NIC 1, NIC 2 e teste de Schiller: entenda o resultado

Recebeu NIC 1, NIC 2 ou teste de Schiller alterado? Entenda o que são as lesões precursoras do colo do útero, o que o resultado significa e como é o tratamento.

5 min de leitura
Revisão médica: Dr. Leonardo Custodio (CRM/PR 38.450) ·
Ilustração de microscópio, pasta do preventivo e calendário de acompanhamento.

Receber um laudo com NIC 1, NIC 2 ou "teste de Schiller positivo" costuma gerar muito medo — e muitas dúvidas. A primeira coisa a saber é que NIC não é câncer. É uma alteração nas células do colo do útero que, justamente por ser identificada cedo, pode ser acompanhada ou tratada antes de evoluir. É para isso que existe o rastreio com o preventivo.

Neste guia, explicamos o caminho do diagnóstico, o que significa cada grau de NIC, o que é o teste de Schiller e quais são as condutas mais comuns.

O caminho até o diagnóstico

Em geral, a investigação segue uma sequência:

  1. Preventivo (Papanicolau): exame de rastreio que coleta células do colo do útero. Quando mostra alguma alteração, o próximo passo é a colposcopia. Saiba mais em Papanicolau: para que serve e quando fazer.
  2. Colposcopia: exame em que a médica observa o colo do útero com uma lente de aumento, aplicando algumas soluções para destacar áreas alteradas. Veja colposcopia: o que é e quando é indicada.
  3. Biópsia: se houver uma área suspeita, retira-se um pequeno fragmento para análise. É a biópsia que define o diagnóstico de NIC.

O que é NIC

NIC significa neoplasia intraepitelial cervical. Apesar do nome assustador, trata-se de uma lesão precursora: as células da superfície do colo apresentam alterações, mas não invadem os tecidos mais profundos. Por isso, não é câncer.

A principal causa da NIC é a infecção persistente pelo HPV, especialmente pelos tipos de alto risco. Entenda melhor em HPV tem cura?.

A NIC é classificada em graus, conforme a espessura do epitélio que está alterada:

  • NIC 1: alteração leve, também chamada de lesão de baixo grau
  • NIC 2: alteração moderada
  • NIC 3: alteração acentuada

NIC 2 e NIC 3 são agrupadas como lesões de alto grau.

NIC 1: o que fazer

A NIC 1 geralmente reflete uma infecção pelo HPV que o próprio organismo tende a controlar. Na maioria das mulheres, a lesão regride espontaneamente, sem tratamento. Por isso, a conduta mais comum é o acompanhamento, com repetição do preventivo e, quando indicado, da colposcopia em intervalos definidos pela médica.

O tratamento pode ser considerado quando a lesão persiste por muito tempo ou em situações específicas, avaliadas caso a caso.

NIC 2 e NIC 3: o tratamento

As lesões de alto grau têm maior chance de progredir ao longo dos anos se não forem tratadas. Por isso, na maioria dos casos, o tratamento é indicado. O procedimento mais usado é a excisão da zona de transformação (EZT), também conhecida como CAF ou cirurgia de alta frequência: com uma alça elétrica fina, a médica retira a área alterada do colo.

  • Costuma ser feita com anestesia local, em ambiente ambulatorial
  • É rápida, e a mulher volta para casa no mesmo dia
  • O material retirado é analisado para confirmar o diagnóstico e verificar se as margens estão livres

Em alguns casos, pode ser indicada a conização, que retira uma porção um pouco maior do colo.

Em mulheres jovens com NIC 2, especialmente as que desejam engravidar, algumas diretrizes admitem, em situações selecionadas, o acompanhamento rigoroso em vez do tratamento imediato, já que parte dessas lesões também regride. Essa decisão é sempre individual.

Depois do tratamento

O acompanhamento continua sendo essencial: são feitos preventivos e, muitas vezes, testes de HPV e colposcopias de controle nos meses e anos seguintes, para garantir que a lesão não voltou.

Sobre gravidez: o tratamento não impede uma gestação futura. Algumas pesquisas mostram um pequeno aumento do risco de parto prematuro após procedimentos no colo, sobretudo quando é retirada uma porção maior. Por isso, é importante informar o seu obstetra sobre o tratamento anterior.

O que é o teste de Schiller

O teste de Schiller é feito durante a colposcopia. A médica aplica no colo do útero uma solução de iodo (lugol):

  • O epitélio normal absorve o iodo e fica com uma cor marrom-escura — é chamado de iodo-positivo.
  • Áreas que não coram e ficam amareladas ou claras são chamadas de iodo-negativas, e podem indicar alguma alteração.

Muitos laudos registram a presença de áreas iodo-negativas como "teste de Schiller positivo". Esse resultado não é um diagnóstico: áreas que não coram podem corresponder a inflamações, a um epitélio mais fino ou a outras alterações benignas. O que ele faz é mostrar onde a médica deve olhar com mais atenção e, se necessário, fazer a biópsia.

Na colposcopia, também se usa o ácido acético, que deixa esbranquiçadas as áreas com alterações celulares, complementando a avaliação.

É possível prevenir?

Sim, em grande parte:

  • Vacina contra o HPV, que protege contra os tipos mais associados às lesões — veja vacina HPV: quem pode tomar
  • Preventivo em dia, conforme a orientação médica para a sua idade
  • Uso de preservativo, que reduz a transmissão do HPV
  • Não fumar, já que o tabagismo dificulta a eliminação do vírus

Perguntas frequentes

NIC vira câncer? A maioria das lesões não evolui para câncer — muitas regridem sozinhas, e as de alto grau são tratadas antes. O acompanhamento é o que garante essa segurança.

Tenho NIC. Meu parceiro precisa se tratar? O HPV é muito comum e, em geral, não há tratamento específico para o parceiro sem lesões. Vale conversar sobre isso na consulta.

Ferida no colo do útero é a mesma coisa que NIC? Não. Muitas vezes, a chamada "ferida" é uma ectopia, uma condição benigna — entenda em ferida no colo do útero (ectrópio).

Receber um resultado alterado assusta, mas lembre-se: identificar a lesão cedo é exatamente o objetivo do rastreio. Com uma avaliação cuidadosa e o acompanhamento certo, é possível cuidar do seu colo do útero com segurança e tranquilidade.

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Dra. Melissa Amoroso

Sobre a autora

Dra. Melissa AmorosoGinecologista · CRM-PR 39.552 · RQE 34.292

A Dra. Melissa Amoroso é ginecologista e Diretora Técnica da Clínica Femi Saúde. Dedica-se ao cuidado da mulher em todas as fases da vida, da primeira menstruação à menopausa, com foco em medicina preventiva: consultas de rotina, preventivo do colo do útero e orientação individualizada. Em contracepção, oferece aconselhamento para a escolha do método mais adequado a cada paciente e realiza a inserção de DIU (hormonal e de cobre) e do Implanon®, além da laqueadura. É especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com fellow em videolaparoscopia e histeroscopia. Realiza histeroscopia diagnóstica e cirúrgica — para investigar e tratar sangramentos uterinos anormais, pólipos e miomas — e cirurgias por vídeo, como histerectomia e remoção de cistos de ovário e miomas, com atenção especial à endometriose. Na ginecologia regenerativa e estética íntima, cuida da saúde íntima com laser de CO2 fracionado e radiofrequência e realiza cirurgias íntimas, como a ninfoplastia a laser, sempre priorizando o bem-estar, a segurança e a confiança de suas pacientes.

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