIC. Meu parceiro precisa se tratar? O HPV é muito comum e, em geral, não há tratamento específico para o parceiro sem lesões. Vale conversar sobre isso na consulta.
Ferida no colo do útero é a mesma coisa que NIC? Não. Muitas vezes, a chamada "ferida" é uma ectopia, uma condição benigna — entenda em ferida no colo do útero (ectrópio).
Receber um resultado alterado assusta, mas lembre-se: identificar a lesão cedo é exatamente o objetivo do rastreio. Com uma avaliação cuidadosa e o acompanhamento certo, é possível cuidar do seu colo do útero com segurança e tranquilidade.
Precisa de avaliação? Conheça a especialidade de Ginecologia na Femi Saúde ou agende sua consulta pelo WhatsApp.
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